- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 acima consumo, segundo o USDA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Melhora das condições de safra na Argentina;
- China aumenta tarifas retaliatórias contra os EUA.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Estimativa de queda de área na safra 25/26 dos EUA;
- Perda de potencial da safra argentina;
- Possível aumento do mandato de biodiesel e diesel renovável nos EUA;
- Possível relaxamento/adiamento da taxação de navios chineses nos portos dos EUA.
Após serem muito pressionadas com o anúncio das tarifas amplas pelos EUA e a retaliação chinesa, as cotações da soja registaram recuperação na semana passado em Chicago, com o vencimento para maio encerrando a sexta-feira (dia 11) em 1042,75 cents por bushel, alta de 6,7% no período.
O “tarifaço” dos EUA trouxe muita aversão ao risco aos mercados de commodities e, no caso da soja, a retaliação chinesa foi mais um fator de pressão, uma vez que a China é o maior importador de soja e compra a maioria da oleaginosa do Brasil e dos EUA. Além disso, em entre 2018 e 2019, no primeiro mandato Trump, a soja na CBOT foi muito pressionada, após a taxação chinesa e a queda das exportações norte-americanas.
Contudo, na metade da semana passada, Trump anunciou que adiaria a imposição de tarifas para os países que não retaliaram, o que aliviou o humor dos mercados, com a soja e outros ativos mais arriscados mostrando uma recuperação. Mesmo assim, no caso da China, como o país retaliou, as tarifas permanecem vigentes e foram aumentadas, com a retaliação chinesa também indicando taxas mais altas, o que traz preocupação para o mercado de soja, uma vez que o produto norte-americana perde totalmente a competitividade.


Nesse contexto, as exportações brasileiras de soja tendem a ser reforçadas, como já há rumores de compras de soja muito aquecidas pela China na última semana. Mas é preciso lembrar que o contexto é diferente do observado na guerra comercial sino-americana ocorrida em 2018 e 2019. A China tem reduzido participação da soja norte-americana em suas importações e concentrando mais as compras no Brasil. De qualquer forma, desde 2017, as exportações brasileiras de soja aumentaram em mais de 30 milhões de toneladas, enquanto as importações chinesas cresceram cerca de 10 milhões de toneladas, com o Brasil conseguindo fornecer maiores quantidades de soja para a Cina e o mundo em geral. Além disso, uma maior demanda chinesa pela soja brasileira tende a deslocar outros compradores para os EUA, não havendo uma queda geral das importações chinesas de soja, como ocorrido entre 2018 e 20119, por causa do surto de peste suína africana, que dizimou 40% do rebanho do país. É preciso destacar que os preços da soja em Chicago tendem a ser pressionados para baixo num contexto de guerra comercial entre China e EUA, tornando o produto mais competitivo para outros destinos. Já no Brasil, os prêmios tendem a subir, reagindo a uma demanda maior da China.
Apesar da dominância das notícias relacionadas à guerra comercial, cabe destacar também outros fatores. O USDA divulgou seu relatório mensal de oferta e demanda. Pelo lado da oferta, não houve maiores novidades, com as estimativas de produção para Brasil e Argentina no ciclo 24/25 sendo mantidas sem alterações. Quanto à demanda, houve alguns ajustes, mas pequenos. Destaque para o aumento do esmagamento de soja dos EUA em 270 mil toneladas, para um total de 65,86 milhões de toneladas na safra 24/25. O consumo interno nos EUA está no radar, após as conversas entre produtores e biocombustíveis e fósseis nos EUA, com possibilidades de um crescimento significativo dos mandatos de biodiesel e diesel renovável no país, incentivando o esmagamento, já que o óleo de soja é uma das principais matérias-primas utilizadas.
Na semana passada, também foi divulgado que os EUA consideram ajustes em seus planos e taxar navios de construção e bandeira chinesas nos portos norte-americanos. Atualmente, navios chineses representam mais de 50% das cargas transportadas mundialmente, com estaleiros dos EUA respondendo por apenas 0,01% da frota global. A intenção seria sobretaxar as embarcações chinesas para incentivar a construção de navios nos EUA, mas os impactos poderiam ser enormes, com vários setores indicando que essas taxas chegariam a impossibilitar o transporte de mercadorias.
As vendas de exportação dos EUA na semana encerrada em 03/04 alcançaram 172,3 mil toneladas, nível em linha com o usual para esse período do ano, com a China respondendo por 141 mil toneladas. Destaca-se que não foram reportados cancelamentos por parte da China desde o acirramento da guerra tarifaria com os EUA. No acumulado, as negociações de soja norte-americana da safra 24/25 estão em 46,3 milhões de toneladas, volume que mantem o ritmo acima do necessário para atingir a estimativa de exportações do USDA para o ciclo 24/25, em 49,67 milhões de toneladas.
Na Argentina, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires reportou que a colheita da soja começou a se acelerar, tendo alcançado 2,6% da área nacional na última quarta-feira (dia 9). Mesmo assim, destaca-se que há atrasos de 8 p.p. em comparação ao mesmo período do ano passado. Por enquanto, a estimativa de produção do país está mantida em 48,6 milhões e toneladas.
Nesta semana, as atenções devem continuar forcadas nas tensões entre EUA e China, além de qualquer medida do governo norte-americano que possa trazer algum reflexo para o mercado de soja, como a questão dos navios chineses. Por aqui, as negociações da soja brasileira estarão ainda mais no centro das atenções nesse momento de tensões comerciais e de exportações fortes do Brasil.





