- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Melhores condições climáticas nas regiões produtoras;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Condições climáticas adversas no Mar Negro;
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- França e Alemanha apresentam recuo de produção devido às adversidades climáticas.
Nos Estados Unidos, as cotações do trigo na Chicago Board of Trade (CBOT) declinaram por mais uma semana seguida. O fechamento da última sexta-feira (dia 23), calculado em 502,25 cents/bushel, representou um recuo de 5,24% nos preços futuros do cereal, em comparação com o valor reportado sete dias atrás. As perspectivas de ampla oferta mundial contribuem para o momento de baixa observado nos preços do trigo, nem mesmo a greve dos ferroviários no Canadá foi capaz de sustentá-los em patamar superior nos últimos dias.
Pode-se dizer que o mercado do trigo enfrenta uma baixa sazonal, devido ao andamento da colheita em importantes países produtores do hemisfério norte, o que inclui os Estados Unidos. Por essa lógica, a disponibilidade de trigo supera a sua demanda, gerando um excedente no mercado e fazendo com que os preços operem sem muitas forças altistas. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que a colheita do trigo de inverno encontra-se 96% concluída no território nacional. Ao mesmo tempo, o trigo de primavera apresenta 73% das lavouras em condições classificadas como boas ou excelentes, nível muito superior ao verificado no ano passado, calculado em 38%.
No Canadá, funcionários das duas principais ferrovias do país, Canadian National Railway (CN) e Canadian Pacific Kansas City (CPKC), paralisaram suas atividades na quarta-feira (dia 22) e só retornaram ao trabalho após a ordem do governo do país. A greve poderia ter prejudicado os embarques de trigo do Canadá e Estados Unidos, mas na realidade não houve grandes impactos, o que explica os preços em declínio mesmo diante deste fato. A demanda, por sua vez, não parece impulsionada pelos baixos preços. Inclusive, notícias com origem da China afirmam que haverá uma desaceleração no ritmo de grandes importações cujo destino seria o país asiático, motivada por um aumento da produção local e, consequentemente, uma redução na demanda.


No mercado europeu, os preços futuros do trigo seguiram a tendência observada em outras praças, recuando 5,47% no comparativo semanal. Após o desempenho negativo, a Bolsa de Paris verificou um fechamento no patamar de 194,50 cents/bushel na última sexta-feira (dia 26).
Apesar das baixas, alguns fundamentos do mercado apresentam comportamento altista no cenário da União Europeia. Recentemente, fortes rumores acerca de uma redução na safra francesa e alemã, os maiores produtores de trigo do bloco econômico, passaram a circular. A motivação por trás de tais noticiários está relacionada ao mau tempo e excesso de chuvas durante momento crucial para as atividades no campo. Os números oficiais apontam para um corte de 15% no montante de trigo que deve ser colhido na Alemanha, projeto agora para cerca de 18 milhões de toneladas. No entanto, mesmo os números recentes para a União Europeia indicando uma queda na contribuição local à oferta mundial, não houve reflexos altistas sobre os preços internacionais do trigo, pelo contrário.

No Mar Negro, mais uma semana de baixa nos preços futuros do trigo. A semana foi de tranquilidade na região do Mar Negro, não havendo registros de grandes acontecimentos que interferissem na dinâmica dos preços internacionais do trigo, mas com a oferta de safra exercendo mais pressão de baixa, mesmo em meio a rumores de redução nas estimativas de produção para a Rússia no decorrer da semana.
Na terça-feira (dia 26), o Ministério da Agricultura da Rússia apontou uma possível redução na colheita da safra de trigo do país, como um reconhecimento inicial dos impactos infligidos às plantações pelo mau tempo no início deste ano, conforme mais bem explorado na matéria especial Secas no Mar Negro | Impactos sobre o mercado de trigo. Porém, ainda não foram feitas revisões oficiais nas estimativas, com os números permanecendo em 86 milhões de toneladas de trigo.
Do lado da demanda, mesmo os preços historicamente baixos parecem não surtir grandes efeitos para impulsionar novas negociações de trigo internacionalmente. Além disso, observou-se também um movimento de desvalorização do Rublo russo, que poderia trazer de volta alguma margem para ações comerciais pelos exportadores, mas não é o que se tem verificado. Ainda é esperado que a agência estatal de grãos do Egito (GASC) negocie cerca de 3,8 milhões de toneladas de trigo até o fim do ano, o que traz certo ânimo ao mercado, no entanto, até o momento muito pouco deste montante já foi, de fato, comercializado. Por outro lado, os preços do trigo no mercado interno da Índia vêm acumulando ganhos nos últimos nove meses, o que tem gerado uma certa pressão sobre o governo para que libere o trigo das reservas e que remova o imposto de importação de 40% para permitir as importações no país. O tema deve seguir no radar dos investidores, podendo ser um importante fator de estímulo à demanda e aos preços, caso a Índia realmente vá às compras.
Com relação aos conflitos na região do Mar Negro, a Ucrânia segue com a sua ofensiva sobre o território russo, avançando de forma moderada na região de Kursk. Também houve registros de ataques via drones em cidades por toda a Ucrânia, incluindo a capital, Kiev. As negociações de paz seguem sem grandes avanços.






