- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Melhores condições climáticas nas regiões produtoras;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Condições climáticas adversas no Mar Negro;
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- França e Alemanha apresentam recuo de produção devido às adversidades climáticas.
A trajetória dos preços futuros do trigo na última semana apresentou nova valorização, por mais uma semana consecutiva, distanciando-se das perdas acumuladas nos últimos meses. A Chicago Board of Trade registrou valorização de 4,89% nos preços internacionais para o contrato referente ao mês de dezembro/2024, apresentando fechamento de 594,75 cents/bushel na última sexta-feira (dia 13).
A pressão, que os traders imaginaram ser passageira, acabou se mostrando mais duradoura que o esperado. É possível identificar alguns fatores que têm colaborado para o nível em que o trigo vem sendo comercializado nos Estados Unidos, dentre eles a competitividade do trigo russo no mercado internacional e o crescimento das exportações da Ucrânia.
No entanto, preocupações relacionadas à oferta global do cereal sustentaram as cotações em patamares elevados pela terceira semana seguida, ao contrário do que grande parcela do mercado esperava. Em contraponto, o progresso da safra 2024/25 de trigo nos Estados Unidos apresenta desempenho superior às demais áreas de cultivo do trigo, considerando os recentes cortes nas estimativas de produção para o continente europeu e para a região do Mar Negro. A colheita da safra de inverno se encontra praticamente concluída, enquanto, para a safra de primavera, as condições das lavouras são muito favoráveis, especialmente se comparadas com os dados reportados no mesmo período do último ano.


Assim como nos Estados Unidos, na Bolsa de Paris o valor para negociações do trigo também apresentou valorização na última semana. A alta registrada entre os dias 09 e 13 de setembro foi de 2,86%, com os preços se fixando no patamar de 225 cents/bushel na última sexta-feira.
No início da semana, a ampla oferta do cereal acabou exercendo pressão sobre os valores negociados na Europa, no entanto o movimento não se consolidou. Os preços continuam sendo sustentados por colheitas mais fracas no velho continente, especialmente na França, o maior produtor de trigo da Europa. As estimativas atuais sugerem que o país vá colher seu menor montante dos últimos 40 anos. A partir desse cenário, as exportações de trigo pela União Europeia na safra 2024/25, encontram-se 23% abaixo do total exportado no mesmo período do último ano.

A semana, que começou relativamente tranquila para o mercado trigueiro na região do Mar Negro, encerrou-se com os ânimos aflorados e os preços do cereal em alta. As condições climáticas locais têm voltado ao radar nos últimos dias. O tempo seco e a escassez de chuva atrapalham o plantio de inverno, especialmente na região mais ao sul da Rússia. Existem previsões de chuva, mas não devem ser suficientes para afastar os riscos potenciais envolvidos no processo produtivo.
Nesse contexto, consultorias locais reduziram a previsão para a safra russa de trigo. Anteriormente cotada em 83,8 milhões de toneladas, agora se encontram em 82,2 milhões de toneladas, uma redução de 1,6 milhão de toneladas na oferta de cereal pelo país. As causas por trás do corte estão relacionadas às condições climáticas adversas na região do Rio Volga, dos Montes Urais e na Sibéria. Com isso, a oferta mais apertada e uma provável redução no volume de exportações pelo país acabou elevando os preços nas principais praças em que o cereal é negociado.
Na quinta-feira (dia 12), a Ucrânia acusou a Rússia de ter executado um ataque deliberado de mísseis a um navio civil de grãos. O ataque ocorreu em águas do Mar Negro próximas da Romênia, membro da OTAN, o que acabou fomentando maiores tensões entre o governo russo e a aliança militar. O Kremlin, por sua vez, adotou uma postura silenciosa frente aos fatos e optou por não se pronunciar. O cenário geopolítico deve permanecer sob a observação dos investidores, especialmente diante de ocorrências como esta, que interfiram na logística e escoamento da produção de trigo pelos países da região.






