- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Melhores condições climáticas nas regiões produtoras;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Condições climáticas adversas no Mar Negro;
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- França e Alemanha apresentam recuo de produção devido às adversidades climáticas.
Os preços futuros do trigo apresentaram oscilações contundentes ao longo da semana, no entanto o fechamento da sexta-feira (dia 16) no patamar de US$ 530/bu, representou um recuo de 2,3% em relação à semana anterior. A publicação do relatório WASDE, na segunda-feira (dia 12), forneceu as principais perspectivas para os próximos meses sobre o mercado de trigo. Posto isso, alguns desdobramentos relacionados à produção e à capacidade logística de distribuição do trigo globalmente surtiram efeitos sobre a dinâmica dos preços no decorrer dos últimos dias.
O relatório World Agricultural Supply and Demand Estimates (WASDE), divulgado mensalmente pelo departamento de agricultura dos Estados Unidos, traz estimativas abrangentes acerca de oferta e demanda para as principais culturas e pecuária, foi publicado na última segunda-feira (dia 12). No que diz respeito às perspectivas para a safra 2024/25 de trigo, foi apontado um aumento de 2,09 milhões de toneladas para a produção mundial, que deve atingir o patamar recorde de 798,28 milhões de toneladas. Paralelamente, espera-se também um aumento também para o consumo, de 0,5% no comparativo mensal, o que acaba contribuindo para a redução esperada nos estoques finais globais. Você pode acessar um relatório compilado com as principais informação reportadas no WASDE para o mercado de grãos, clicando aqui.
Apesar do panorama positivo para a produção mundial, indicado acima pelo WASDE, houve registros de cortes nas estimativas para importantes países produtores. Na União Europeia, França e Alemanha devem apresentar queda na produção diante das condições climáticas desfavoráveis aos cultivos, conforme deve ser melhor explorado abaixo.


Na União Europeia, os preços futuros do trigo permaneceram estáveis na semana que se passou. A Bolsa de Paris registrou fechamento de 217 cents/bushel na última sexta-feira (dia 09), mesmo valor observado no fechamento de sete dias atrás. No entanto, apesar da tranquilidade demonstrada pelo mercado, a previsão é de que a União Europeia registre os menores rendimentos desde a safra 2018, segundo consultorias locais e instituições governamentais.
Os principais produtores, França e Alemanha, apresentaram fortes reduções na produtividade, o que deve afetar o montante produzido pela União Europeia. As perdas são desdobramento das chuvas persistentes para a região, que afetaram os plantios em períodos decisivos como no desenvolvimento das plantas e na colheita. Na França, por exemplo, o governo reduziu sua estimativa em 3,3 milhões de toneladas, que agora se encontra em 26,3 milhões de toneladas.
A redução nos números da União Europeia tem dado certo suporte aos preços internacionais do trigo, ainda assim, as perspectivas de colheita recorde nos Estados Unidos têm limitado os ganhos do cereal. Para os próximos dias, os investidores devem acompanhar as transações internacionais, que vão medir o quão aquecido está o mercado no momento.

Na semana que se passou, os conflitos na região do Mar Negro voltaram a repercutir, após novos desdobramentos no fronte de batalha. O inesperado avanço das tropas ucranianas na região de Kursk dentro do território russo, noticiado na semana anterior, melhorou a posição de Kiev em uma eventual mesa de negociações, sendo a primeira invasão do território russo desde a segunda guerra mundial. A investida ucraniana foi uma surpresa para diversos observadores internacionais; ainda assim, uma esperada resposta veio no começo da semana com ataques ao porto de Odessa, localizado no sul da Ucrânia. O mercado de trigo apresentou uma reação positiva nos preços no início da semana em meio ao ataque, que atingiu instalações de grãos, mas, poucas horas depois, os efeitos sobre os preços do cereal já haviam se dissipado, com as notícias de que a infraestrutura dos armazéns não fora afetada.
De um modo geral, o que tem se observado é uma ausência de negociações, mesmo na região do mar negro que possui um trigo competitivo no mercado internacional. Entre os produtores locais, os preços de comercialização algumas vezes não cobrem os custos de produção, trazendo problemas para a lucratividade do negócio e retardando possíveis negociações. Ainda assim, o mercado segue atento à possibilidade de compra de um grande volume de trigo pela GASC, a agência estatal de compras do Egito, que fora anunciada previamente.
Na seara climática, as previsões apontam uma maior concentração de umidade na Região do Vale do Volga, enquanto o tempo seco deve se expandir pelo norte do Cáucaso, Ucrânia, Bielorrússia e sul da Região Central, regiões que concentram parcela das culturas de primavera no Mar Negro. O acompanhamento das condições climáticas é importante devido ao momento de desenvolvimento da safra de primavera, podendo interferir na produtividade e qualidade dos plantios. Por outro lado, avança a colheita do trigo de inverno, que se encontra 56% concluída. O rendimento médio que tem sido observado gira em torno de 3,5 t/ha, 14% menor no comparativo anual. Vale lembrar que a safra de inverno neste ano foi afetada por um regime climático mais seco em meses cruciais para o desenvolvimento das lavouras, conforme foi abordado em uma matéria publicada em maio, que pode ser acessada clicando aqui.






