- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Rumores de queda nos preços de exportação russos.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Postura protecionista da Rússia sobre a comercialização de trigo do país.
A dinâmica dos preços futuros do trigo entre os dias 28 de outubro e 01 de novembro demonstrou um caráter predominantemente estável. Nos Estados Unidos, por exemplo, a bolsa de valores de Chicago (CBOT, para a sigla em inglês), que haviam registrado o fechamento de US$ 5,69/bushel na sexta-feira anterior, 25 de outubro, recuou apenas US$ 0,01/bushel no acumulado da semana seguinte, com a última sexta-feira apresentando fechamento de US$ 5,68/bushel, 0,18% a menos no comparativo semanal.
Os principais fundamentos de mercado que influenciaram o comportamento dos preços nos últimos dias foram as condições climáticas para as regiões produtoras e uma demanda relativamente aquecida, mesmo diante de uma valorização surpreendente da moeda estadunidense.
As condições climáticas atuais, com previsões de precipitações para a semana, favorecem o andamento das atividades de plantio do trigo de inverno. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, para a sigla em inglês) informou que 80% dessa cultura havia sido plantada até a última semana, um avanço de 7% em relação à semana anterior, mas ainda assim, abaixo da média dos últimos cinco anos. Paralelamente, a agência informou que 38% da safra de trigo de inverno encontra-se em condições boas a excelentes, abaixo da média para os últimos anos, calculada em 47%. Todos esses dados podem ser acompanhados no nosso relatório interativo de Acompanhamento de Safra – EUA.
Além disso, o país teve uma queda de 23% nas vendas de exportação semanais em relação aos sete dias anteriores, como consta do último relatório de Exportações Semanais de Grãos – EUA. O número também representa um recuo de 14% em relação à média calculada para esta época do ano pelo USDA.


Na União Europeia, a dinâmica dos preços não é diferente. Na última sexta-feira, 01 de novembro, as cotações do trigo da bolsa de Paris encerraram o dia avaliadas em US$ 216,75 cents/bushel, um avanço de US$ 0,25 cents/bushel em relação ao fechamento de sete dias antes. A variação mínima representa mais uma estabilidade, que evidencia um mercado sem grandes movimentações recentes.
No sentido contrário aos fundamentos do mercado, os fundos especulativos apresentam um movimento de acúmulo no trigo Matif, atuando de modo a manter sua posição líquida vendida em patamares acima do que se poderia esperar, dadas as condições atuais para o mercado. Tendo em vista fatores como a rigidez do balanço francês para o cereal e o ritmo acelerado das exportações russas e ucranianas, poderia se imaginar que os investidores buscariam outros mercados, com melhores resultados para o presente ciclo.

Na região do Mar Negro, os preços demonstraram uma tendência levemente baixista ao longo da última semana, tornando o trigo da região ainda mais competitivo no cenário internacional. No entanto, rumores relacionados a possíveis limitações às exportações russas podem abrir espaços para a comercialização de um volume maior do trigo de outros países nas próximas semanas.
Ainda tratando das exportações, o Egito parece estar encontrando dificuldades em finalizar as importações do trigo com origem da Rússia, cuja negociação teve início no último mês. O planejamento incluía a compra de 430 mil toneladas, que seriam embarcadas no mês de outubro e entregues no início do mês de novembro. No entanto, os navios para o transporte ainda não foram designados e os documentos referentes à negociação ainda não foram totalmente preenchidos. Os motivos para os atrasos nos trâmites não foram revelados pelo país africano.
No campo da oferta, o USDA indicou uma queda as estimativas para a produção ucraniana de trigo no ciclo produtivo de 2024/25, estabelecendo-se em patamar inferior à produção do ano anterior. As exportações do país, no entanto, seguem na direção contrário, com aumento de vendas em 9%, no comparativo anual.






