- Produção mundial 2023/24 estimada muito acima do consumo, segundo o USDA;
- Indicadores econômicos ainda fracos;
- StoneX estima nova safra recorde 2023/24 para o Brasil;
- Melhora das condições das lavouras nos EUA;
- Exportações fracas dos EUA.
- Importações aquecidas de soja pela China;
- Margens de esmagamento e da indústria de suínos positivas na China;
- Corte de produtividade e produção da safra dos EUA;
- Perspectivas positivas para o esmagamento norte-americano;
- Clima mais seco, com temperaturas elevadas nos EUA.
Na semana passada, as cotações da soja em Chicago voltaram a registrar alta, sob influência do clima nos EUA e preocupações com o balanço de oferta e demanda do país. O vencimento para novembro terminou a sexta-feira (dia 18) em 1353,25 cents por bushel, alta de 3,5%.
Apesar de o relatório de oferta e demanda do USDA em agosto não ter trazido maiores surpresas ao cortar a produtividade e a produção dos EUA, outros fatores têm contribuído para as perspectivas de que o balanço do país possa ficar ainda mais apertado, resultando em racionamento pelo lado da demanda.
O clima nos EUA continuou sendo acompanhado de perto. A ocorrência de chuvas mais significativas e as temperaturas mais amenas tiveram impactos positivos nas condições das lavouras, acompanhadas semanalmente pelo USDA. No domingo (dia 13), 59% da safra estava em condições boas/excelentes, um aumento de 5 p.p. frente a uma semana antes, um avanço acima do que o mercado esperava. Destaque para o estado de Illinois, um dos líderes na produção norte-americana de soja, onde o aumento do percentual bom/excelente de uma semana para outra foi de 12 p.p.
Contudo, por mais que o clima até a metade de agosto tenha sido benéfico, as previsões voltaram a indicar chuvas abaixo da média em praticamente todo o Meio Oeste dos EUA, combinadas com temperaturas acima da média, situação que preocupa, uma vez que a fase chave de enchimento de grão está em andamento, e tem dado suporte aos preços, diante do balanço do país já mais restrito.


Pelo lado da demanda, a divulgação do dado de esmagamento dos EUA em julho, pela Associação Nacional de Processadores de Oleaginosas (NOPA, na sigla em inglês) se destacou. Foram esmagadas 4,72 milhões de toneladas de soja no mês, superando a média das expectativas do mercado, em 4,66 milhões. Faltando um mês para o encerramento ano safra 2022/23 dos EUA, a estimativa anual de 60,42 milhões de toneladas deve ser confirmada. Por outro lado, esse número mensal forte trouxe questionamentos sobre a estimativa do USDA para a safra 2023/23, em que o esmagamento esperado é de 62,60 milhões de toneladas. Como houve uma queda acentuada dos estoques de óleo, atingindo a mínima da temporada, a força do consumo para diesel renovável voltou a configurar um fator de suporte importante para os óleos vegetais e, consequentemente, para o grão, diante do cenário de balanço já bastante apertado.
No caminho inverso, as exportações norte-americanas continuam mais fracas. As vendas da safra 2022/23, na semana encerrada em 10/08, alcançaram 93,6 mil toneladas, volume mais próximo do piso das estimativas, que iam de 0 a 400 mil toneladas. No acumulado, as negociações alcançam 53,2 milhões de toneladas, lembrando que a estimativas de exportações está em 53,9 milhões. Já os embarques atingiram 51,2 milhões de toneladas, faltando 3 semanas para o encerramento do ano safra. Considerando os volumes médios que têm sido embarcados semanalmente, há chances de a estimativa de exportações do USDA não ser alcançada.
Para a safra 2023/24, as vendas alcançaram 1,47 milhão de toneladas, no limite superior das estimativas, entre 550 mil e 1,5 milhão de toneladas. Mesmo assim, no acumulado, as negociações alcançam 10,6 milhões de toneladas, volume que se mantém mais baixo que o registrado nesse mesmo período em anos anteriores.

É importante lembrar que o último trimestre do ano tende a registrar os maiores embarques de soja norte-americana, logo após a colheita. Contudo, após a safra recorde no Brasil, há preocupações sobre qual será o tamanho das exportações dos EUA nesse período. De qualquer forma, a soja norte-americana para China já está mais competitiva que a brasileira a partir de outubro.
No Brasil, a StoneX atualizou seu acompanhamento quinzenal de comercialização, com 77,2% da safra 2022/23 já negociada. Apesar dos avanços mais significativos nos últimos meses, esse percentual é baixo comparado a anos anteriores, restando ainda 36 milhões de toneladas a serem vendidas.
Nessa semana que começa, o clima nos EUA deve continuar movimento as cotações internacionais da soja. As previsões continuam indicando clima quente e seco em todo o cinturão, com chances de a região oeste bater os 40 °C nesta segunda-feira (dia 21). A partir do próximo final de semana, as temperaturas devem cair, mas as chuvas ainda tendem a ficar abaixo do normal na maior parte da região produtora.





