- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA.
- Rumores de queda nos preços de exportação russos.
- Dólar fortalecido
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Postura protecionista da Rússia sobre a comercialização de trigo do país.
A trajetória dos preços futuros do trigo chama atenção pelo forte declínio na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT, para a sigla em inglês), após semanas consecutivas de marcada estabilidade. Na última sexta-feira, 15 de novembro, o fechamento das cotações para o contrato de dezembro/24 se estabeleceu no patamar de US$ 5,36/bushell, um recuo de 6,29% em relação à sexta-feira anterior, 08 de novembro.
O principal fator que pressionou as cotações do trigo em Chicago fora o fortalecimento do dólar frente às demais moedas ao longo dos últimos dias. A valorização da divisa estadunidense torna as exportações do país menos atrativas no mercado global, gerando pressões negativas sobre os futuros do cereal. Conforme apresentado no Panorama Semanal de Câmbio, que você pode acessar para acompanhar o tema com maiores detalhes, “A vitória expressiva de Donald Trump e maioria republicana no Senado e na Câmara continuam reverberando nos mercados financeiros globais. O dollar index, que pondera o valor da moeda americana frente a uma cesta de divisas de economias avançadas, subiu pela sétima semana consecutiva em função da extensão do chamado “Trump Trade”, isto é, o movimento de ajuste de posições das carteiras de investidores aos possíveis efeitos de medidas do novo governo Trump [...] A extensão do chamado “Trump trade” tem prejudicado em particular o desempenho de commodities em função dos temores de que uma escalada nas “guerras tarifárias” entre os países prejudique o comércio internacional entre economias e reduza o potencial de crescimento econômico global.”
Paralelamente, o trigo de inverno continua a se desenvolver no campo. As atualizações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, para a sigla em inglês) informaram que, até a última semana, 91% do trigo de inverno previsto para ser cultivado no país havia sido plantado, representando um avanço em relação à semana anterior, mas ainda estando em um patamar inferior ao mesmo período do último ano. Para acessar os dados completos, acesse nosso relatório interativo de Acompanhamento de Safra - EUA


O trigo europeu, por sua vez, apresentou um movimento contrário ao observado nos Estados Unidos. Os preços oscilaram consideravelmente ao longo da semana, apresentando movimento baixista entre a quarta e a quinta-feira, mas na sexta, 15 de novembro, a tendência foi revertida, e o cereal apresentou ganhos curtos em relação ao fechamento da sexta-feira anterior, 08 de novembro. No acumulado, os preços futuros do trigo declinaram 0,58%, mantendo seu caráter estável.
Com relação à safra 2024/25 de trigo, o saldo produtivo global aponta para algumas compensações. Como elaborado em edições anteriores, a produção europeia de trigo foi duramente comprometida devido às perdas causadas pelo excesso de chuvas, especialmente na França e na Alemanha, reduzindo fortemente a produção e prejudicando a qualidade do trigo produzido. No entanto, países como a Austrália, Cazaquistão, Estados Unidos, Canadá e Argentina devem apresentar bons ganhos na produção de trigo para este ciclo, de forma que compense as perdas obtidas na União Europeia.

Na região do Mar Negro, a semana foi tranquila, sem grandes eventos que movimentassem a dinâmica dos mercados globais. Os fatos mais marcantes variam entre acordos bilaterais incluindo a Rússia, para o comércio de trigo na região, além de novas atualizações sobre as condições e o progresso da safra de trigo de inverno cultivada na Rússia e na Ucrânia.
No que diz respeito às condições para a comercialização do trigo russo, um novo acordo foi assinado na última semana, dessa vez entre Rússia e Malásia. Segundo a União Russa de Exportadores e Produtores de Grãos, o memorando estabelece uma quota de exportação com origem no país europeu, e destino no país asiático. A medida deve aproximar o comércio entre os dois países, mas pode não ser muito benéfica para outros players do mercado de trigo, como a Austrália, que tem tradição na exportação do cereal para a Malásia.
No campo geopolítico, a vitória de Trump fez se acirrarem as preocupações com as negociações de paz entre Ucrânia e Rússia. O presidente eleito prometeu resolver o conflito militar em 24 horas após a posse, o que na visão de alguns analistas pode a defesa dos EUA na cessão de territórios ucranianos para satisfazer as demandas da Rússia e encerrar a guerra. O fato fez com que o chanceler alemão, Olaf Scholz, ligasse para o presidente russo, Vladimir Putin, na semana passada, apelando o fim da guerra. A resposta veio na manhã desta segunda-feira, quando a Rússia lançou diversos ataques a cidades ucranianas, deixando diversas vítimas, inclusive civis. A Ucrânia é um importante exportador de diversos gêneros agrícolas, incluindo o trigo, e uma escalada nas tensões com a Rússia pode afetar a logística de escoamento da produção de grãos do país, aumentando os prêmios de risco e influenciando os preços internacionais. Por esse motivo a escalada dos eventos no fronte militar deverão estar no radar do mercado conforme se desenvolvem nos próximos dias.






