- Produção mundial 2023/24 estimada acima do consumo, segundo o USDA;
- Registro de chuvas mais abundantes nas áreas de soja do Brasil;
- StoneX ainda estima safra recorde 2023/24 para o Brasil;
- USDA aumenta produção 2023/24 dos EUA;
- Vendas de exportações acumuladas fracas dos EUA.
- Consumo doméstico norte-americano aquecido;
- Argentina pode ficar sem soja para esmagamento;
- Necessidade de mais chuvas nas regiões produtoras do Brasil.
- Perdas de potencial produtivo na safra brasileira, com corte da estimativa de produção da StoneX.
As cotações da soja registraram ganhos até a metade da semana passada, mas voltaram a cair e encerraram o período em leve baixa. O vencimento para janeiro terminou a sexta-feira (dia 01) em 1325 cents por bushel, baixa semanal de 0,4%.
A safra da América do Sul continua no centro das atenções e os acompanhamentos climáticos e divulgações de estimativas de safra privadas para o Brasil movimentaram as cotações.
Desde a semana de 20/11, voltaram a ser registradas chuvas mais significativas nas regiões produtoras do Centro-Oeste brasileiro, mas o acumulado de precipitações no mês de novembro como um todo ainda ficou bem abaixo do normal, com destaque para Mato Grosso, partes de Goiás e Mato Grosso do Sul, além de estados do Sudeste, regiões do MATOPIBA e Pará.
Destaque para uma consultoria que divulgou que a safra de soja do Brasil 2023/24 deve ficar em 150,67 milhões de toneladas, número que ficaria abaixo da temporada anterior, que alcançou 154,1 milhões de toneladas, segundo a fonte.
Esse número ficou bem mais baixo que outros divulgados no mercado, inclusive o oficial da Conab, o que ofereceu suporte aos preços, no dia da divulgação. Contudo, a estimativa anterior já estava mais baixa que a de outras instituições e a continuidade de ocorrência de chuvas voltou a pesar sobre os preços.
A StoneX também divulgou sua atualização de safra e cortou a estimativa de produção para o ciclo 2023/24 aqui no Brasil, que passou de 165 para 161,8 milhões de toneladas. Com a falta de chuvas, o potencial produtivo de alguns estados, com destaque para os do Centro-Oeste, foi ajustado para baixo.
Em Mato Grosso, além da redução do rendimento projetado, houve um pequeno corte da área plantada, uma vez que as condições climáticas levaram a atrasos significativos no plantio. A média nacional da semeadura alcançou 82,7% na última sexta-feira (dia 01), segundo acompanhamento da StoneX, cerca de 7 p.p. abaixo do ano passado, nessa mesma semana.
No mês de dezembro, o clima vai ser fundamental para definir o potencial produtivo da safra brasileira de soja 2023/24. Caso as chuvas ainda continuem com irregularidade, novos cortes de safra devem ocorrer nas próximas revisões. Por quanto, as previsões para dezembro estão mais favoráveis, sinalizando chuvas para praticamente toda região produtora, pelo menos até a metade do mês.
Na Argentina, passados os atrasos iniciais no plantio, devido à falta de chuvas até o final de outubro, já foram semeadas 43,8% da área de 17,3 milhões de hectares, estimada pela Bolsa de Buenos Aires até a quarta-feira (dia 29), ritmo em linha com a média de cinco anos para o período.
As previsões climáticas indicam chuvas para a Argentina nos próximos dias e mesmo as previsões longas mostram um padrão mais úmido nos próximos meses, o que tende a ser benéfico para o desenvolvimento da safra do país.


Pelo lado da demanda, as atenções continuam bastante centradas nas exportações norte-americanas. As inspeções na semana encerrada em 23/11 ficaram em 1,4 milhão de toneladas, volume levemente abaixo de uma semana antes, mas consideravelmente inferior ao mesmo período do ano passado. O acumulado deste ano também está mais baixo, mas as estimativas do USDA indicam exportações menores no ciclo 2023/24 para os EUA. Contudo, os meses de outubro a dezembro são os melhores em volume embarcado pelo país, com as exportações sendo acompanhadas de perto.
Já as vendas de exportação na mesma semana alcançaram 1,9 milhão de toneladas, superando o teto das estimativas, que iam de 850 mil a 1,5 milhão de toneladas. Desse total, 900 mil toneladas foram negociadas com a China, mas, no acumulado, as compras chinesas de soja norte-americana estão 5,6 milhões de toneladas abaixo desse mesmo período do ano passado.

Quanto ao farelo de soja, as preocupações com a oferta da Argentina até a colheita da próxima safra, por volta de março de 2024, continuam. Com a quebra de safra em torno de 60% no ciclo 2022/23, considera-se que o país deve ficar praticamente sem soja para dar continuidade ao processamento. Os volumes mensais já estavam mais baixos, situação que tende a ser agravada antes da entrada da safra nova.
Nessa semana que começa, o clima no Brasil deve continuar no centro das atenções. Além disso, será divulgado o relatório da Conab, na quinta-feira (dia 07), e o do USDA na sexta (dia 08). Os dados da Conab são aguardados quanto a possíveis ajustes de safra aqui no Brasil. Já para o USDA, também poderão ocorrer revisões para a safra brasileira, enquanto para a produção norte-americana, possíveis novas revisões só deverão aparecer na divulgação de janeiro.





