- Produção mundial 2023/24 estimada bem acima do consumo, segundo o USDA;
- Indicadores econômicos ainda fracos;
- StoneX estima nova safra recorde 2023/24 para o Brasil;
- Colheita da safra 2023/24 nos EUA;
- Exportações fracas dos EUA.
- Importações aquecidas de soja pela China;
- Margens de esmagamento positivas na China;
- Corte de produtividade e produção da safra dos EUA;
- Perspectivas positivas para a demanda de óleo de soja nos EUA;
- Clima quente e seco no Brasil.
As cotações da soja em Chicago se mantiveram em tendência de baixa e registraram mais uma semana negativa. O vencimento para novembro encerrou a sexta-feira (dia 25) em 1296,25 cents por bushel, baixa de 3,3% no período.
A colheita da safra norte-americana está em andamento, o que acaba pesando sobre os preços, mesmo com as perspectivas de um balanço mais apertado e que pode se complicar ainda mais, caso haja novos cortes de produtividade em revisões futuras do USDA.
O primeiro acompanhamento de colheita da safra 2023/24 dos EUA indicou 5% na apuração nacional, acima do registrado nesse mesmo período no ciclo passado e também da média de cinco anos, em 4%. Nas próximas semanas, o ritmo deve acelerar, aumentando a disponibilidade de soja no país.
Destaca-se que o acompanhamento do USDA trouxe estabilidade no percentual bom/excelente das lavouras, que ficou em 52%, contra expectativas do mercado de uma queda para 51%. Houve melhoras em Iowa, Minnesota, Michigan, Nebraska, Kentucky e Dakota do Sul que compensaram as quedas em outros estados. Mesmo assim, esse nível de 52% é o quinto mais baixo para o período em 24 anos.


Com o avanço da colheita nos EUA, independentemente se haverá novos ajustes de safra no futuro, a demanda pela soja do país passa a ganhar cada vez mais relevância, lembrando que o melhor período para as exportações norte-americanas de soja é o último trimestre do ano (entre outubro e dezembro). Além dos volumes negociados e embarcados, o nível do Rio Mississipi preocupa novamente neste ano, a exemplo do que ocorreu em 2022. Essa rota hidroviária é fundamental para as exportações de grãos do país, mas com o clima mais seco, algumas regiões deixam de ser navegáveis, impactando o preço do frete e, inclusive, levando os comprados a buscar alternativas, o que pode acabar beneficiando o Brasil.
As exportações brasileiras ainda se mantêm aquecidas, após o recorde de produção no ciclo 2022/23 e, em muitos momentos, conseguindo competir com o grão norte-americano, que sazonalmente tende a levar vantagem no final do ano.
As vendas de exportação dos EUA na semana encerrada em 14/09 ficaram em 434 mil toneladas, abaixo do piso das estimativas do mercado, entre 600 mil e 1,45 milhão de toneladas. No acumulado, foram negociadas 17 milhões de toneladas de soja da safra 2023/24, contra 25,7 milhões nesse mesmo período do ano passado para a safra 2022/23. De qualquer forma, é importante lembrar que o USDA estima uma queda anual das exportações norte-americanas de 5,4 milhões de toneladas.

Por outro lado, as perspectivas para o consumo doméstico de soja nos EUA se mantêm positivas, puxadas pelo óleo de soja, diante do aumento da produção de diesel renovável. As importações de óleo de cozinha usado (UCO) da China estão em alta tendo alcançado 384 mil toneladas desde janeiro de 2023. O UCO tem aumentado sua participação na produção de diesel e biodiesel nos EUA desde o ano passado, já respondendo por mais de 20% do total. Esse avanço foi bastante influenciado pelo programa Inflation Reduction Act (IRA) e seus créditos fiscais para biocombustíveis nos EUA, enquanto na China, maior produtor mundial de UCO, faltam políticas de incentivo, que favoreçam a demanda do produto.
Mudando o foco para a América do Sul, o vazio sanitário já terminou em vários estados brasileiros e o plantio está em andamento. A StoneX divulgou seu primeiro acompanhamento de plantio da safra 2023/24, com a média nacional em 2%, em linha com o registrado nessa mesma semana do ano passado. Destaca-se que, por enquanto, o plantio começou no Mato Grosso e no Paraná e o mercado acompanha as condições climáticas. Nos últimos dias, uma onda de calor tem resultado em temperaturas bastante acima da média para essa época do ano e também tem chovido pouco em praticamente toda a região produtora de soja do país. Com isso, começa a se especular sobre possíveis atrasos no plantio, uma vez que esse padrão mais quente e seco deve se manter nos próximos dias. Contudo, no caso da soja, ainda é cedo e os atrasos não tendem a resultar em prejuízos para a produção, com as preocupações recaindo sobre o milho que será semeado na mesma área da oleaginosa, na segunda safra. Um atraso no ciclo da soja tente a se refletir na sazonalidade da demanda pela oleaginosa no primeiro semestre do ano, já que a colheita também é postergada, com impactos principalmente nas exportações, cujos picos também tendem a atrasar.
Nesta semana que começa, o clima na América do Sul deve continuar no radar, lembrando que na Argentina o plantio só começa mais tarde, no final de outubro. É importante destacar que as estimativas de um balanço mundial mais folgado de soja, que têm pesado sobre os preços, dependem de safras sem maiores problemas no Brasil e na Argentina. Assim, o mercado climático por aqui vai ganhar cada vez mais relevância.
Nos EUA, na sexta-feira (dia 29), será divulgado o relatório de posição trimestral dos estoques em 01/09, que, no caso da soja, corresponde ao estoque final da safra 2022/23.





