- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Elevada competitividade do trigo russo e argentino;
- Estoques globais menos apertados, segundo USDA.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Frio intenso ameaça o trigo de inverno nos Estados Unidos e na Rússia.
- Excesso de chuvas ameaça safra francesa
A última semana foi marcada por mais um período de valorização nos preços futuros do trigo, para as suas cotações na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT, para a sigla em inglês). O contrato de março/2025 de trigo, o mais ativo em Chicago, apresentou alta de 2,17% entre os dias 07 e 14 de fevereiro, apresentando fechamento de 600 cents/bushell na última sexta-feira, 14 de fevereiro. Com isso, o trigo se encaminha para a sua sexta semana consecutiva de alta, sendo sustentado por temores relacionados às condições de safra nos países produtores do hemisfério norte, como Estados Unidos, Rússia e, agora também, a França. Além disso, as incertezas acerca da política tarifária dos Estados Unidos também atuaram aumentando os prêmios para o trigo
Nos Estados Unidos, analistas observam com preocupação a chegada de uma nova onda de frio ao país, que pode colocar em risco os cultivos de trigo de inverno nas regiões atingidas. O estágio atual do desenvolvimento das plantas compreende ao seu período de hibernação, em que uma camada de gelo protege os cultivos de temperaturas abaixo do que poderiam suportar. Os temores são de que a nova onda acabe prejudicando as condições de safra e, consequentemente, reduzindo a produtividade no país.
Paralelamente, os agentes do mercado trigueiro observam com certa cautela a elaboração da nova política tarifária dos Estados Unidos por seu presidente, Donald Trump. A imposição de tarifas agressivas às importações de importantes parceiros comerciais dos EUA pode gerar medidas retaliatórias por parte dos países afetados. O receio é de que tais retaliações incluam a produção agrícola estadunidense, o que inclui também o trigo, podendo haver dificuldades de comercialização da produção do país.


A União Europeia foi alvo de grandes atenções por parte dos agentes que atuam no mercado de trigo. De acordo com uma consultoria local, as condições das safras francesas apresentaram uma piora nos últimos dias. No entanto, as cotações do cereal na Bolsa de Paris ainda não refletiram tais preocupações, considerando que o trigo recuou 0,96% no comparativo semanal, apresentando fechamento de 232,75 cents/bushell na última sexta-feira, 14 de fevereiro.
Segundo dados do FranceAgriMer, houve uma piora drástica nas condições de safra do trigo desde dezembro. O frio intenso teve sua influência, mas a piora nas condições de safra foi intensificada pelas fortes chuvas que atingem o país. Em 10 de fevereiro, os dados indicaram que 73% do trigo mole estava em boas ou excelentes condições, acima do que havia sido registrado em um período crítico histórico para a região há quatro anos, em que se registrava 68% dos cultivos em tais condições. Tomando como comparativo o índice registrado para o mesmo período da última safra – 93% - percebe-se um claro declínio na qualidade da produção de um ano para o outro.
Vale lembrar que a França já vem de uma safra fortemente prejudicada, em que as fortes chuvas que atingiram a região atrapalhando as atividades durante a colheita, tendo reduzido em muito o volume produzido e exportado pelo país e outros vizinhos, que fora a menor desde a década de 1980.

Na região do Mar Negro, as preocupações seguem relacionadas às condições climáticas da região. Para os próximos dias, espera-se que ondas de frio atinjam algumas regiões produtoras de trigo na Rússia, o que tem aumentado os temores entre agricultores e investidores do mercado de que haja prejuízos na colheita.
Na frente geopolítica, o presidente Donald Trump parece ter iniciado tratativas para dar fim ao conflito entre Rússia e Ucrânia, que já se estende por mais de dois anos. Nesse sentido, o mercado de trigo deve manter uma certa cautela pelas próximas semanas, conforme avançam as negociações para o fim da guerra. Vale lembrar que a guerra incluiu um grande prêmio de risco aos preços futuros do trigo, sob o risco de prejudicar o abastecimento da demanda global da principal região exportadora do cereal no mundo. Com isso, deve-se observar um alívio nas preocupações relacionadas ao escoamento da safra russa e ucraniana, sem o risco bélico.
Enquanto se desenrolam as negociações, os preços futuros do trigo russo se elevam, sustentados por incentivos à demanda e restrições na oferta. O Ministério da Agricultura da Rússia determinou a cota de exportação de trigo em 10,6 milhões de toneladas, que deve valer entre os dias 15 de fevereiro e 30 de junho, muito abaixo das 29 milhões de toneladas exportadas no mesmo período do ano passado. A medida vinha sendo monitorada pelos agentes deste mercado nas últimas semanas e foi definida na última semana. Para as remessas que ultrapassarem a cota de exportação alocada, deve haver a aplicação de um imposto de 50%.






