As cotações da soja acumularam ganhos semanais pela primeira vez desde agosto, após a divulgação do relatório de oferta e demanda do USDA na quinta-feira (dia 12). De qualquer forma, as primeiras sessões da semana ainda foram de queda nos preços. O vencimento para novembro encerrou a sexta-feira (dia 13) em 1280,25 cents por bushel, alta de 1,1% no período.
O clima de aversão ao risco esteve muito presente na segunda-feira (dia 09), após o ataque do Hamas a localidades de Israel e ao conflito que se segue desde então. O Oriente Médio não está entre os maiores players de consumo e produção de soja, mas o maior pessimismo pesou sobre as commodities.


Quanto aos fundamentos, a colheita da safra norte-americana 2023/24 atingiu 43% da área total no domingo (dia 08), um avanço de 20 p.p. em uma semana e acima da média de cinco anos para o período, em 37%. O avanço da colheita nos EUA é um fator que tem pesado sobre os preços, por aumentar a disponibilidade de soja.
Pelo lado da demanda, as inspeções de exportação do país na semana encerrada em 05/10 ficaram levemente acima de 1 milhão de toneladas, volume superior ao de uma semana antes e em linha com o ano passado. Houve um erro na divulgação do dado, que veio primeiramente em 1,6 milhão de toneladas, mas que representava uma dupla contagem em cargas nos portos do Noroeste do Pacífico (PNW). Esse erro foi corrigido, o que acabou pesando nas cotações. Considerando o acumulado da safra 2023/24, as inspeções estão em linha com o alcançado em 2022, em 3 milhões de toneladas.
As vendas de exportação na mesma semana atingiram 1,06 milhão de toneladas, volume no teto das estimativas, que iam de 650 mil a 1 milhão de toneladas. No acumulado, as negociações de soja da safra 2023/24 alcançam 19,5 milhões de toneladas, níveis mais baixos que nesse mesmo período em anos anteriores. De qualquer forma, é importante lembrar que o USDA espera que os embarques norte-americanos no ciclo 2023/24 sejam mais fracos.

O USDA trouxe um novo corte da produção norte-americana 2023/24, que caiu de 112,8 para 111,7 milhões de toneladas, com mais um ajuste negativo de produtividade. Houve um leve aumento do esmagamento projetado, enquanto a estimativa de exportação foi cortada em 1 milhão de toneladas. Além disso, com ajustes na safra 2022/23, já esperados devido ao relatório de posição trimestral dos estoques, os estoques iniciais do ciclo 2023/24 aumentaram, contribuindo para a manutenção da estimativa de estoques finais da safra nova.
Esse corte da produtividade e da produção dos EUA abriu espaço para uma alta considerável no dia, com atuação dos fundos especulativos. Contudo, na sessão seguinte, na sexta-feira (dia 13), houve realização de lucros.
Quanto a outros players importantes do mercado de soja, não houve ajustes significativos e o balanço de oferta e demanda mundial continuou indicando uma produção consideravelmente acima do consumo, em 16,22 milhões de toneladas, mantendo-se o cenário de maior folga global, mesmo com as perspectivas de balanço restrito nos EUA.
Destaca-se a divulgação das exportações da China em setembro, que alcançaram 7,15 milhões de toneladas, 7,3% a menos que no mesmo mês do ano passado e abaixo das expectativas. No acumulado entre outubro de 2022 e setembro de 2023, a China importou 100,9 milhões de toneladas, fazendo do ano safra 2022/23 um recorde para o país, mas que ficou abaixo da estimativa do USDA, em 102 milhões de toneladas. A China aproveitou a safra recorde no Brasil e originou muita soja por aqui, contribuindo para uma recomposição de seus estoques e trazendo dúvidas sobre o quanto de soja norte-americana 2023/24 o país importará. Nesse contexto, a oleaginosa brasileira disponível continua competindo com o grão dos EUA, mesmo num momento que sazonalmente costuma ser vantajoso para o produto norte-americano. Além disso, o escoamento da safra dos EUA enfrenta desafios logísticos, com a baixa do Rio Mississipi e a seca no Canal do Panamá, situações que encarecem e atrasam os embarques de grãos, prejudicando a competitividade do país.
No Brasil, o plantio da safra 2023/24 alcança 18% da área projetada, abaixo do percentual nessa mesma semana de 2022, em 22,6%. O mercado acompanha o clima, com as chuvas ainda bastantes irregulares em várias partes do país, como em regiões do Mato Grosso.
Nesta semana que começa, o clima no Brasil deve continuar no radar, assim como a colheita nos EUA e o andamento das exportações do país.





