- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Melhores condições climáticas nos EUA.
- Condições climáticas adversas no Mar Negro;
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Preços do trigo russo continuam em alta.
O preço futuro do trigo encerrou a última sexta-feira (10 de maio) no patamar de 663,5 cents/bu em Chicago, com uma valorização semanal de 2,75. A variação dos preços ocorre diante de novas reviravoltas climáticas e um aquecimento na demanda mundial.
Em relação ao clima, destaca-se como fator redutivo nos preços uma atualização positiva para as condições de safra nos Estados Unidos, no entanto, a ocorrência de geadas nas principais regiões produtoras de trigo na Rússia atuou como elemento altista. Além disso, novas atualizações na demanda mundial também contribuíram para uma valorização nos preços.
Segundo dados divulgados pela Secretaria de Agricultura dos EUA (USDA), cerca de 50% da safra de trigo de inverno apresenta condições boas a excelentes, mantendo-se no patamar da semana anterior, o maior para este período desde 2020.
Paralelamente, a demanda mundial por trigo apresentou incentivos durante a semana, com Egito, Jordânia e Japão anunciando novos concursos de compras para o cereal. No caso egípcio, a Rússia se destacou com a oferta de menor preço.
Para a semana que se encerrou no dia 2 de maio, o saldo líquido de exportações dos Estados Unidos para a safra atual foi calculado no patamar de 41,07 mil toneladas. Ao mesmo tempo, as negociações da safra seguinte atingiram 405,96 mil toneladas. Os números refletem um aquecimento da demanda, com novos contratos surgindo em diferentes países. Acesse o resumo das exportações semanais de grãos dos EUA clicando aqui.
Estimativa | Brasil
A StoneX atualizou na sexta-feira (10 de maio) sua estimativa para a safra de trigo 2024/25 do Brasil. No momento, as atenções estão voltadas para o Rio Grande do Sul (RS), maior produtor nacional de trigo, após o alto volume de chuvas ter causado inundações e destruição por quase todo o estado, com inúmeras perdas materiais e humanas.
Apesar de cedo para calcular todos os prejuízos, estima-se uma redução de 200 mil hectares de área plantada, que implicaria em uma perda aproximada de 600 mil toneladas de trigo na produção do estado. Em relação à produção, a queda projetada é de 6,8%, passando de 9,22 para 8,59 milhões de toneladas. Ademais, as chuvas causaram enormes estragos nas estruturas logísticas em cidades gaúchas. Diversas estradas e pontes foram afetadas, dificultando o acesso aos portos tanto para escoamento dos produtos, como para acesso a insumos.
Diante dessa conjuntura, as expectativas sobre possíveis importações do cereal foram elevadas, uma vez que, em um cenário que já se encontrava ajustado e sem perspectivas de maiores excedentes para exportações, agora se espera uma maior necessidade de comprar mais trigo do exterior, com a estimativa de importação passando de 5,71 para 6,25 milhões de toneladas. As áreas alagadas serão monitoradas de perto nas próximas semanas, uma vez que a janela ideal de plantio no Sul se inicia no mês de junho. Clique aqui para ter acesso ao relatório completo.


Fechando a segunda semana consecutiva de alta, o preço do trigo na Bolsa de Paris fechou em 249,25 euros/tonelada, o que indica um crescimento de 6%. Além do principal fator de alta, que foram as subidas nos preços da principal região competidora, o Mar Negro, também teve influência nos resultados, uma menor pressão competitiva nos portos, o que abriu espaço para o excedente europeu ganhar espaço.
Na atualização do balanço de oferta e demanda (WASDE) do USDA, foi indicada uma perspectiva baixista para a produção europeia. Após um balanço de 134,15 milhões de toneladas para a safra 2023/24, foi indicado que no próximo ciclo produtivo, 2024/25, se esperariam somente 132 milhões de toneladas, majoritariamente pela perda da janela ideal de plantio, causada pelo excesso de chuvas, o que levaria alguns produtores a optarem por outras culturas.
Sendo assim, os estoques finais diminuiriam, indo de 16,69 para 14,44 milhões de toneladas. Já a relação estoque/uso, passaria de 11,35% em 2023/24, para 9,94% em 2024/25, o que indica uma redução de 12,4% de uma safra para a outra. Porém, apesar disso, as importações diminuiriam de 13,50 para 11 milhões de toneladas, dado que os estoques iniciais, que aumentariam de 16,04 para 16,69 milhões de toneladas, compensariam essa necessidade. De qualquer forma, como as plantações ainda não se iniciaram em alguns países do bloco por excesso de umidade no solo, os valores poderiam ser corrigidos nas próximas semanas conforme o andamento do plantio.

Em uma semana pouco movimentada em vista do feriado do Dia da Vitória na última quinta-feira, os fatos que continuaram fazendo preço no mercado de trigo vindo do leste europeu foram os mesmos que vinham sendo acompanhados nas últimas semanas. O principal fator de observação foram os problemas climáticos que vêm sendo registrados com um regime mais árido tomando espaço na região sul da Rússia, onde é plantado cerca de 45% da produção de trigo do país. Ainda do lado do clima, outro fator que se somou à relativa seca foi o regime de menores temperaturas em algumas regiões produtoras da Rússia, criando uma perspectiva de que a produtividade do país pode ser afetada também por uma geada. O fato ajudou a dar suporte aos preços de exportação do país, que operaram boa parte da semana a US$230/ton, favorecendo os preços internacionais. Na sua última atualização das perspectivas de oferta do país, o USDA não revisou a produção, que se manteve em 91,5 milhões de toneladas. No entanto, outras estimativas já apontam para uma produção abaixo das 90 milhões de toneladas na safra 2023/24. O mercado deverá seguindo atento para eventuais revisões.
No front geopolítico, a guerra continua, com as tropas russas intensificando a penetração no território ucraniano, com avanços na região nordeste da Ucrânia. O país invadido continua focando sua ação ofensiva no ataque de infraestrutura dentro de território russo, com registro de ataques de drones ucranianos em uma refinaria a cerca de mil e quinhentos quilômetros da fronteira, o ataque mais distante registrado até agora. O foco deverá ser a forma como a Ucrânia aproveitará as novas rodadas de ajuda militar que vem recebendo nas últimas semanas por países ocidentais, bem como os impactos que isso deve ter no conflito e na capacidade exportadora do país.






