- Fatores baixistas
- Produção mundial 25/26 ainda superando o consumo, segundo o USDA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- StoneX estima produção recorde para a safra brasileira 25/26;
- Argentina encerra safra 24/25 acima de 50 milhões de toneladas;
- Boas condições de lavouras nos EUA;
- Tensões entre EUA e China;
- Clima favorável nos EUA.
- Fatores altistas
- Queda de área na safra 25/26 dos EUA;
- EPA anuncia aumento do mandato de biodiesel e diesel renovável nos EUA;
- Aprovação do crédito 45Z nos EUA, que deve favorecer o óleo de soja;
- Possível prorrogação da trégua entre China e EUA;
- Aumento da mistura de biodiesel no diesel no Brasil.
As cotações da soja em Chicago registraram baixa na última semana, encerrando o período abaixo de USD 10,00 por bushel, diante da falta de ameaças pelo lado da oferta e de preocupações com as tensões entre China e EUA. O vencimento para setembro terminou a sexta-feira (dia 01) em 969,5 cents por bushel, queda de 3,2% no período.
O bom andamento da safra dos EUA continua central para os fundamentos do mercado de soja, com as boas condições climáticas alimentando as perspectivas de uma safra cheia no país, garantindo uma boa oferta, mesmo com a queda da área plantada em relação ao ano passado. O percentual bom/excelente da safra 25/26 do país subiu para 70%, avanço de 2 p.p., acima do ano passado, quando estava em 67%, em da média de cinco anos, em 62%. O principal condicionante desse aumento foi a melhora das condições em Illinois, onde o percentual bom/excelente subiu de 60% para 65%, lembrando que o estado é um dos principais produtores de soja do país, geralmente alternando no primeiro lugar com Iowa, onde também houve melhora das condições.
Com a safra de soja norte-americana entrando na fase de enchimento de grãos em boas condições, as chances de uma produtividade acima da tendência aumentam. A correlação entre condições das lavouras e rendimentos ganha relevância a partir do início de agosto. De qualquer forma, o clima continua sendo acompanhado, com as previsões para essa semana indicando um padrão mais seco no centro e no sul do Meio Oeste e na região do Delta. Já a partir do próximo final de semana, boa parte do cinturão de grãos deve receber boas chuvas, enquanto a área de planícies deve permanecer com umidade mais baixa.


No Brasil, as perspectivas para a safra 25/26, que começa e ser plantada em setembro estão favoráveis, situação que alimenta o cenário de oferta elevada. A StoneX divulgou sua primeira estimativa para a safra nova de soja, trazendo a produção em 178,2 milhões de toneladas, crescimento de 5,6% em comparação ao ano anterior.
Esse avanço foi motivado tanto por um aumento da área plantada, quanto da produtividade média nacional. No caso da área de soja no Brasil, espera-se uma variação anual positiva de 2%, enquanto o aumento da produtividade é puxado pela expectativa de recuperação da safra do Rio Grande do Sul. Por outro lado, outros estados estão apostando em um rendimento dentro da tendência histórica, mas abaixo do registrado no ciclo 24/25, pelo menos por enquanto.
Como o Brasil conta com área para expansão agrícola, a cultura da soja continua avançando ano a ano, sem necessariamente competir com outras lavouras. O cenário de oferta e demanda e os preços impactam na decisão do produtor e no aumento da área, mas a tendência de crescimento se mantém.
Pelo lado da demanda, o mercado acompanha a imposição de tarifas pelos EUA e as tensões com a China. Os dois países estão num período de trégua, mas um acordo definitivo ainda não foi alcançado e as tarifas podem voltar a partir de 12 de agosto, apesar da expectativa de prorrogação da trégua por mais 90 dias.
Esse cenário traz sempre a preocupação quanto à redução de compras de soja norte-americana pela China, principalmente diante da grande oferta brasileira, que tem o potencial de continuar aumentando. Por mais que os fluxos da oleaginosa tendam a ser redirecionados, caso a China compre ainda mais soja do Brasil, com outros destinos passando a originar mais nos EUA, dada a relevância do maior importador do mudo, sempre há apreensão.
Outro ponto que está no radar é a política de biocombustíveis nos EUA. Mesmo com o aumento dos mandatos no próximo ano e a possível penalização de matérias-primas importadas, o crescimento da demanda de óleo de soja para a produção de diesel renovável e biodiesel poderia gerar um aumento da necessidade de importações de óleos vegetais para uso alimentício.
No Brasil, as exportações de soja atingiram 10,4 milhões de toneladas até o dia 25/07, com o acumulado desde o começo do ano em 75,4 milhões. Os números totais do mês de julho serão divulgados na quarta-feira (dia 06).
Nesta semana, o andamento da safra dos EUA deve continuar sendo acompanhado, assim como as questões tarifárias do país com seus parceiros comerciais.





