- Safra russa de trigo se mantém forte;
- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Fortalecimento do dólar estadunidense.
- Condições climáticas adversas nos principais países exportadores;
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Embora em patamares historicamente baixos, preços do trigo russo continuam subindo.
Chicago apresentou o maior ganho semanal para o trigo desde o início da guerra na Ucrânia, uma valorização de 9,63%. Na sexta-feira anterior (19/04) a cotação estava no patamar de 550,25 cents/bu e avançou para 603,25 cents/bu no último fechamento semanal. A apreciação foi impulsionada, sobretudo, por preocupações relacionadas às condições climáticas das regiões produtoras.
O saldo líquido das exportações de trigo nos Estados Unidos foi registrado no patamar de 82,03 mil toneladas, para a semana que vai até o dia 18 de abril. Os números demonstram uma tímida retomada nos contratos estadunidenses, após baixas observadas na semana anterior. Acesse o resumo das exportações semanais de grãos dos EUA clicando aqui.
Dentre os fatores que sustentaram as fortes valorizações nos preços futuros do trigo durante a semana estão as preocupações com a oferta do cereal, devido à seca nas planícies produtoras nos EUA e na região do Mar Negro. Além disso, pressões altistas na demanda no mercado internacional, motivadas por uma possível retomada de importações indianas. Por fim, ataques russos à portos ucranianos na região do Mar Negro, que afetaram a infraestrutura de escoamento de grãos do país europeu.
O mercado internacional acompanha com atenção as condições climáticas entre os grandes produtores mundiais de trigo: EUA, Rússia e Ucrânia. Nos Estados Unidos, o tempo seco ameaça as produções do trigo vermelho de inverno nos estados de Oklahoma e Kansas. As considerações a respeito da meteorologia da Rússia e Ucrânia devem ser melhor exploradas na sessão do Mar Negro.
Em meio a níveis historicamente baixos nos estoques de trigo indianos e perspectivas de uma produção reduzida para a safra 2024/2025, surgem rumores de uma retomada das importações pelo país asiático, o que não ocorria desde 2017.
Durante a semana, houve registros de ataques russos nas proximidades de Odessa, atingindo estruturas de armazenamento de grãos e atuando como ameaça ao escoamento da safra na região.
Segundo dados divulgados pela Secretaria de Agricultura dos EUA (USDA), cerca de 50% da safra de trigo de inverno apresenta condições boas a excelentes, contrastando com o índice da semana anterior, que apontava 56%, e contrariando as estimativas de analistas, que esperavam condições melhores em 4 p.p. do que as apresentadas.


Os fatores altistas observados nos mercados internacionais se refletiram também na Europa, porém, a valorização foi menor ao observado nos EUA, já que a variação semanal foi de quase 3%, sendo o preço de fechamento na sexta-feira de 212 euros/tonelada.
No que tange a produção local, a Comissão Europeia atualizou na quinta-feira passada as estimativas de trigo para a safra 2024/25, estimando o valor mais baixo dos últimos quatro anos, dada a menor área esperada. Assim, a oferta da União Europeia seria de 102,2 milhões de toneladas, abaixo dos 120,8 milhões de toneladas projetados no mês anterior.
A causa da diminuição na área plantada esperada responde aos mesmos motivos observados em 2020, onde intensas chuvas entre o outono e inverno do hemisfério norte afetaram o andamento do plantio, fazendo com que os agricultores perdessem a janela ótima e obrigando-os a optar por outras culturas.

A semana, que foi de forte rali para os preços internacionais de trigo, foi intensamente influenciada por aspectos relacionados aos fundamentos vindos da região do Mar Negro. A forte alta registrada no começo da semana esteve relacionada sobretudo a uma atenção dos agentes quanto às condições climáticas na região, que é a principal produtora de trigo do mundo. Os volumes de precipitação observados no mês de abril vieram significativamente abaixo da média histórica para as regiões do sul da Rússia e do leste da Ucrânia. O regime climático adverso tem deixado os agentes mais cautelosos quanto à disponibilidade do cereal por parte da Rússia, fazendo com que haja um aumento da cobertura das posições vendidas dos agentes que operam o mercado futuro de trigo. Vale sempre lembrar que a região do Mar Negro é de onde vem a maior parte do consumo global de trigo. Além disso, nesta safra, os volumes do cereal produzidos fora da região são um dos menores em comparação à história recente, fazendo com que o mercado preste particular atenção para o desenvolvimento das lavouras no leste europeu, uma vez que qualquer problema, relacionado tanto à produção quanto à capacidade de escoamento, pode impactar de maneira relevante os preços do mundo.
No mapa abaixo, podemos ver a anomalia de precipitação dos últimos 30 dias em comparação à média histórica. Conforme destacado pelo círculo tracejado, o leste ucraniano e o sul da Rússia vieram registrado pouca chuva, conforme comentado.
(%) de chuvas frente à média histórica, últimos 30 dias

Fonte: NOAA. Elaboração: StoneX. (acessado em: Mapas Interativos de Clima)
Olhando para o clima geopolítico, o que veio dominando o noticiário foi o pacote de ajuda aprovado no congresso dos EUA que deve destinar US$ 61 bilhões para a Ucrânia. O fato vem em um momento em que o conflito tem se acirrado no front de batalha. Nos últimos dias, a Rússia vem registrando avanços importantes na região do Donbass, o que vem fazendo com que o governo ucraniano busque maneiras de reverter o cenário. Dessa forma, o pacote de ajuda e as novas regras de alistamento, reduzindo a idade de alistamento obrigatório, vêm no sentido de tentar frear novos avanços.






