- Fatores baixistas
- Produção mundial 24/25 acima consumo, segundo o USDA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Melhora das condições de safra na Argentina;
- China aumenta tarifas retaliatórias contra os EUA.
- Fatores altistas
- Novas medidas de incentivo adotadas pelo governo chinês;
- Estimativa de queda de área na safra 25/26 dos EUA;
- Perda de potencial da safra argentina;
- Possível aumento do mandato de biodiesel e diesel renovável nos EUA;
- Possível relaxamento/adiamento da taxação de navios chineses nos portos dos EUA.
As cotações da soja em Chicago oscilaram em torno da estabilidade nesta semana mais curta, com o vencimento para maior terminando a quinta-feira (dia 17) em 1036,5 cents por bushel, leve baixa de 0,6% no período.
O mercado continua acompanhando a questão tarifária dos EUA e possíveis retaliações, mas não houve maiores novidades para a soja, além de novos aumentos dos percentuais que devem ser aplicados. Independente de qual o tamanho da tarifa chinesa incidente sobre a soja norte-americana, a compra do produto dos EUA fica praticamente inviável. É preciso lembrar que atualmente há uma grande disponibilidade de soja no Brasil, com o mercado já sinalizando um reforço das compras por parte da China. Além disso, eventuais compras de soja dos EUA pelos chineses podem ser feitas pela empresa estatal Sino Grain, com os custos mais elevados de uma tarifa não sendo repassados para o mercado consumidor da China.
No Brasil, os prêmios nos portos estão mais fortalecidos que no mesmo período o ano passado, com a guerra tarifaria entre EUA e China sendo um dos fatores que ajudam a explicar esse comportamento. No começo de abril, quando Trump anunciou as tarifas “recíprocas” e a China retaliou, o prêmio mais próximo chegou a ultrapassar o patamar de USD 1,00 por bushel.


Outro fator que está no radar é a política de bicombustíveis dos EUA, mantendo os preços da soja e principalmente do óleo de soja sustentados, após as conversas entre produtores de fósseis e biocombustíveis, que poderiam levar a EPA (Agência de Proteção Ambiental, na sigla em inglês) a elevar consideravelmente o mandato de biodiesel e diesel renovável. Contudo, até o momento ainda não foi anunciada uma decisão, mas há rumores de que na próxima semana haverá novidades. Nesse contexto, a Associação Nacional de Processadores de Oleaginosas dos EUA (NOPA, na sigla em inglês) indicou que foram esmagadas 5,29 milhões de toneladas de soja em março, abaixo da média das expectativas do mercado, que era de 5,38 milhões de toneladas. Em fevereiro, o esmagamento também tinha ficado mais fraco. Além dessa incerteza em relação aos biocombustíveis, as margens de esmagamento estão mais fracas. Os estoques de óleo caíram, também com a indefinição acerca dos biocombustíveis no país, incentivando um direcionamento do óleo para exportações.
Quanto às exportações de soja, as vendas da safra norte-americana 24/25 na semana encerrada em 10/04 alcançaram 554,8 mil toneladas, levando o acumulado para 46,8 milhões de toneladas, ritmo mais que suficiente para atingir a estimativa de exportações dos USDA, de 49,67 milhões de toneladas. Por mais que a questão das tarifas da China preocupe, esse momento não é de vendas fortes dos EUA para o país asiático, com o maior problema devendo ocorrer no último trimestre do ano, quando há uma grande concentração das exportações dos EUA.
Ainda nos EUA, destaca-se que o plantio da safra de soja 25/26 começou, com o USDA tendo reportado que 2% da área nacional de soja estava semeada no domingo (dia 13), em linha com a média de cinco anos.
No Brasil, a colheita da soja está sendo finalizada, tendo alcançado 95,1% na média nacional, segundo a StoneX. Já as exportações da oleaginosa no acumulado de abril até o dia 11 superaram 7 milhões de toneladas, indicando a manutenção de embarques muito aquecidos, após o recorde para o mês de março.
Na Argentina, a Bolsa de Buenos Aires indicou que 4,9% das lavouras de soja já foram colhidas, o que representa um atraso de quase 9 p.p. em comparação ao mesmo período do ano passado. Por enquanto, a estimativa de produção de soja do país, em 48,6 milhões de toneladas, está mantida.
Na próxima semana, a situação das tarifas deve continuar no radar, assim como a procura pela soja brasileira e as exportações.
*Devido aos feriados de 18/04 e 21/04, o semanal de soja teve sua publicação adiantada. A partir do dia 28/04, a divulgação volta a ocorrer às segundas-feiras.





