- Menor prêmio de risco climático para a produção de EUA e Rússia;
- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Condições climáticas adversas nos principais países exportadores;
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Embora em patamares historicamente baixos, preços do trigo russo continuam subindo;
- Dólar volta a se enfraquecer na semana.
Balanço semanal aponta apreciação de 2,34% para os preços futuros do trigo em Chicago. Após fechamento no patamar de 603,25 cents/bu na sexta-feira anterior (26/04), as elevações persistiram, alcançando 622,5 cents/bu na última semana. A valorização permanece sob influência das preocupações relacionadas às condições climáticas das regiões produtoras.
Na semana encerrada no dia 03 de maio, constatou-se um caráter misto nos preços futuros do trigo. Foram observadas oscilações devido a um clima mais árido nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos e Mar Negro. Após as máximas alcançadas na semana anterior, os futuros do Trigo iniciaram a última semana em queda, depois de previsões de chuva na Rússia, o que, no momento, acalmou os ânimos do mercado. Os preços seguiram oscilantes no decorrer dos dias: em alta, frente à indícios de condições mais áridas; em baixa, com chuvas muito necessárias atingindo as principais áreas de cultivo de trigo das planícies dos EUA. Ainda assim, prevaleceu um acréscimo aos preços.
Além disso, fatores geopolíticos e econômicos também impactaram os preços do cereal. A possibilidade de um cessar-fogo em Gaza reduziu os preços do petróleo e incentivou forte concorrência no mercado internacional, de tal modo que os preços do produto estadunidense foram pressionados a uma redução, para que se tornassem mais competitivos no comércio global. Por outro lado, o enfraquecimento do dólar, após decisão do Federal Reserve (Fed) de manter inalteradas as taxas de juros, abre espaço para uma valorização nos preços da commodity.
A Secretaria de Agricultura dos EUA (USDA) divulgou dados que apontam 49% da safra de trigo de inverno em condições boas a excelentes no país. Os números indicam redução de 1 p.p. em relação aos indicativos da semana anterior.
O saldo líquido das vendas de exportações para a safra atual de trigo nos Estados Unidos fechou no nível de -20,29 mil toneladas, para a semana que se encerrou no dia 25 de abril. Os números indicam uma nova baixa nos contratos estadunidenses, após cancelamentos na reta final da safra 2023/24. Acesse o resumo das exportações semanais de grãos dos EUA clicando aqui.


Depois das altas consideráveis vistas na Bolsa de Chicago na semana anterior, foi a vez da Bolsa de Paris ver um salto semanal de 11% nas cotações do trigo. Após o fechamento de 212 euros/tonelada na sexta-feira (dia 26/04), a primeira semana de maio (dia 03/05) fechou com os contratos futuros cotados a 235,25 euros/tonelada.
Entre as razões da alta, principalmente no final do pregão do último dia de negociações, pesou nos sentimentos as condições climáticas no hemisfério norte. Na França, as recentes tempestades e as chuvas previstas para as próximas duas semanas correm o risco de deteriorar ainda mais o potencial de rendimento. Até o momento, as avaliações de instituições francesas mantiveram suas estimativas do trigo considerado bom ou excelente em 63%, em comparação com 93% no mesmo período do ano passado.
Na metade da semana, a Comissão Europeia atualizou a estimativa para a produção de cereais na região, indicando que a produção de trigo para 2023/24 da União Europeia é considerada estável (situando-se em 125,6 milhões de toneladas). Já para 2024/25, a área de trigo é projetada para ser menor do que no passado, ficando 4,5% abaixo em comparação com a média de cinco anos, devido às difíceis condições de semeadura de outono em grandes áreas do oeste, norte e leste da UE.

A região do Mar Negro continuou fazendo preço nos mercados internacionais de trigo. Na semana passada, o fato que continuou prendendo a atenção do mercado foi o regime climático na região sul da Rússia. A situação de estresse hídrico nessa região, que concentra cerca de 45% da produção de trigo de inverno do país, serviu, na semana anterior, como importante suporte para os preços internacionais. Um clima que afeta a produtividade russa pode ter particular influência sobre os preços do trigo, uma vez que a produção do país, nesta safra, representa a maior participação na oferta global dos últimos anos. Assim, o mercado se torna mais vulnerável a flutuações de preço e fundamentos do trigo russo.
Avançando para a semana encerrada no último dia 03/04, o mercado esteve mais confortável com as condições climáticas da região. Apesar do clima árido ter persistido, as perspectivas apontam para chuvas nos próximos dias. De qualquer forma, apesar de serem esperadas novas chuvas na região, ainda assim a umidade para os próximos dias deve estar aquém do necessário para entregar perspectivas muito melhores para a produtividade. Ainda assim, o mercado estará atento ao desenvolvimento da safra.
Sem maiores novidades, cabe citar também que acontecerá, nesta quinta-feira (09/05), as comemorações do Dia da Vitória, tanto por parte da Rússia quanto da Ucrânia, o que pode resultar em alguma demonstração de força pelos países envolvidos na guerra que já dura mais de dois anos. Esse fato deverá estar no mapa geopolítico de quem acompanha de perto a situação no Mar Negro.






