- Produção mundial 2023/24 estimada muito acima do consumo, segundo o USDA;
- Indicadores econômicos ainda fracos;
- StoneX estima nova safra recorde 2023/24 para o Brasil;
- Margens pressionadas do setor de suínos na China;
- Exportações fracas dos EUA.
- Importações aquecidas de soja pela China;
- Margens de esmagamento positivas na China;
- Corte de produtividade e produção da safra dos EUA;
- Perspectivas positivas para o esmagamento norte-americano;
- Clima mais seco, com temperaturas elevadas nos EUA e estimativa de produção menor pela Pro Farmer.
A tendência de alta predominou por mais uma semana em Chicago, sob influência principal do andamento da safra norte-americana. O vencimento para novembro encerrou a sexta-feira (dia 25) em 1387,75 cents por bushel, ganhos de 2,5% no período.
Como o clima em agosto é muito importante para o resultado final da produtividade norte-americana, devido à fase de enchimento de grão, o tempo mais seco e quente que tem predominado desde a metade do mês, traz preocupações.
Neste último final de semana, foram registradas boas chuvas na região central das planícies dos EUA e no sudoeste do Meio Oeste. Os volumes mais significativos ocorreram no sudeste de Nebraska, sul de Illinois, extremo sudoeste de Indiana e Kentucky. Para esta semana, as previsões indicam que as precipitações devem ficar abaixo do esperado em praticamente todo o Meio Oeste, mas com temperaturas mais amenas. Já a partir do próximo final de semana, além das previsões continuarem indicando um clima mais seco, as temperaturas devem voltar a subir acima do usual.
Ainda em relação à safra norte-americana, na semana passada, foi realizado o tradicional Crop Tour da Pro Farmer, passando pelos principais produtores de milho e soja do país. Os levantamentos no campo destacaram uma grande variabilidade das amostras coletadas e os resultados diários da contagem de vagens movimentaram o mercado.
O resultado final do crop tour, que considera, além das lavouras avaliadas, o estágio de desenvolvimento, ajustes de áreas, diferenças em relação ao dado oficial do USDA, entre outros fatores, trouxe uma produtividade média nacional em 3,34 toneladas por hectare, com a produção de soja 2023/24 estimada em 111,86 milhões de toneladas, contra 114,44 milhões no último relatório do USDA. Considerando os sete estados avaliados, somente Indiana e Ohio registraram rendimentos acima dos últimos dados oficiais do USDA. Destaca-se, ainda, que na divulgação final, foi ressaltado que ainda há necessidade de umidade em várias regiões para se confirmar essas estimativas. Por isso o clima nos EUA continua sendo acompanhado de perto, até se definir a produtividade final das lavouras.


As condições da safra de soja dos EUA, referentes à semana encerrada em 20/08, ficaram estáveis, com o percentual bom excelente em 59%, nível mais próximo da média de cinco anos, em 61%. O mercado aguarda a próxima atualização no final da tarde de segunda-feira (dia 28), após o clima mais quente e seco na semana passada. Inclusive, o tour da Pro Farmer foi realizado sob uma forte massa de ar quente em alguns dos estados visitados, como Iowa.
Pelo lado da demanda, as vendas de exportação dos EUA na semana encerrada em 17/08 alcançaram 364,95 mil toneladas para a safra 2022/23, volume acima do teto das estimativas, que iam de 0 a 200 mil toneladas. No caso da safra 2023/24, as negociações ficaram em 1,22 milhão de toneladas, dentro do intervalo das expectativas do mercado.
De qualquer maneira, as chances de a estimativa de exportações para os EUA na safra 2022/23 não serem alcançadas aumentam cada vez mais, faltando apenas duas semanas para o encerramento do ano safra, no final de agosto. Até o dia 17/18, foram inspecionadas para embarque 51,5 milhões de toneladas da oleaginosa, sendo que os volumes semanais estão mais baixos que no ano passado.

Na China, as margens de esmagamento se mantêm no campo positivo, mas permanecem as preocupações com a margem da indústria de suínos. O país se recuperou mais rapidamente do que o esperado do grande surto de peste suína africana (PSA) entre 20180e 2019, que dizimou quase a metade de seu rebanho, mas as margens da atividade se mantêm pressionadas, o que poderá impactar negativamente a demanda por farelo de soja e consequentemente o esmagamento e a importação do grão. Cabe destacar que o USDA estima as importações de soja do país em 99 milhões de toneladas no ciclo 2023/24, abaixo do potencial resultado da safra 2022/23, em 100 milhões.
No Brasil, o plantio da soja 2023/24 está previsto para começar em meados de setembro, após o final do vazio sanitário em alguns estados. As previsões mais longas indicam chuvas dentro da normalidade no Sul do Brasil enquanto na região central as precipitações podem ficar acima do normal em setembro.
Nesta semana que começa, além dos dados usuais, destaca-se a divulgação das exportações brasileiras de soja em agosto, na próxima sexta-feira (dia 01).





