- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Melhores condições climáticas nas regiões produtoras;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Condições climáticas adversas no Mar Negro;
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
A semana foi de recuperação nos preços futuros do trigo na Chicago Board of Trade (CBOT), após quatro semanas consecutivas de perdas. O acumulado semanal registrou valorização de 2,14% nas cotações, com o fechamento na sexta-feira (dia 28) no patamar de 573,50 cents/bushel. O aumento dos preços pode ter sido influenciado, principalmente, pela onda de calor que atinge importantes regiões produtoras dos Estados Unidos, que contribuíram para uma queda nas classificações das condições de safra do trigo de primavera.
A semana iniciou com previsões de altas temperaturas em grande parte do Meio Oeste dos EUA, que colocaram em risco os cultivos de trigo de primavera, recém semeados. Em decorrência desta conjuntura, as lavouras de trigo de primavera classificadas em condições boas ou excelentes foram reduzidas em 5% de uma semana para a outra, contabilizando 71% na semana passada. Paralelamente, a colheita do trigo vermelho de inverno tem avançado em linha com a média dos últimos anos.
Por outro lado, as Exportações Semanais de trigo dos EUA têm se mantido aquecidas nas últimas semanas. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou um saldo líquido de 667,17 mil toneladas para a safra atual (2024/25), na sua atualização mais recente. Para se ter uma ideia, a média de embarques dos últimos 3 anos está em 320,52 mil toneladas para o mesmo período, indicando que o montante expressivo é um bom indicativo para o fluxo de negócios atual. Clique aqui para conferir o relatório completo de Exportações Semanais. Os números decorrem de um ritmo acelerado de concursos de compras ultimamente, vindos de uma série de países como Argélia, Jordânia, Coreia do Sul e Japão, por exemplo.


A semana foi marcada por um acumulado semanal próximo da estabilidade nos preços futuros do trigo na Bolsa de Paris. A oscilação ao longo da semana demonstrou uma recuperação, a partir da quarta-feira (dia 26), na tendência baixista dos preços futuros do trigo, que levou ao fechamento apenas 0,50 cents/bushel inferior ao da semana anterior. Os números repercutem o momento de colheita atual, bem como considerações acerca da produtividade para a região.
Segundo relatório divulgado pela agência de agricultura da União Europeia, os excessos de chuva em algumas regiões do continente – países do Benelux, Alemanha, Itália e França – afetaram o desenvolvimento da safra e ocasionaram atrasos no plantio de verão, que podem se retrasar em até dois meses. No outro extremo, o clima seco e a escassez de umidade limitaram a produtividade das culturas de inverno em países mais ao leste, como Hungria e Romênia. Ademais, será necessário o acompanhamento contínuo das condições climáticas para se verificar as expectativas de rendimento, considerando que já houve uma revisão para baixo nas estimativas de safra do continente para o mês de junho.

Os fundamentos do Mar Negro na semana passada foram mais uma vez positivos para a oferta local, servindo como fator de pressão nos futuros do trigo. Após as consecutivas altas ao longo do mês de maio causadas pelas secas e geadas na Rússia, fizeram com que o pessimismo com a oferta desse importante exportador gerasse bons suportes aos preços. O que vemos agora, com o início da colheita em algumas regiões, é que os impactos negativos das condições climáticas sobre a safra podem ter sido superestimados pelo mercado.
Embora os dados de colheita ainda sejam muito incipientes, o cenário que parece estar se desenhando é de uma produção acima das 80 milhões de toneladas nesta safra para a Rússia. O fato ancora os preços do trigo FOB do país abaixo dos US$ 230/ton, diminuindo as preocupações com relação a uma restrição de exportações do governo russo, que, temendo uma escalada inflacionária pela elevação dos preços dos alimentos, poderia interromper, em algum grau, o fluxo exportador de trigo para controlar os preços no mercado doméstico. No entanto, o mercado deverá seguir atento a movimentos nesse sentido, uma vez que na semana passada uma importante consultoria do Mar Negro não descartou essas possibilidades.
Em um panorama geral, embora a produção russa deva ser distante das 93 milhões de toneladas esperadas há alguns meses, ficando mais perto das 80 milhões, pode-se dizer que as perdas causadas pelo clima foram, em certa medida, compensadas por uma expectativa de importação menor por importantes players do mercado de trigo, como Turquia e Paquistão, bem como uma expectativa de oferta maior em outras regiões, como nas Américas. Dessa forma, os fundamentos retornaram aos patamares mais baixos que vinham sendo observados antes dos problemas climáticos na Rússia.






