- Produção mundial 2023/24 estimada acima do consumo, segundo o USDA;
- Registro de chuvas mais abundantes nas áreas de soja do Brasil e boas expectativas para próximas semanas;
- Apesar de alguns danos serem irreversíveis, caso bons volumes de chuva sejam confirmados, áreas plantadas mais tarde podem apresentar melhora;
- Potencial de safra cheia na Argentina;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Vendas de exportações acumuladas fracas dos EUA.
- Consumo doméstico norte-americano aquecido;
- StoneX corta produção de soja 2023/24, que já não é recorde;
- Cortes da produção estimada por Conab e USDA.
- Situação argentina ainda favorece reter a soja como um seguro;
- Exportações brasileiras acima de 100 milhões de toneladas em 2023.
As cotações da soja em Chicago começaram a semana anterior em alta, mas voltaram a cair, encerrando o período com leves perdas. O vencimento para março fechou a sexta-feira (dia 26) em 1209,25 cents por bushel, queda semanal de 0,3%.
Entre os principais fatores que influenciaram esse movimento, destacam-se o andamento e as previsões climáticas para a safra da América do Sul, as perspectivas para a safra nova dos EUA e preocupações pelo lado da demanda.
A colheita da safra brasileira continua avançando, tendo alcançado 9,3% do total na última sexta-feira 9 (dia 26), de acordo com o acompanhamento da StoneX, percentual acima do ano passado, uma vez que o clima seco e quente acelerou o ciclo da oleaginosa em algumas regiões. Destaca-se que nesse começo de safra, os resultados do campo têm mostrado produtividades mais baixas, o que já era esperado, já que as lavouras plantadas logo após o final do vazio sanitário sofreram com longos períodos de estiagem e temperaturas elevadas. Contudo, a expectativa é de que os rendimentos aumentem com o avanço da colheita.
Na Argentina, as condições das lavouras de soja estão muito favoráveis, de acordo com a Bolsa de Buenos Aires, com 92% da safra classificadas em normal/excelentes e com uma condição hídrica adequada/ótima em 90% da área do país. Com isso, a instituição revisou sua área plantada de soja no ciclo 2023/24, chegando a 17,3 milhões de hectares, com a produção estimada em 52,5 milhões de toneladas. As previsões climáticas apontando um padrão mais seco nos próximos 15 dias para o país foram um dos fatores de suporte para as cotações da oleaginosa no início da semana anterior. Contudo, por enquanto, o cenário é muito positivo para a safra argentina.
Outro fator que também deu suporte momentâneo aos preços foi a discussão quanto à área da próxima safra norte-americana, que será plantada a partir de abril. Diante do balanço mais apertado nos EUA e do diferencial entre os preços da soja e do milho, as perspectivas vinham sendo de aumento da área da oleaginosa. Entretanto, essas perspectivas estão atualmente menos otimistas quanto ao tamanho do crescimento da área, em comparação ao que se especulava alguns meses atrás. Em fevereiro, o USDA realiza o Fórum Agrícola, muito aguardado pelos números para a safra nova dos EUA, e, no final de março, são divulgados os resultados das intenções de plantio, dando uma ideia melhor do quanto a área de soja irá crescer.


Pelo lado da demanda, destaca-se que os prêmios no Brasil continuam com descontos significativos em comparação ao Golfo nos EUA para a soja destinada à China. As inspeções de exportação dos EUA na semana encerrada em 18/01 ficaram em 1,16 milhão de toneladas, volume mais baixo que no ano passado. No acumulado, as inspeções estão em 26,8 milhões de toneladas, contra 34,3 milhões no comparativo anual.
As vendas de exportação do país atingiram 560,9 mil toneladas na mesma semana, abaixo do piso das estimativas, que iam de 700 mil a 1,4 milhão de toneladas. No acumulado, foram negociadas quase 38 milhões de toneladas, abaixo do ano passado, quando estava em 46,5 milhões. Apesar de o USDA estimar exportações norte-americanas menores no ciclo 2023/24, com a entrada da safra brasileira, que já está bastante competitiva, aumentam as preocupações quanto aos volumes que os EUA conseguirão embarcar.
Ademais, as margens de esmagamento e da indústria de suínos chinesas estão predominantemente no campo negativo, o que traz dúvidas sobre qual será o tamanho das importações do país, lembrando que a China aproveitou a safra recorde brasileira 2022/23 para recompor seus estoques. O país reportou que seu rebanho de suínos no final de 2023 era 4,1% menor que um ano antes. O número de matrizes recuou 5,7%. Além do mais, as perspectivas indicam um crescimento econômico mais lento para o país em comparação aos anos anteriores.

Quanto à demanda interna de soja nos EUA, as perspectivas continuam mais favoráveis, com margens de esmagamento positivas, mas em queda. Destacam-se que os RINs D4, que incluem o diesel renovável, segmento que tem puxado a demanda doméstica norte-americana de soja, vêm apresentando tendência de queda.
Nesta semana, a StoneX Brasil vai atualizar seus números para a safra 2023/24 na quinta-feira (dia 01/02). No campo macroeconômico, serão realizadas as reuniões de política monetária do Brasil e dos EUA, com expectativas de nova queda da Selic por aqui. Destacam-se, também, os dados de emprego dos EUA, que sempre são acompanhados pela sua relevância para as decisões do Fed.





