- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Elevada competitividade do trigo russo e argentino;
- Estoques globais menos apertados, segundo USDA.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Frio intenso ameaça o trigo de inverno nos Estados Unidos e na Rússia.
- Excesso de chuvas ameaça safra francesa
Após seis semanas consecutivas em alta, trigo apresenta recuo em seus preços futuros na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT). O contrato de março/25, o mais ativo na bolsa, teve perdas de 1,67% no comparativo semanal, após encerrar a última sexta-feira, 24 de fevereiro, cotado em US$5,90/bushell. O movimento nos preços sofreu influência de vendas líquidas de trigo menores para os Estados Unidos, por outro lado, o mercado recebeu estímulos da demanda vindos especialmente do Japão e Taiwan, paralelamente, a preocupação de produtores se acentuava em meio a novas previsões de tempestades para as regiões produtoras de trigo do país.
De acordo com os dados do último Relatório de Exportações Semanais dos Estados Unidos, elaborado pelo Departamento de Agricultura do país (USDA, para a sigla em inglês), as vendas líquidas de trigo dos EUA para o ano safra de 2024/25 revelaram uma redução de 7% em relação do montante escoado na semana anterior. No entanto, as 532.700 toneladas ainda são 31% superiores que a média das quatro semanas anteriores. Simultaneamente, o mercado internacional de trigo recebe incentivos pelo lado da demanda, com novas propostas de comprar sendo anunciadas pelos governos do Japão e de Taiwan.
Em meio a este cenário, os produtores ainda lidam com uma certa apreensão a respeito das condições climáticas para as regiões produtoras de trigo no país. No início da semana, os preços tiveram algum estímulo altista depois que passaram a circular alguns rumores de que as tempestades de inverno teriam causado danos em parte das plantações de trigo que não contava com uma camada de neve suficientemente protetora para as plantas.


Na União Europeia, os preços futuros do Trigo também apresentaram perdas na última semana. As cotações do contrato futuro de março/25 declinaram 2,69% na última semana, encerrando a semana avaliado em 226,5 cents/bushell.
Após alívio das preocupações sobre o clima na região, os preços futuros recuaram no início da semana, depois de se distanciarem os riscos de prejuízos sobre os cultivos de inverno. Por outro lado, apesar do montante elevado de exportações reportado na última semana, o acumulado exportado ao longo do ano de comercialização 2024/25 continua bem abaixo do que havia sido informado para o anterior, estimando-se uma queda de 36% no comparativo anual.

Os preços do trigo na região do Mar Negro, por sua vez, apresentaram alguns ganhos ao longo da última semana. Ainda assim, os países da região mantêm sua competitividade no mercado internacional. Na Ucrânia, o trigo se valorizou em US$3,50/tonelada, enquanto na Rússia, os ganhos foram na casa de US$4/tonelada. As valorizações refletem preocupações dos produtores sobre o clima frio que atinge as regiões de cultivo do trigo de inverno. A situação já foi amenizada, mas ainda para alguma apreensão sobre o tema no mercado.
O conflito entre Rússia e Ucrânia completa 3 anos hoje, 24 de fevereiro, tendo trazido grande instabilidade ao mercado internacional de trigo. Juntos, Rússia e Ucrânia lideram as exportações mundiais, assumindo papel fundamental para atender a demanda pelo cereal internacionalmente. Após longas tentativas de resolução do conflito, os trâmites parecem ter entrado em nova fase. Com Donald Trump à frente da Casa Branca, parece que novos diálogos foram iniciados e outros parecem ter encontrado novas barreiras, com um aparente benefício aos interesses da Rússia, que hoje ocupa 20% do território ucraniano, nas novas negociações, considerando a ausência de representantes ucranianos nas discussões.
A situação deve continuar sob monitoramento, considerando a importância do tema para os fluxos comerciais do cereal.






