- Fatores baixistas
- Produção mundial 25/26 ainda superando o consumo, segundo o USDA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Estimativa de produção recorde para a safra brasileira 24/25;
- Bolsa de Buenos Aires revisa estimativa de safra argentina para cima;
- Plantio acelerado nos EUA;
- Previsões climáticas favoráveis nos EUA.
- Fatores altistas
- Estimativa de queda de área na safra 25/26 dos EUA;
- EPA anuncia aumento do mandato de biodiesel e diesel renovável nos EUA;
- Possível relaxamento/adiamento da taxação de navios chineses nos portos dos EUA;
- Avanço nas negociações entre China e EUA;
- Aumento da mistura de biodiesel no diesel no Brasil.
As cotações da soja recuaram em Chicago na semana passada, diante de boas perspectivas para a safra norte-americana 25/26, além de dúvidas sobre os mandatos de biocombustíveis nos EUA, com ajustes de posições. O vencimento para julho encerrou a sexta-feira (dia 27) em 1027,75 cents por bushel, queda de 3,8% no período.
A safra dos EUA está com o plantio praticamente encerrado tendo alcançado 96% do total no dia 22/06, mesmo percentual do ano passado e próximo da média de cinco anos, em 97%. As condições das lavouras continuaram com a classificação boa/excelente em 66%, com melhoras na região leste do cinturão contrabalançando pioras mais a oeste. De qualquer forma, as perspectivas climáticas para os próximos dias estão favoráveis, indicando a ocorrência de chuvas em regiões que estão mais secas, além de temperaturas mais amenas, o que deve favorecer as condições da safra do país.
Em relação ao programa de biocombustíveis dos EUA, por mais que os mandatos previstos para o próximo ano tenham ficado levemente acima do esperado, dando suporte ao óleo e também à soja nas últimas semanas, o projeto ainda não está finalizado. Pode haver questionamentos e sugestões até se chegar ao texto final e há muitas dúvidas sobre a questão de as matérias-primas importadas gerarem apenas metade dos créditos, como se essa regra seria válida diretamente para óleos e gorduras ou também para grãos importados e processados nos EUA.
Outro ponto de atenção é o diferencial entre os preços do óleo e do farelo de soja. Com o aumento do uso do óleo e consequentemente do esmagamento de soja, cresce também a disponibilidade de farelo de soja. Contudo, a demanda doméstica por farelo não cresce na mesma proporção que a demanda por óleo, o que tende a resultar em preços mais fortalecidos do óleo e enfraquecidos do farelo. Assim, por mais que o preço óleo de soja impacte positivamente a margem de esmagamento, preços mais baixos do farelo atuam na direção oposta, com a necessidade de uma maior parte do derivado proteico ser escoado para o exterior, competindo com outros exportadores, como Argentina e Brasil


Essa preocupação com um aumento da disponibilidade de farelo de soja, com o avanço de programas de biocombustíveis existe não somente nos EUA, mas também aqui no Brasil. Na semana passada foi anunciado o aumento da mistura de biodiesel no diesel aqui no Brasil, que passará de 14% para 15% a parti de agosto. Apesar de esse aumento estar ocorrendo com atraso, a medida tende a favorecer ainda mais o esmagamento de soja, que já vem aquecido, mesmo com a mistura tendo continuado em 14% no começo deste ano. O Brasil já é o segundo maior exportador de farelo de soja, atrás da Argentina, com um aumento do processamento de soja reforçando esse cenário.
Destaca-se que, no geral, grandes importadores preferem originar o grão e processar a oleaginosa internamente, como é o caso da China. Contudo, na semana passada foi anunciada a venda de farelo de soja da Argentina para o país asiático, num volume entre 30 mil e 60 mil toneladas, o que seria a primeira operação do tipo em seis anos. Como a China importa muito pouco farelo anualmente, cerca de 50 mil toneladas, essa compra da Argentina deve ficar no radar. O volume ainda é baixo e poderia ser somente uma nova estratégia chinesa de tentar evitar o máximo possível a soja norte-americana. Entretanto, num contexto de ampla disponibilidade de farelo de soja nos grandes exportadores, eventualmente a China poderia comprar diretamente um pouco mais de farelo de soja.
Na Argentina, a colheita da safra 24/25 alcançou 98,3% do total, segundo a Bolsa de Buenos Aires, com um rendimento médio até o momento de 2,98 toneladas por hectare, 15% acima da média das últimas cinco safras e 4% superior ao registado no ciclo 22/23. Com isso a instituição mantém sua estimativa de safra em 50,3 milhões de toneladas.
No Brasil, as exportações de soja alcançaram 9 milhões de toneladas até o dia 20 de junho, levando o acumulado desde janeiro para 60,6 milhões. O dado para o mês fechado será divulgado na próxima sexta-feira (dia 04).
Nesta semana, a safa dos EUA deve continuar sendo acompanhada, com perspectivas de condições climáticas positivas. No Brasil, a StoneX irá divulgar sua atualização de safra amanhã, dia 01, ainda para o ciclo 24/25. A partir de agosto, a publicação trará números para a safra nova, 25/26.





