- Fatores baixistas
- Produção mundial 25/26 ainda superando o consumo, segundo o USDA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Bolsa de Buenos Aires revisa estimativa de safra argentina para cima;
- Plantio acelerado nos EUA;
- Focos de gripe aviária no Brasil.
- Fatores altistas
- Estimativa de queda de área na safra 25/26 dos EUA;
- EPA anuncia aumento do mandato de biodiesel e diesel renovável nos EUA;
- Possível relaxamento/adiamento da taxação de navios chineses nos portos dos EUA;
- Avanço nas negociações entre China e EUA;
Na semana passada, as cotações da soja em Chicago operaram em torno da estabilidade na maior parte das sessões, com alguma tendência de queda, mas a divulgação dos mandados de biocombustíveis nos EUA deu suporte na sexta-feira (dia 13) e condicionou ganhos no período. O vencimento para julho encerrou a semana em 1069,75 cents por bushel, alta de 1,2% em sete dias.
O mercado iniciou a segunda semana de junho com maior otimismo, em meio às negociações comerciais entre China e EUA. Contudo, não houve maiores novidades em relação ao agro, não havendo maiores impactos nas cotações da soja. O acordo discutido foi mais geral, envolvendo, por exemplo, a questão das terras raras.
A expectativa era grande quanto à divulgação dos mantados (Renewable Volume Obligations - RVOs) para os anos de 2026 e 2027, para a utilização e comercialização de combustíveis renováveis nos EUA e, na sexta-feira (dia 13), a Agência de Proteção Ambiental do país (EPA) trouxe atualizações. As metas propostas para os RINs D4, referentes ao biodiesel e ao diesel renovável (HVO), vieram acima das expectativas do mercado, totalizando o equivalente a 5,61 bilhões de galões, alta de 67,4% em relação à meta de 2025 e também acima dos 5,25 bilhões de galões esperados pelo mercado.
Destaque para a mudança nas regras de geração de RINs para biocombustíveis importados ou produzidos com insumos originados em outros países. A proposta indicou que esses combustíveis devem gerar apenas 50% do número de RINs normalmente atribuídos à mesma categoria. Na prática, isso significa que, se um galão de HVO produzido nos EUA gera 1,6 RINs, um galão importado ou feito com matéria-prima de fora passará a gerar apenas 0,8 RINs. Essa medida vai beneficiar as matérias-primas nacionais, como o óleo de soja. Outras matérias-primas vinham ganhado espaço sobre o óleo de soja, com destaque para a participação das importadas. Com essa medida, o óleo de soja tende a recuperar uma maior fatia do mercado. Para saber mais detalhes, acesse a matéria especial completa sobre o assunto.
Essa novidade ofereceu suporte importante aos preços do óleo de soja e da soja na bolsa. De qualquer forma, é preciso acompanhar os desdobramentos dessa medida, que ainda é uma proposta e pode sofrer alterações. Além disso, por mais que um mantado maior, aliado à penalização de matérias-primas importadas seja um incentivo para um esmagamento de soja forte nos EUA, é preciso acompanhar também as exportações para saber se o balanço de oferta e demanda do país ficará mais apertado.


Em relação às exportações, as vendas dos EUA na semana encerrada em 05/06 ficaram em 61,4 mil toneladas, com o acumulado da safra 24/25 subindo para 48,7 milhões de toneladas, lembrando que a estimativa de exportação dos USDA está em 50,35 milhões. Com o ano safra finalizando em agosto, as chances de cancelamentos devem estar no radar, pois são uma ocorrência frequente.
Já no Brasil, as exportações na primeira semana de junho alcançaram pouco mais de 3 milhões de toneladas, levando o acumulado desde janeiro para 54,6 milhões de toneladas. Atualmente, os prêmios nos portos brasileiros têm ganhado força, mas a soja do Brasil ainda se mantém um pouco mais competitiva que a dos EUA para a Ásia. Com a safra recorde colhida esse ano, os embarques devem continuar registrando bons volumes nos próximos meses, com as exportações em 2025 também devendo alcançar um recorde.
A Conab divulgou seu levantamento de safra na última quinta-feira (dia 12) e elevou a produção brasileira de soja 24/25 em mais de 1 milhão de toneladas, alcançando 169,6 milhões, devido a ajustes de produtividade, com a média nacional ficando em 3,56 toneladas por hectares.
Na Argentina, a colheita da safra 24/25 alcançou 93,2% segundo a Bolsa de Buenos Aires, mantendo um leve atraso em relação ao ano passado, de 2,8 p.p., mas com uma produtividade média nacional bastante positiva, que tem superado as estimativas iniciais, mesmo com as questões climáticas enfrentas pelo país, de seca no começo do ano e excesso de chuvas em maio. Diante desse cenário, a instituição trouxe uma pequena revisão positiva em sua estimativa de safra de soja, que passou de 50 para 50,3 milhões de toneladas, refletindo os bons resultados que vêm se mantendo mesmo com a colheita se aproximando do final.
Outro fator que sempre atrai atenção é o relatório mensal do USDA, mas a divulgação de junho foi neutra não trazendo maiores impactos sobre o mercado, uma vez que não houve mudanças importantes. O balanço norte-americano ficou estável e os números de produção 24/25 de Brasil e Argentina foram mantidos em 169 e 49 milhões de toneladas, respectivamente, abaixo da Conab e da Bolsa de Buenos Aires. Ressalta-se que não é comum o número do USDA ficar abaixo do divulgado pela Conab, o que levanta questionamentos se o Departamento de Agricultura dos EUA pode revisar a safra brasileira no futuro.
Nesta semana, as atenções devem continuar voltadas para possíveis novidades na relação entre EUA e China, além do andamento da safra norte-americana 25/26. O plantio alcançou 90% no domingo (dia 08), mantendo-se acima do ano passado e da média de cinco anos. As condições das lavouras apresentaram pequena melhora, com o percentual bom/excelente subindo para 68%. Alguns estados como Ohio, Illinois e outros estão abaixo da média do percentual bom/excelente, mas acabam sendo compensados por outros com melhor desempenho.




