- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Elevada competitividade do trigo russo e argentino;
- Estoques globais menos apertados, segundo USDA.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Excesso de chuvas ameaça safra francesa;
- Tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.
Os preços futuros do trigo registraram perdas entre os dias 21 e 28 de fevereiro, na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT, para a sigla em inglês). A semana foi marcada por um declínio nos contratos futuros do cereal, para o contrato de maio/2025, o mais ativo atualmente, recuo foi de mais de 5%, com fechamento de 562,5 cents/bushell na última sexta-feira, 28 de fevereiro.
Por trás desse movimento, observou-se um sentimento de apreensão por parte dos investidores, especialmente no que se relaciona com as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre importantes parceiros comerciais do país, incluindo seus vizinhos, México e Canadá. Inicialmente, tais tarifas haviam sido suspensas, mas, na última semana, Trump reafirmou a aplicação das novas taxas as importações com origem destes países, que devem passar a valer a partir da próxima terça-feira, 4 de março. A preocupação é que as tarifas de 25% possam prejudicar o comércio de grãos e, em especial, o de trigo.
Estimativas iniciais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, para a sigla em inglês) sobre a área plantada de trigo para a safra 2025/26, nos Estados Unidos, apontam para um aumento em relação ao ciclo de cultivo anterior, o que também pode ter contribuído para o sentimento de baixa verificado ao longo da semana que se passou.
Por fim, observou-se também um alívio das preocupações com relação ao clima nas áreas de cultivo de trigo de inverno nos Estados Unidos. Aparentemente, o frio intenso que atingiu as Grandes Planícies dos EUA não chegaram a prejudicar as lavouras como se imaginava que poderia acontecer e, agora, o clima mais ameno afasta ainda mais os riscos de prejuízos à safra.


Na Bolsa de Paris, o trigo se comportou de forma semelhante aos movimentos observados em Chicago. No acumulado, o trigo europeu se desvalorizou em cerca de 2,10%, atingindo o a marca de 221,75 cents/bushell, na sexta-feira, 28 de fevereiro.
Na Europa, o clima favorável acabou pesando sobre os futuros do trigo. O inverno mais ameno beneficiou os cultivos de trigo, contribuindo para o seu bom estado, em geral. A ausência de chuvas contribuiu para a secagem dos campos, o que permitiu um avanço dos trabalhos na lavoura, enquanto se aproximam da primavera no hemisfério norte. A situação deve permanecer sob o monitoramento dos agricultores, considerando que o solo excessivamente seco também pode ser prejudicial à produtividade, podendo causar estresses às culturas de primavera que devem iniciar o seu plantio em breve.

Na região do Mar Negro, os preços FOB do trigo também seguiram o movimento observado internacionalmente e recuaram um pouco no acumulado semanal. A valorização do rublo russo contribuiu para a queda nos preços de comercialização do cereal, para que fosse possível mantê-lo competitivo internacionalmente.
Por outro lado, as condições climáticas foram outro fator que deu margem para um alívio nos preços, refletindo um sentimento também de alívio entre os agricultores locais, devido ao afastamento de preocupações ligadas à produtividade dos cultivos de trigo de inverno na região. No entanto, assim como na Europa, caso o clima seco se estenda, o cenário pode ser prejudicial ao desenvolvimento dos cultivos de primavera.
Os investidores devem estar atentos também às negociações de paz em torno do conflito entre Rússia e Ucrânia, após novos desdobramentos a partir da intervenção do novo governo estadunidense em favor dos interesses russos. Líderes europeus saíram em apoio à Ucrânia e discutem maiores investimentos no setor de defesa entre os países da região.






