- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Projeções indicam produtividade elevada nos EUA;
- Elevada competitividade do trigo russo;
- Colheita ampla nos países exportadores do hemisfério sul, Argentina e Austrália.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Novos impostos sobre as exportações do trigo russo.
Em um período com volume de transações ainda reduzido pelas festividades de final do ano, as cotações do trigo na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT, para a sigla em inglês) registraram um recuo considerável entre os dias 30 de dezembro de 2024 e 03 de janeiro de 2025, considerando o feriado no dia 01 de janeiro. No acumulado, os preços futuros declinaram cerca de 3,39% na última semana, se comparados ao fechamento da sexta-feira anterior, 27 de dezembro. Com isso, o bushel de trigo passara a ser negociado no valor de 529,25 cents.
Um dos fatores que movimentou os mercados na última semana foram as vendas líquidas semanais de exportação, informadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, para a sigla em inglês) na última sexta-feira, 03 de janeiro. O volume foi o menor registrado para o ano de comercialização vigente, até o dado momento. No total, foram exportadas140.066 toneladas na semana que se encerrou no dia 26 de dezembro, o equivalente a uma redução de 77% em relação à semana anterior, e de 68% em relação à média das últimas quatro semanas. Você pode conferir todos estes dados para o mercado de grãos acessando o relatório de Exportações Semanais – EUA.
Por outro lado, as condições climáticas inspiram certa preocupação aos produtores do meio-oeste estadunidense, com relação à produtividade das suas lavouras, e aos agentes que operam nesse mercado, sobre a capacidade de abastecimento da demanda global. Atualmente, o trigo de inverno enfrenta seu momento de dormência, e o clima mais seco como se tem verificado pode reduzir os níveis de umidade do solo, fator crucial para a sobrevivência das plantas nessa fase, podendo comprometer a capacidade das plantas de enfrentarem as temperaturas mais baixas até que se inicie a primavera no hemisfério norte.
Ainda, a valorização do dólar, frente à uma cesta de outras importantes moedas pelo mundo, também vêm impactando negativamente as cotações do trigo em Chicago. O dollar index vem acumulando ganhos ao longo das últimas semana, com a principal fonte de volatilidade do mercado atrelada às expectativas sobre o início do ciclo de afrouxamento monetário do Federal Reserve (Fed). Semanalmente, o dollar index obteve ganhos de 0,9%, enquanto, no mês, avançou 2,5% e, no ano, já alcança a valorização de 7,5%.


No Brasil, o fator sazonalidade tem feito com que o mercado opere sem muitas alterações nos últimos dias. No momento, os moinhos estão comprados e este cenário deve se estender até o mês de fevereiro, quando as negociações entre produtores e compradores locais devem reaquecer.
Apesar da baixa movimentação e pouca demanda no mercado interno atualmente, a valorização internacional do dólar e a correlação com os preços do trigo argentino dão margem para uma elevação dos preços do cereal nacional.
Na Argentina, observa-se a expectativa de que as licenças de exportação da Rússia, inseridas recentemente no debate do mercado internacional de trigo, possam dar alguma margem para a valorização do trigo produzido no país sul-americano, considerando a competitividade elevada que o cereal desta origem vem tendo. Assim, um trigo russo mais caro deve permitir uma elevação dos preços também para o trigo argentino, com reflexos também no trigo brasileiro.
Ainda, no país vizinho, a colheita do trigo se encaminha para a conclusão. Espera-se que os trabalhos no campo se encerrem na semana que se inicia, após atingir a marca de 94,7% do trigo argentino colhido na última semana, com avanço 6,2 p.p em sete dias. O clima quente e seco, que tem prejudicado as lavouras de soja e milho, pode ser considerado favorável para o trigo argentino, pois permitiu que os agricultores acelerassem o ritmo da colheita nas últimas semanas.
Preço Cepea - contínuo (R$/tonelada)

Fonte: Cepea. Elaboração: StoneX
Na União Europeia, verificou-se um volume de negociações aquém na última semana, devido aos feriados de fim de ano. A maior parte dos agentes que movimentam o mercado costumeiramente estiveram ausentes nestes últimos dias, não havendo grandes movimentações. Este fator contribuiu fortemente para a estabilidade verificada nos preços futuros do trigo entre os dias 30 de dezembro e 3 de janeiro.
Após fechamento na casa de 232,50 cents/bushel na sexta-feira da semana anterior, dia 27 de dezembro, os futuros do trigo oscilaram levemente e encerraram a última sexta-feira, dia 03 de janeiro, avaliados em 232,75 cents/bushel. A demanda, que segue limitada pelo trigo europeu, também contribuiu para a inatividade do mercado do trigo nos últimos dias.

Na região do Mar Negro, o mercado do trigo também foi marcado pela baixa atividade comercial, que ocasionou uma estabilidade nos preços futuros do cereal. Na Rússia, os feriados ainda se estendem até o dia 08 de janeiro, colaborando para a manutenção deste cenário pacato também para os próximos dias.
Na Ucrânia, ainda que com os mercados funcionando, o comércio se deu em ritmo mais lento que o normal, assim, não houve alterações nos preços para o cereal no país também.






