- Fatores baixistas
- Produção mundial 25/26 ainda superando o consumo, segundo o USDA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Bons resultados da colheita na Argentina, com revisão da safra para cima;
- Plantio acelerado nos EUA;
- Focos de gripe aviária no Brasil.
- Fatores altistas
- Estimativa de queda de área na safra 25/26 dos EUA;
- Possível aumento do mandato de biodiesel e diesel renovável nos EUA;
- Possível relaxamento/adiamento da taxação de navios chineses nos portos dos EUA;
- Recuo nas tarifas cobradas entre EUA e China;
- Chuvas excessivas na Argentina.
Na semana passada, as cotações da soja em Chicago registraram ganhos, com atuação dos fundos do lado da compra, acompanhando as questões climáticas e sobre biocombustíveis nos EUA. No pregão de sexta-feira (dia 23), houve realização de lucros, mas a alta semanal ainda foi de 1%, com o vencimento para julho encerrando em 1060,25 cents/bushel.
No EUA, as discussões sobre a prorrogação do prazo de validade dos créditos 45Z, que passaria de dezembro de 2027 para dezembro de 2031, continuou em pauta. com expectativa de que a proposta seja votada até o final do mês. Além da continuidade do crédito por galão produzido de biocombustíveis no país, a expectativa é de que o uso de matérias-primas locais seja beneficiado, enquanto as matérias-primas importadas não seriam contempladas pelo crédito. Anteriormente, matérias-primas importadas, com menores níveis de emissões de gases do efeito estuda, como sebo bovino e óleo de cozinha usado (UCO), tinham o benefício, recebendo um crédito maior que o óleo de soja, por exemplo. Dessa forma, um “bloqueio” das matérias-primas importadas tenderia a beneficiar o uso do óleo de soja, com essas perspectivas sendo acompanhadas pelo mercado do grão, lembrando que os EUA investiram bastante no segmento de diesel renovável recentemente, demandando um aumento da capacidade de esmagamento de soja no país.
Por outro lado, ainda é aguardada a definição dos mandatos de biocombustíveis para os anos de 2026 e 2027 (RVOs), com rumores de que as metas enviadas pela Agência de Proteção Ambiental (EPA) para aprovação estariam abaixo das expectativas anteriores.


Em relação ao clima, a principal fator que influenciou o mercado e deu suporte aos preços da soja foi a ocorrência de chuvas excessivas em parte da Argentina, com o registro de inundações. O evento climático trouxe especulações quanto a possíveis perdas de safra, destacando que a região mais atingida foi o noroeste de Buenos Aires, levando a uma desaceleração da colheita na área, que está mais atrasada que no mesmo período do ano passado. Rumores apontam que as perdas poderiam ficar entre 500 mil e 2 milhões de toneladas, mas a Bolsa de Buenos Aires destacou que possíveis prejuízos ainda serão avaliados, mantendo sua estimativa para a produção de soja 24/25 do país em 50 milhões de toneladas. A colheita nacional alcançou 74,3% do total, com um avanço semanal de 9,4 p.p.
Destaca-se que, mesmo se uma perda de 2 milhões de toneladas se confirmar, o resultado da safra Argentina ainda seria favorável, não alterando o equilíbrio global entre oferta e demanda de soja, que ainda se mantém mais folgado. Desde o início da colheita, os rendimentos têm se mantidos bastante favoráveis, o que motivou revisões positivas na expectativa de safra, após as perdas estimadas devido ao clima mais seco no começo do ano.
Quanto ao consumo interno de soja na Argentina, o esmagamento em abril cresceu em comparação ao divulgado em março, apesara de ter ficado abaixo do mesmo mês de 2024. Mesmo assim, no acumulado desde janeiro, o esmagamento de soja na Argentina está quase um milhão de toneladas acima do ano passado, atingindo 12,2 milhões de toneladas.
No Brasil, a Abiove também divulgou dados de esmagamento, referente a março, quando foram processadas 4,67 milhões de toneladas da oleaginosa, aumento de 29,7% em comparação a março, mas uma queda de 6,8% frente ao mesmo mês de 2024. Nos três primeiros meses de 2025, foram esmagadas 11,65 milhões de toneladas, aumento de 1,3% frente ao ano anterior.
Já as exportações brasileiras até a sexta-feira (dia 16) alcançaram 7,8 milhões de toneladas, com o total e maio devendo ficar ao redor de 15 milhões, como tem sido registrado nos meses recentes. Cabe destacar que a soja brasileira continua mais competitiva que a norte-americana, o que é usual para esse período do ano, independentemente de questões tarifárias. Com isso, as compras chinesas de soja dos EUA se mantêm baixas, com o último dado de vendas semanais de exportações do país ficando em 307,9 mil toneladas, sem participação chinesa, com outros destinos sustentando as compras de soja norte-americana. No acumulado as vendas de exportação dos EUA mantêm um ritmo mais que suficiente para atingir a estimativa de exportações do USDA para o ciclo 24/25, em 50,35 milhões de toneladas.
Nos EUA, o clima também está no centro das atenções, com a ocorrência de chuvas benéficas no Meio Oeste do país. Com isso, há expectativas que os dados de condições de lavouras, que começarão a ser divulgados em breve, sejam bastante favoráveis. O plantio continua acelerado, tendo alcançado 66% do total no dia 18/05, segundo o USDA, acimado do ano passado, em 50%, e da média de cinco anos, em 53%.
Nesta semana, as atenções devem continuar voltadas ao andamento da safra norte-americana e a possíveis atualizações quanto às medidas do setor de biocombustíveis no país. No Brasil, a demanda está no radar, com as exportações aquecidas e a ocorrência de focos de gripe aviária, que podem impactar o consumo de ração.
O Ministério da Agricultura reportou à OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal) que a política de erradicação foi concluída na granja comercial em Montenegro, na região de Porto Alegro, não sendo identificados novos focos da doença durante a investigação. Outras 12 investigações de suspeita de gripe aviária seguem em andamento, segundo atualização do Ministério na manhã deste segunda-feira (dia 26), 6 a menos que o divulgado no final da tarde de domingo.





