- Fatores baixistas
- Produção mundial 25/26 ainda superando o consumo, segundo o USDA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Bolsa de Buenos Aires revisa estimativa de safra argentina para cima;
- Plantio acelerado nos EUA;
- Focos de gripe aviária no Brasil.
- Fatores altistas
- Estimativa de queda de área na safra 25/26 dos EUA;
- EPA anuncia aumento do mandato de biodiesel e diesel renovável nos EUA;
- Possível relaxamento/adiamento da taxação de navios chineses nos portos dos EUA;
- Avanço nas negociações entre China e EUA;
- Piora das condições das lavouras nos EUA.
As cotações da soja em Chicago mantiveram-se num patamar um pouco mais elevado na última semana e encerraram o período praticamente estáveis, após ajustes de posições por parte dos fundos na sexta-feira (dia 20), mesmo com o otimismo quanto aos biocombustíveis nos EUA. O vencimento para julho encerrou a sexta-feira, pós feriados no Brasil e nos EUA, em 1068 cents por bushel, pequena queda de 0,2% no período.
As perspectivas de um aumento dos mandatos para biocombustíveis levemente acima do esperado nos EUA, além do favorecimento de matérias-primas domésticas continuou oferecendo suporte aos preços do grão, assim como do óleo de soja. Por outro lado, destaca-se que a proposta enviada pela Agência de Proteção Ambiental (EPA) ainda pode sofrer modificações, com o mercado monitorando possíveis mudanças. Outro ponto de atenção é a prorrogação do crédito fiscal 45Z, também muito aguardada pelo mercado. Foi noticiado que os senadores norte-americanos propuseram uma renovação até 2031, mas com uma redução de 20% no valor do crédito para biocombustíveis produzidos com matérias-primas importadas, e não com a exclusão desses insumos (com exceção dos provenientes do Canadá e do México). Com a opção por uma redução dos créditos para matérias-primas importadas e não uma exclusão, em alguns momentos ainda pode ser vantajoso originar fora do país, o que tenderia a prejudicar a recuperação do uso do óleo de soja local.
Enquanto o óleo de soja tem sido impulsionado pelas perspectivas favoráveis para biocombustíveis, o farelo está mais pressionado. A China anunciou uma redução de 2,5% em seu rebanho de matrizes de suínos, pois o mercado estaria sobre ofertado. Além disso, o governo do país, busca reduzir a participação do farelo de soja nas rações, dada a enorme dependência de soja externa.


O tamanho das importações chinesas de soja é determinante para a demanda global, destacando que o país origina a maior parte da oleaginosa no Brasil, situação que foi reforçada nos últimos anos, em meio às tensões com os EUA. Com a safra 24/25 recorde no Brasil, a China tende a aproveitar para comprar o máximo de soja brasileira, ficando menos dependente dos EUA, quando a safra nova do país entrar no mercado, a partir de setembro. Ademais, tem sempre a preocupação de algum acirramento da guerra tarifária entre os dois países. Até o dia 13/06, as exportações de soja do Brasil atingiram quase 7 milhões de toneladas, levando o acumulado desde janeiro para 58,5 milhões.
Nos EUA, as vendas de exportação na semana encerada em 12/06 alcançaram 539,5 mil toneladas, com o acumulado do ano safra 24/25 subindo para 49,1 milhões de toneladas. Os embarques totais do ciclo estimados pelo USDA estão em 50,35 milhões de toneladas. Como o ano safra se encerra no final de agosto, as atenções para possíveis cancelamentos devem crescer, pois são uma ocorrência relativamente comum nesse período.
Pelo lado da oferta, a safra norte-americana está finalizando o plantio, tendo alcançado 93% do total no domingo, dia 15/06. No período de uma semana, houve uma leve piora das condições das lavouras nos EUA, com o percentual bom/excelente caindo de 68% para 66%, o que também pode ter contribuído para a alta de preços, mas destaca-se que o resultado se mantém acima da média de cinco nos para o período, em 65%. Além disso, o período mais crítico para o desenvolvimento das lavouras é o mês de agosto, quando ocorre a maior parte do enchimento de grãos.
Na Argentina, a colheita da safra 24/25 alcançou 96,5% segundo a Bolsa de Buenos Aires, com uma produtividade média nacional continuando bastante positiva e superando as estimativas iniciais, mesmo com as questões climáticas de seca no começo do ano e excesso de chuvas em maio. Diante desse cenário, a instituição mantém sua estimativa em 50,3 milhões de toneladas.
Nesta semana, além do andamento da safra dos EUA, as questões geopolíticas devem estar no radar, com a escalada do conflito entre Irã e Israel no Oriente médio. Apesar de os dois países não estarem entre os principais produtores e/ou consumidores de soja do mundo, a situação pode ter impactos logísticos, em custos, além do aumento da aversão ao risco.





