- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA;
- Elevada competitividade do trigo russo;
- Colheita ampla nos países exportadores do hemisfério sul, Argentina e Austrália.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Preocupações sobre a qualidade do trigo russo;
- Novos impostos sobre as exportações do trigo russo.
Os preços futuros do trigo recuam pela segunda semana consecutiva. Desta vez, o recuo foi de 0,90%, corroborando para o fechamento no patamar de R$5,52 na última sexta-feira, 13 de dezembro. O movimento baixista pôde ser percebido, principalmente, a partir da quinta-feira, 16 de dezembro, quando o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, para a sigla em inglês) divulgou seu relatório semanal de vendas de exportação. Os números acabaram decepcionando os investidores, o que acabou se refletindo nas cotações do contrato futuro de março/2025.
As vendas líquidas semanais de trigo dos Estados Unidos, referentes à semana que decorreu até o dia 05 de dezembro, representaram uma queda de 12% em relação ao montante informado para a semana anterior, e 31% menores relação à média das últimas quatro semanas. As exportações também apresentaram quedas, de 38% em relação à semana anterior e de 33% em relação à média das últimas quatro semanas, após um montante de 198.900 toneladas, como informados pelo departamento.
Outros fatores também exerceram influências sobre os preços futuros do trigo, como uma certa resistência técnica, a continuidade do fortalecimento do dólar e as perspectivas de uma ampla produção mundial, que deve colocar muitos suprimentos no mercado.


Na União Europeia, os preços se mantiveram próximos da estabilidade, mas, ainda assim, o saldo semanal foi positivo para o trigo. O comportamento dos preços se deve, principalmente, aos novos dados que foram divulgados sobre a produção do cereal nos países que pertencem ao bloco econômico.
Dados recentes do USDA indicaram uma redução de 1,3 milhões de toneladas nas estimativas de produção entre os países europeus. Agora, estima-se que eles serão responsáveis por produzir cerca de 121,3 milhões de toneladas, mas a situação ainda deve permanecer sob o monitoramento nas próximas semanas. Os indicativos que a União Europeia produzirá menos trigo neste ciclo contribuíram para a leve elevação que se verificou nos preços do trigo.

Na região do Mar Negro, a atividade comercial adquire um ritmo mais lento que o comum, dando, até certo ponto, mais espaço para a comercialização do trigo em outras praças, devido à elevada competitividade que o trigo de origem russa normalmente exerce no mercado. No entanto, a alta observada ao longo da semana pode ser explicada, em grande parte, pela correlação existente entre o trigo e o milho. Assim, as altas registradas pelo milho na última semana acabaram colaborando para um movimento altista no mercado do trigo também.
Por outro lado, a Rússia reduziu o imposto de exportação do trigo, em um movimento contrário às medidas que vinham sendo tomadas anteriormente. A nova política deve valer para o período entre os dias 18 e 24 de dezembro.
As exportações da Ucrânia caíram significativamente na última semana. No entanto, as exportações realizadas no ano comercial vigente já superam em 46% o número registrado no último ano, totalizando, até o momento, 9,18 milhões de toneladas.






