- USDA aponta para uma maior área plantada na safra 2024/25;
- Elevada competitividade do trigo russo e argentino;
- Estoques globais menos apertados, segundo USDA;
- Guerra comercial gera receio entre os compradores de trigo dos EUA.
- Alerta pelos conflitos no Mar Vermelho geram incertezas para a logística do Mar Negro;
- Excesso de chuvas ameaça safra francesa;
- Tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.
O mercado de trigo teve outra semana de queda em suas cotações para os contratos futuros do cereal na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT, para a sigla em inglês). O acumulado dos últimos dias representou um recuo de 1,78% no valor do contrato de maio/2025, o mais ativo na bolsa atualmente. Com isso, o fechamento dos preços na última sexta-feira, 07 de março, ficou na casa dos 551,25 cents/bushel.
O principal fator que influenciou a formação dos preços do trigo em Chicago na última semana esteve relacionado com as tarifas sobre as importações dos principais parceiros comerciais dos Estados Unidos, como México, Canadá e China, e as incertezas geradas em meio a este cenário. Na sexta-feira, 07 de março, no entanto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, optou por um novo adiamento das tarifas até o início de abril, o que acabou contribuindo para um novo recuo dos preços do cereal mais ao fim da semana.
Como forma de retaliação, a China impôs tarifas sobre o trigo americano. Inicialmente, imaginou-se que os impactos dessas novas tarifas seriam limitados para o mercado do trigo, devido às historicamente baixas exportações de trigo dos EUA para a China, no entanto, a notícia ajudou a pressionar os futuros do trigo.
Contrastando com este cenário de incertezas, as vendas líquidas de trigo dos EUA para o ano de comercialização 2024/25, totalizaram 338.700 toneladas, contando com um aumento de 26% em relação à semana anterior, no entanto, o montante ainda é 25% menor que a média das últimas quatro semanas. O número estava dentro das expectativas dos analistas para o período.


No mercado europeu de trigo, o movimento dos preços futuros foi semelhante do observado em Chicago. Os preços futuros se desvalorizaram em mais de 5% na Bolsa de Paris, ao longo da semana, apresentando fechamento de 205 cents/bushell para o contrato de maio/2025 na última sexta-feira, 07 de março.
Esta movimentação nos preços futuros refletem um sentimento geral do mercado europeu sobre as condições da colheita de trigo na França, além de preocupações com relação à economia global, principalmente no que se relaciona com a guerra comercial travada pelos Estados Unidos com importantes parceiros comerciais do país.
Por outro lado, a melhoria das condições da safra de trigo na França exerceu algum tipo de preção sobre os preços futuros do cereal não apenas em Paris, mas na Europa como um todo. De um modo geral, notou-se um sentimento de retenção de vendas por parte de alguns agricultores em países como a Romênia e a Bulgária. Na Polônia e na Alemanha, as atividades de exportação estão lentas desde o início do ano, refletindo também uma procura de exportação global mais fraca para o trigo da União Europeia.

Os preços do trigo russo estiveram próximos da estabilidade ao longo da última semana, mesmo com estímulos de demanda por alguns países nos últimos dias. Além disso, o governo russo ainda não descartou a ideia de impor restrições não tarifárias às exportações de trigo do país, como quotas às remessas ao exterior, para proteger os estoques do cereal no mercado interno.
Considerando a importância do país em abastecer também a demanda externa, uma nova restrição das exportações russas de trigo poderia levar a um aumento dos preços, devido à limitação da oferta que este movimento geraria.
Na Ucrânia, alguns estímulos do lado da demanda acabaram sendo um fator de sustentação importante para os preços do trigo, após novas compras vindas do lado do Egito. Mas ainda não foram suficientes para que houvesse um incremento aos preços do cereal, que enfrenta momento de baixa nas últimas semanas.






