- Produção mundial 2023/24 estimada muito acima do consumo, segundo o USDA;
- Indicadores econômicos ainda fracos;
- StoneX estima nova safra recorde 2023/24 para o Brasil;
- Margens pressionadas do setor de suínos na China;
- Exportações fracas dos EUA.
- Importações aquecidas de soja pela China;
- Margens de esmagamento positivas na China;
- Corte de produtividade e produção da safra dos EUA;
- Perspectivas positivas para o esmagamento norte-americano;
- Clima mais seco, com temperaturas elevadas nos EUA e piora da qualidade das lavouras.
Na semana anterior, mais curta, após o dia do Trabalho nos EUA, na segunda-feira (04), as cotações da soja terminaram o período no campo negativo. O vencimento para novembro encerrou a sexta-feira (dia 08) em 1363 cents por bushel, baixa semanal e 0,5%.
Destaca-se que esse recuo aconteceu mesmo com as dúvidas sobre o tamanho da safra norte-americana 2023/24. O acompanhamento de safra dos USDA referente à semana encerrada em 03/09 trouxe uma queda de 5 p.p. do percentual bom excelente das lavouras do país, ficando em 53%, recuo maior do que o mercado esperava, em decorrência do clima quente e seco que predominou no Meio Oeste desde a metade de agosto.
Após esse resultado, o pregão seguinte registrou um rali de preços, mas que não se sustentou, com outros fatores também sendo acompanhados, além das dúvidas sobre qual será o ajuste que o USDA trará no relatório de oferta e demanda, que será divulgado nesta terça-feira (dia 12). Mesmo com essas sinalizações, com piora de qualidade das plantas e algumas estimativas privadas ajustando a perspectivas para a safra norte-americana para baixo, o quanto a pesquisa a campo do USDA, antes desse próximo relatório, conseguirá captar dos potenciais prejuízos causados pelo clima ainda é dúvida.
A StoneX divulgou sua estimativa para a safra dos EUA, com base em levantamentos de produtividade e considerando a área oficial do USDA, trazendo um novo recuo do rendimento e da produção. A produtividade média nacional foi estimada em 3,37 toneladas por hectare com a produção ficando em 112,78 milhões de toneladas, situação que tenderia a levar a um balanço de oferta e demanda ainda mais apertado que o estimado atualmente para o país.
Contudo, além de ainda permanecerem dúvidas sobre qual será o tamanho da safra norte-americana, o lado da demanda também preocupa.


Os dados da alfândega chinesa indicaram que o país importou 9,36 milhões de toneladas de soja em agosto deste ano, 2,2 milhões a mais que no mesmo mês de 2022. Com isso, faltando um mês para o encerramento das importações do país no ciclo 2022/23, é bastante possível que a estimativa atual do USDA, em 100 milhões de toneladas seja ultrapassada.
Atualmente, as margens de esmagamento chinesas se mantêm no campo positivo e a China importou muita soja do Brasil, após a colheita da safra recorde por aqui. Com isso, além do esmagamento interno, o país também aproveitou para recompor estoques, situação que traz dúvidas sobre qual será o tamanho das importações na safra 2023/24, lembrando que tem havido um esforço para reduzir a participação do farelo de soja nas rações, com apoio do governo. De qualquer maneira, a grande preocupação é o quanto a China importará de soja norte-americana, após vários meses de compras muito aquecidas, com foco no Brasil. O melhor período de embarques dos EUA é logo após a colheita da safra, de outubro a dezembro.
Ainda sobre as exportações de soja dos EUA, foram divulgados os dados de vendas e embarques da semana encerrada em 31/08, o que encerra o ano safra 2023/22 do país. Foram negociadas mais 155,6 mil toneladas da safra que se terminou na semana, levando o acumulado total para 53,4 milhões de toneladas. Os embarques acumulados alcançaram 52,2 milhões de toneladas.
No caso da safra 2023/24, as vendas semanais alcançaram 3 milhões de toneladas, superando consideravelmente o topo das estimativas, em 2 milhões. Mesmo assim, o acumulado para o ciclo permanece consideravelmente mais baixo que esse mesmo período em anos anterior. Destaque para o ritmo mais fraco de compras chinês.

No Brasil, a StoneX atualizou se acompanhamento de comercialização, com 80% da safra 2022/23 negociada, percentual ainda mais baixo que nesse mesmo período em anos anterior. Considerando a safra recorde em 157,7 milhões de toneladas, ainda restam 31,5 milhões de toneladas a serem vendidas pelos produtores brasileiros.
Nesta semana, como já comentado, será divulgado o relatório mensal do USDA, amanhã (dia 12), e a expectativa é muito grande quanto a possíveis ajustes para a safra dos EUA, tanto de produtividade, quanto de área, uma vez que o Departamento já sinalizou que revisões na área plantada poderão ocorrer.





