- Produção mundial 2023/24 estimada muito acima do consumo, segundo o USDA;
- Indicadores econômicos ainda fracos;
- StoneX estima nova safra recorde 2023/24 para o Brasil;
- Esmagamento dos EUA abaixo do esperado em agosto;
- Exportações fracas dos EUA.
- Importações aquecidas de soja pela China;
- Margens de esmagamento positivas na China;
- Corte de produtividade e produção da safra dos EUA;
- Perspectivas positivas para a demanda de óleo de soja nos EUA;
- Produtividade dos EUA ainda poderá sofrer novos cortes em decorrência do clima.
Na semana passada, as cotações da soja em Chicago alternaram entre altas e baixas ao longo das sessões e encerraram o período em queda. O vencimento para novembro terminou a sexta-feira (dia 15) em 1340,25 cents por bushel, recuo semanal de 1,7%.
A grande expectativa no começo da semana estava centrada no relatório de oferta e demanda do USDA, que foi divulgado na terça-feira (dia 12), principalmente relacionada aos números dos EUA.
A produção estimada para a safra norte-americana 2023/24 caiu de 114,4 para 112,8 milhões de toneladas, devido a mais um corte da produtividade esperada, para 3,37 toneladas por hectare, destacando que mais da metade das áreas produtoras do país registraram um clima seco e quente na segunda metade de agosto.
Quanto à área plantada, houve um ajuste marginal, passando de 33,79 para 33,83 milhões de hectares, um aumento abaixo do esperado, lembrando que o número de área deste ciclo ficou menor do que o mercado esperava. Mesmo assim, destaca-se que quando são feitos ajustes de área plantada no relatório mensal de setembro, essa área tende a estar bastante em linha com o número final para o ciclo.
Pelo lado da demanda, o USDA trouxe um pequeno aumento das exportações 2022/23, para 54,16 milhões de toneladas, com igual impacto nos estoques finais. Já para a safra nova, houve mais um corte nas exportações estimadas, que ficaram em 48,72 milhões de toneladas e também houve uma pequena redução do esmagamento, o que causou certa surpresa, diante do esmagamento aquecido em meio ao forte aumento previsto da produção de diesel renovável.
Dessa forma, além de ainda ser cedo para saber realmente o que vai acontecer com a demanda pela soja norte-americana, esses ajustes refletem mais o esforço para se fechar o balanço, sem afirmar que o país enfrentará algum racionamento pelo lado da demanda.


Contudo, futuras revisões na produção, com possíveis novos cortes de produtividade, não estão descartadas, uma vez que com o avanço da colheita os potenciais impactos climáticos poderão ser mais bem avaliados.
Na semana encerrada em 10/09, o acompanhamento de safra dos USDA trouxe mais uma piora das condições da safra norte-americana, com o percentual bom/excelente caindo de 53% para 52%, contra média de 5 anos em 60%. Contudo, destaca-se que a média das expectativas do mercado apontava para um recuo até mais significativo das condições de safra nos EUA.
Outro destaque do relatório mensal do USDA foi o ajuste das importações da China. A estimativa para a safra 2022/23 subiu para 102 milhões de toneladas, uma vez que os volumes registrados nos últimos meses estiveram muito aquecidos, o que indica que o acumulado entre outubro de 2022 e setembro de 2023 deve ficar maior do que se esperava anteriormente. Para o ciclo 2023/24, espera-se que as importações chinesas alcancem 100 milhões de toneladas, um aumento em relação ao número divulgado em agosto, mas que representa queda anual das compras internacionais do país.
Mesmo com esses ajustes, ressalta-se que o balanço mundial da safra 2023/24 de soja ainda indica a produção mundial superando o consumo em 18,71 milhões de toneladas.
De qualquer maneira, como ressaltado, o plantio na América do Sul está só começando, com a StoneX devendo trazer seu primeiro acompanhamento para o Brasil na próxima sexta-feira (dia 22).
Em relação às vendas de exportação dos EUA na semana encerrada em 07/09, foram negociadas 703,9 mil toneladas, volume mais próximo do piso das estimativas, entre 600 mil e 1,45 milhão de toneladas. No acumulado, o atraso em relação ao mesmo período do ano passado é de 8,7 milhões de toneladas, sendo que a China responde por 6,5 milhões de toneladas desse volume. De qualquer forma, como a estimativa de exportações 2023/24 do país aponta para um total mais baixo no comparativo anual, esse acumulado menor ainda não é considerado tão preocupante.

No último pregão da semana (dia 15), o dado de esmagamento mensal dos EUA, divulgado pela Associação Nacional de Processadores de Oleaginosas (NOPA, na sigla em inglês), surpreendeu ao indicar que foram esmagadas 4,4 milhões de toneladas de soja em agosto no país, volume no piso das estimativas e abaixo da média esperada, em 4,57 milhões. Esse resultado pesou sobre os preços da soja em Chicago, apesar de possivelmente estar relacionado a paradas para manutenção que não foram realizadas nos meses anteriores.
Por outro lado, os estoques do óleo de soja no país em agosto ficaram em 567 mil toneladas, consideravelmente mais baixo que as 672,7 mil toneladas esperadas pelo mercado, o que deu suporte aos preços do óleo vegetal no último pregão da semana.
Nessa semana que começa, além dos acompanhamentos de safra nos EUA e também no Brasil, com o início do plantio por aqui, destacam-se os dados de exportação da oleaginosa, além de indicadores econômicos e das decisões de política monetária nos dois países.





