- Produção mundial 2023/24 estimada acima do consumo, segundo o USDA;
- Registro de chuvas mais abundantes nas áreas de soja do Brasil e boas expectativas para próximas semanas;
- USDA corta safra do Brasil em apenas 1 milhão de toneladas;
- Safra ainda deve ser favorável na Argentina;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Vendas de exportações fracas dos EUA.
- StoneX corta novamente a produção de soja 2023/24;
- Cortes da produção estimada por Conab e USDA.
- Clima quente e seco piora condições de safra na Argentina;
- Situação argentina ainda favorece reter a soja como um seguro.
As cotações da soja em Chicago terminaram a semana perto da estabilidade, com o vencimento para março encerrando a sexta-feira (dia 09) em 1183,5 cents/bushel, queda semanal de 0,4%.
Houve ganhos em algumas sessões, principalmente mais no começo da semana, mas na sexta-feira (dia 09), a tendência de queda predominou, devolvendo os ganhos anteriores. Após o clima mais quente e seco registrado na Argentina, principalmente mais ao norte do país, as preocupações com possíveis impactos negativos arrefeceram, com previsões de chuvas mais abundantes e regulares nos próximos dias. Assim, não houve mudança do cenário de oferta e demanda mundial da oleaginosa, com a produção estimada significativamente acima do consumo.
Em relação às questões climáticas na Argentina, houve piora das condições hídricas e gerais das lavouras na semana encerrada em 07/02, de acordo com a Bolsa de Buenos Aires. O percentual de plantas classificadas em bom/excelente caiu de 36% para 31%, enquanto 47% das lavouras estão em condições regulares e 22% na classificação ruim/muito ruim (antes 14% estavam em condições piores). Já a condição hídrica indica que 60% dos solos estão classificados em ótimo ou adequado, contra 77% uma semana antes.
Mesmo com essas pioras das condições, que devem trazer algum impacto adversos sobre parte das lavouras, no geral, as perspectivas de produção no país se mantêm positivas. Apesar de ainda continuar quente, as previsões para as próximas semanas voltaram a indicar mais chuvas, com precipitações registradas, inclusive, neste último final de semana.


No Brasil, a colheita está em andamento, enquanto o mercado monitora qual será o tamanho das perdas na safra de soja. Há estimativas bastante variadas, com o último número da StoneX ficando em 150,4 milhões de toneladas. A Conab divulgou seu levantamento na última quinta-feira (dia 08) e trouxe novos cortes na produção estimada para o ciclo 23/24, devido ao clima que afetou a produtividade em várias regiões, com a produção nacional ficando em 149,4 milhões de toneladas.
Destaca-se, também, a divulgação do relatório de oferta e demanda do USDA, que era muito aguardado em relação ao número de produção do Brasil. O Departamento cortou a safra brasileira em apenas 1 milhão de toneladas, para 156 milhões, o que representa um número bem acima de outros no mercado. Ademais, houve uma revisão da safra 22/23 do Brasil, o USDA aumentando a produção de 160 para 162 milhões de toneladas.
Para a Argentina, o USDA não trouxe mudanças, com a produção 23/24 estimada em 50 milhões de toneladas.
Com isso o balanço mundial da oleaginosa mudou pouco, continuando mais folgado, com a produção estimada cerca de 15 milhões de toneladas acima do consumo.
Pelo lado da demanda, vale destacar que o USDA reduziu a estimativa para as exportações norte-americanas 23/24, de 47,76 para 46,81 milhões de toneladas, uma vez que o ritmo semanal de vendas tem se mostrado mais fraco, com a soja brasileira estando mais competitiva que a dos EUA.
Na semana encerrada em 01/02, as vendas norte-americanas de exportação alcançaram 340,8 mil toneladas, novamente abaixo do piso das estimativas, que iam de 400 mil a 1 milhão de toneladas. No acumulado, forma negociadas 38,5 milhões de toneladas, contra 47,5 milhões no mesmo período do ano passado, sendo que a China é a grande responsável por essa diferença, tendo comprado 8,3 milhões de toneladas a menos que um ano atrás.

Na sexta-feira (dia 09), o mercado ainda absorvia a “decepção” com o número do USDA para o Brasil, que ainda estima uma safra de 156 milhões de toneladas, ficando no topo dos números divulgados recentemente. Ademais, a competitividade da soja brasileira continua limitando a busca pela oleaginosa norte-americana, mas o momento continua sendo de preocupações com o lado da demanda, com as compras chinesas no centro das atenções.
Nesta semana que começa, o clima na América do Sul e o ritmo de vendas de exportação dos EUA devem continuar sendo acompanhados. Além da melhora nas previsões para a Argentina, as próximas semanas também indicam um padrão favorável de precipitações no Brasil, que devem beneficiar as regiões que ainda precisam de chuvas.





