- Produção mundial 2023/24 estimada muito acima do consumo, segundo o USDA;
- Indicadores econômicos ainda fracos;
- StoneX estima nova safra recorde 2023/24 para o Brasil;
- Melhora das condições das lavouras nos EUA;
- Exportações fracas dos EUA.
- Importações aquecidas de soja pela China;
- Margens de esmagamento e da indústria de suínos positivas na China;
- Corte de produtividade e produção da safra dos EUA;
- Previsões de clima mais seco, com temperaturas voltando a subir nos EUA.
As cotações da soja em Chicago deram continuidade ao movimento de queda na semana anterior. O vencimento para novembro encerrou a sexta-feira (dia 07) em 1307,5 cents por bushel, baixa de 1,9% no período.
O clima nos EUA tem sido o fator preponderante a influenciar a movimentação das cotações internacionais da soja e na semana passada não foi diferente.
As boas chuvas registradas nos primeiros dias de agosto e as previsões indicando bons volumes de precipitações na primeira quinzena do mês foram bem recebidas pelo mercado, num momento crucial para a definição da produtividade das lavouras norte-americanas, com o andamento da fase de enchimento de grãos.
Com essas condições climáticas mais favoráveis, havia expectativas de que o percentual bom/excelente das lavouras, atualizado semanalmente, avançasse, o que foi confirmado pelos dados referentes à semana encerrada em 06/08. Houve um aumento de 2 p.p., com 54% das lavouras em condições boas/excelentes, quando as apostas eram de uma melhora de 1 p.p. Apesar de alguns estados, como Dakota do Norte, Minnesota, Iowa, Kansas e Michigan ainda terem registrado uma redução do percentual bom/excelente, outros estados avançaram, com destaque para Illinois, onde as condições melhoraram em 12 p.p. e foi o principal determinante para os ganhos nacionais. Mesmo assim, esse nível de 54% ainda está 9 p.p. abaixo da média de 5 anos para o período.
Nesse último final de semana, foram registradas boas chuvas em partes importantes do Meio Oeste, com destaque para regiões da Dakota do Sul, centro de Minnesota e Missouri. Contudo, as previsões para esta semana voltam a indicar um clima mais seco na maior parte do cinturão, mas as temperaturas ainda devem ficar mais amenas. Já a partir do próximo final de semanal, o clima deve continuar mais seco enquanto as temperaturas voltam a subir, acima do usual, situação que preocupa, uma vez que as lavouras de soja dos EUA estão passando pela fase crucial do enchimento de grãos.


Pelo lado da demanda, as exportações dos EUA continuam sendo acompanhadas de perto, mesmo com as compras chinesas que vêm sendo anunciadas, com a oleaginosa norte-americana estando, em geral, mais competitiva que a brasileira a partir de outubro. Além disso, as margens de esmagamento e da indústria de suínos na China têm se mantido no campo positivo.
De qualquer forma, até o dia 03/08, foram inspecionadas 50,8 milhões de toneladas para exportação nos EUA. Faltando um mês para se encerrar o ano safra 2022/23, precisam ser embarcadas pouco mais de 3 milhões de toneladas, para se atingir a estimativa do USDA em 53,9 milhões. Contudo, o ritmo atual de embarques traz dúvida sobre se esse volume será atingido, com a última inspeção semanal tendo ficado em 281,9 mil toneladas.
Quanto às vendas de exportação do país, na mesma semana encerrada em 03/08, as negociações da safra 2022/23 superaram as expectativas, alcançando 406,6 mil toneladas, enquanto as vendas das afra 2023/24 atingiram 1,1 milhão, dentro do intervalo das estimativas, que iam de 300 mil a 1,5 milhão de toneladas, com a China sendo o destino principal das negociações da safra nova. Mesmo assim, destaca-se que no acumulado, as vendas da safra 2023/24 estão muito aquém do registrado nesse mesmo período em anos anteriores, alimentando as dúvidas sobre qual será o tamanho da exportações norte-americanas, após uma disponibilidade de soja recorde aqui no Brasil em 2023.

O relatório de oferta e demanda do USDA, divulgado na sexta-feira (dia 11), trouxe mais um corte na estimativa de exportações dos EUA para o ciclo 2023/23, que caiu abaixo das 50 milhões de toneladas.
Entretanto, como ainda é cedo, esse corte teve mais o objetivo de equilibrar o balanço de oferta e demanda, após a divulgação ter confirmado as expectativas de corte na produtividade, repercutindo no tamanho da safra norte-americana. O rendimento estimado passou para 3,42 toneladas por hectare, com a produção caindo para 114,4 milhões de toneladas. Com essa oferta menor, os estoques finais ficaram em 6,67 milhões de toneladas, mesmo com o USDA tendo ajustado para cima as importações das safras 2022/23 e 2023/24.
Mesmo assim, destaca-se que os preços em Chicago terminaram o dia em baixa, uma vez que as perspectivas para o balanço de oferta e demanda mundial ainda indicam uma produção quase 20 milhões de toneladas acima do consumo.
Nessa semana que começa, o relatório do USDA ainda deve continuar sendo absorvido pelo mercado, mas o grande destaque deve ser o clima nos EUA, com as previsões de menos chuvas.





