- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Elevada competitividade do trigo russo;
- Colheita ampla nos países exportadores do hemisfério sul, Argentina e Austrália;
- Estoques globais menos apertados, segundo USDA.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Novos impostos sobre as exportações do trigo russo.
A semana entre os dias 03 e 10 de janeiro foi marcada por uma trajetória próxima da estabilidade, apesar de oscilações contundentes no decorrer dos dias. No acumulado, o trigo se valorizou em 0,52% na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT, para a sigla em inglês), encerrando a última sexta-feira cotado em 530,75 cents/bushel. O principal guia para a dinâmica do mercado trigueiro na última semana foi o Relatório Mensal de Oferta e Demanda (WASDE, para a sigla em inglês) divulgado na última sexta-feira, 10 de janeiro, pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Na véspera da divulgação do relatório, os preços futuros do Trigo em Chicago apresentaram um declínio considerável, com os investidores assumindo suas posições diante das expectativas de redução para os estoques finais domésticos. Antes disso, as cotações se encontravam em patamar elevado, por influência de uma demanda robusta pelas exportações estadunidenses, que deve ser evidenciada na divulgação do relatório semanal de exportações do país na quinta-feira da próxima semana, 23 de janeiro.
A edição de janeiro/25 do relatório WASDE trouxe como destaque um ligeiro aumento nos estoques finais de trigo dos Estados Unidos, devido a um aumento da oferta capaz de superar a elevação do consumo no mercado doméstico, indo contra as expectativas prévias dos investidores. Por outro lado, o relatório aponta uma redução no consumo global, em cerca de 0,6 milhões de toneladas, com a redução sendo puxada principalmente por quedas na Turquia, que foram parcialmente compensadas pelos números positivos vindos da Ucrânia.
Ainda, o Relatório Anual de Semeadura de Trigo de Inverno, publicado pelo USDA na última sexta-feira, 10 de janeiro, apontou um crescimento de 2%, no comparativo com 2024, na área plantada para a safra de 2025, acima das expectativas do mercado.


Entre os países produtores da América do Sul, com destaque para Brasil e Argentina, vale mencionar a revisão da Estimativa da safra 2024/25 de Trigo no Brasil, pela equipe da StoneX Brasil. Considerando que o ciclo já está substancialmente consolidado, houve apenas algumas correções pontuais. Os ajustes foram feitos apenas em alguns estados que, em geral, são menos representativos na conjuntura de produção nacional.
Os estados da Bahia, Mato Grosso do Sul e Goiás apresentaram alguns recuos de produtividade, por influência do clima seco que atingiu tais regiões em um importante período para o desenvolvimento dos cultivos. Com isso, a produtividade nacional passou a ser estimada em 2,6 ton/ha, o que se refletiu em um recuo, também, da produção, que ficou em 7,526 milhões de toneladas, uma variação mensal de -0,7% e uma queda de 7% em relação ao ciclo 2023/24. As considerações completas acerca da estimativa de safra para o trigo brasileiro no ciclo 2024/25, você pode acessar clicando aqui.
Na Argentina, o cenário se mantém semelhante ao descrito na semana anterior, com as autoridades se mantendo vigilantes sobre a possibilidade de que sejam anunciadas licenças de exportação da Rússia, podendo dar alguma margem de valorização ao trigo argentino, devido à sua competitividade no mercado internacional.
Preço Cepea - contínuo (R$/tonelada)

Fonte: Cepea. Elaboração: StoneX
No mercado europeu, o trigo se comportou de forma semelhante ao que foi observado também para os Estados Unidos. Em geral, pode-se dizer que os preços estiveram baixistas ao longo de todo a semana, mas apresentaram uma recuperação na sexta-feira, após a divulgação do relatório WASDE, nos Estados Unidos. O contrato futuro de março/2025 do trigo, encerrou a última sexta-feira, 10 de janeiro, em 232,75 cents/bushel, o mesmo valor de fechamento da sexta-feira anterior, 03 de janeiro.
Apesar do movimento baixista nos preços, os dados de exportações semanais para a União Europeia demonstraram uma forte recuperação na demanda pelo trigo europeu. No acumulado, foram exportadas 122.304 toneladas na semana que seguiu até o dia 05 de janeiro, elevando o volume de exportações do ano comercial de 2024/25 para 11,16 milhões de toneladas. Ainda assim, as vendas para este ciclo são 34% menores do que as do mesmo período para o ciclo anterior, devido a uma quebra na produção, especialmente da França, causada por um excesso de chuvas em períodos cruciais para o desenvolvimento dos cultivos.

Na região do Mar Negro, as características são as mesmas observada em outros citados anteriormente: preços estáveis. No entanto, destaca-se um aumento gradual na atividade comercial da região, passado o período de festas e feriados. Com isso, observou-se um incremento de 11,5% na demanda pelo trigo ucraniano, no entanto a oferta permaneceu fraca, contribuindo para a estabilidade dos preços no período.
O mercado deve permanecer sob a observação dos investidores, com a tendência de que permaneça aquecida a demanda pelo trigo ucraniano e, possivelmente, também para o trigo russo, que segue como um dos mais competitivos internacionalmente, podendo ser a causa de um eventual aumento nos preços, assim que se reestabelecer a oferta do cereal na região.
Paralelamente, deve-se estar atento ao desenvolvimento da safra de inverno, acompanhando as condições climáticas na região para o período, sendo um fator crucial para a oferta de suprimentos em uma escala global e, consequentemente, importante fator de impacto aos preços.






