- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Melhores condições climáticas nas regiões produtoras;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Condições climáticas adversas no Mar Negro;
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
A semana foi marcada por desvalorização considerável nos preços futuros do trigo, na Chicago Board of Trade. O fechamento da última sexta-feira (dia 12) foi registrado no patamar de 550,75 cents/bushel, após recuo de 6,73% nas cotações do cereal, no comparativo semanal. As novas previsões climáticas, favoráveis aos cultivos, e perspectivas de maior oferta do trigo estadunidense contribuíram para o declínio nos preços futuros.
De acordo com meteorologistas, o furacão Beryl, que se aproximou dos Estados Unidos há alguns dias, levou mais umidade ao cinturão de culturas agrícolas, amenizando a onda de calor que o país vem enfrentando. No entanto, o mês de agosto é colocado como decisivo para a produtividade do trigo, assim, à medida que nos aproximamos do seu início, as previsões tendem a ser mais negociadas.
Por outro lado, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) publicou na sexta-feira (dia 12) seu relatório World Agricultural Supply and Demand Estimates (WASDE), que trouxe expectativas de um trigo mais abundante para o cenário estadunidense. O documento apontou uma maior oferta, uso doméstico, exportações e estoques finais para a safra 2024/25, com isso, espera-se uma queda no preço médio das negociações no período. Com relação às perspectivas globais, destaca-se um aumento próximo de 1,9 milhões de toneladas para o consumo, enquanto, para os estoques, as estimativas sugerem acréscimo em torno de 5 milhões de toneladas, motivado, principalmente, por melhoras nos panoramas dos EUA, China, Argentina, Paquistão e Canadá.
Com relação ao saldo líquido de exportações dos Estados Unidos, os maiores embarques registrados nas últimas semanas se devem à incerteza da cobrança de impostos para exportações. Caso a taxação se constatasse, haveria redução nas margens dos produtores, o que, consequentemente, acabou motivando maior avidez pelo escoamento trigueiro.


Os preços futuros do trigo na União Europeia seguiram a tendência de queda observada nos Estados Unidos. No acumulado semanal, a variação foi de 3,83% para baixo, em relação ao fechamento da sexta-feira anterior (dia 05). O movimento baixista é influenciado pela temporada de colheita da safra de inverno do trigo, em andamento no hemisfério norte, que gera maior disponibilidade do produto no mercado.
Paralelamente, as condições do trigo de primavera continuam sendo monitoradas, com os cultivos da França tendo sido classificados em 58% como bons ou excelentes, 2% a menos que na métrica anterior. Por outro lado, o ministro de agricultura do país levantou a possibilidade de se observarem perdas próximas dos 15% para a principal safra de trigo francesa, motivadas pelas chuvas excessivas registradas em algumas regiões recentemente.

Com as colheitas de inverno continuando na Rússia e na Ucrânia, o que vem sendo observado, conforme já comentado no Relatório Semanal de Trigo da semana passada é uma produtividade satisfatória nas áreas já colhidas. Com a ocorrência de um clima mais seco em alguns períodos da safra, além de geadas em algumas regiões da Rússia, especulou-se, em alguns momentos, a possibilidade de oferta russa ficar abaixo das 80 milhões de toneladas, o que seria um cenário substancialmente altista para o balanço global do cereal. No entanto, as estimativas mais recentes convergem para a banda entre 80 e 85 milhões de toneladas colhidas, entregando mais conforto para os balanços e enfraquecendo alguns suportes aos preços.
Com isso, o que vem tomando a atenção do mercado são as condições climáticas atuais da região, que podem acabar penalizando as safras de primavera dos países, fato que também já vinha sendo tratado no último Resumo Semanal de Trigo. Um regime ligeiramente mais seco e temperaturas elevadas passaram a ser fator de atenção podendo penalizar a produtividade das lavouras dos países. No entanto, pela safra de primavera representar uma parcela menor do total produzido anualmente pela Rússia e Ucrânia, os efeitos sobre o mercado de trigo devem ser menores do que o que foi observado com os problemas climáticos do primeiro semestre do ano. Além disso, a expectativa é de que as temperaturas diminuam ao longo dos próximos dias nas regiões produtoras.
A semana, no geral, foi menos agitada no mercado de trigo para Rússia e Ucrânia. Fato reforçado pelas novas estimativas do USDA que mantiveram os números para a Ucrânia e fizeram ligeiros ajustes para o consumo doméstico e para as exportações da Rússia. Além disso, os preços FOB de exportação russos se mantiveram praticamente inalterados no comparativo semanal, limitando os efeitos da conjuntura regional no mercado global de trigo.






