- Produção mundial 2023/24 estimada acima do consumo, segundo o USDA;
- Melhora da produtividade com o avanço da colheita no Brasil;
- Safra deve ser favorável na Argentina, mesmo com clima adverso recentemente;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Vendas de exportações fracas dos EUA;
- Fórum Agrícola traz crescimento de área para o EUA.
- Bolsa de Rosário reduz estimativa para a safra argentina em função de clima adverso na segunda metade de janeiro e começo de março;
- Situação argentina ainda favorece reter a soja como um seguro.
Mesmo com resultados positivos no começo da última semana, os futuros da soja finalizaram o período, mais uma vez, no campo negativo. O contrato com vencimento em março encerrou a semana cotado a 1.133 cents por bushel, queda de 3,3% em relação ao fechamento da sexta-feira anterior (16/fev).
Apesar das incertezas sobre a safra sul-americana ainda presentes no mercado, a tendência baixista segue predominando e, de um modo geral, as recentes condições climáticas trouxeram certo alívio para a produção no continente, especialmente a produção brasileira. Por mais que novos cortes possam ocorrer, a China continua sinalizando uma fraca demanda, o que tem contribuído para a limitação dos preços da oleaginosa. As margens do mercado de suínos no gigante asiático permanecem negativas, o que contribui para as incertezas em relação à demanda do país por farelo de soja e, consequentemente, pelo grão.


Inspeções de exportação dos EUA: O Relatório de Inpeções de Exportação do USDA indicou que os embarques de soja dos EUA na semana encerrada em 15 de fevereiro totalizaram 1,19 milhão de toneladas, volume 11,6% menor que uma semana antes (1,34 milhão) e 25% abaixo do registrado na semana equivalente de 2023 (1,58 milhão). Com isso, as exportações acumuladas na temporada 23/24 chegaram a 31,97 milhões de toneladas, 9,42 milhões a menos que no mesmo período de 22/23.
Vendas de exportação dos EUA: Ao contrário do Relatório de Inspeções de Exportações, que ainda trouxe um volume considerável de embarques, o Relatório de Vendas de Exportação do USDA trouxe volumes decepcionantes. O Departamento informou que os EUA registraram apenas 55,9 mil toneladas de vendas líquidas na semana encerrada no último dia 15, contra 414,1 mil na semana anterior e 419,7 mil na semana equivalente de 2023. O número fico bem abaixo do limite inferior das estimativas do mercado, que já não eram altas e variavam entre 300 mil e 800 mil toneladas. No acumulado, as vendas da safra 23/24 totalizaram 38,9 milhões de toneladas, contra 48,4 milhões no mesmo período de 22/23.

Safra argentina: Na Argentina, a Bolsa de Rosário reduziu sua estimativa para a safra 23/24 de soja para 49,5 milhões de toneladas, 2,5 milhões a menos que o estimado anteriormente. O corte foi motivado pelo padrão quente e seco registrado no país entre meados de janeiro e as primeiras semanas de fevereiro. Por outro lado, na última semana, a Bolsa de Buenos Aires informou que, em função das recentes chuvas, as lavouras de soja no país apresentaram uma melhora em suas condições. De acordo com a BCBA, 31% da área nacional de soja se encontrava em condição boa ou excelente no final da última semana, em linha com o registrado na semana anterior, mas 29 p.p. acima do registrado um ano antes. Já as lavouras em condição ruim/péssima representam atualmente 17% do total, 2 p.p. a menos que na semana anterior e 41 p.p. abaixo do observado no mesmo período de 2023. Com isso, apesar das adversidades climáticas registradas recentemente, as perspectivas continuam positivas para a safra argentina, com a Bolsa de Buenos Aires tendo uma perspectiva mais otimista que a de Rosário, estimando a produção 23/24 de nossos vizinhos em 52,5 milhões de toneladas.
Safra brasileira: A produção da safra 23/24 do Brasil segue no centro das atenções e deverá continuar ao menos até que a colheita esteja mais próxima da sua finalização. Nas últimas duas semanas, bons volumes de precipitação foram registrados na maior parte da região produtora de soja do Brasil, trazendo perspectivas mais otimistas, especialmente para as lavouras plantadas mais tarde. Em relação ao progresso da safra, segundo acompanhamento da StoneX, a colheita da oleaginosa alcançou 41,6% no final da última semana, cerca de 10 p.p. a mais que o registrado no mesmo período do ano passado. Os modelos climáticos apontam um padrão mais seco nos próximos dias, o que pode contribuir para o avanço dos trabalhos de campo.
Nessa semana que começa, destaque para a divulgação dos novos números da StoneX para a safra brasileira de grãos na próxima sexta-feira (1º/mar).





