Produção argentina de trigo segue sendo beneficiada pelas condições climáticas na região
fatores baixistas
- Interrupção dos embarques pela região sul dos Estados Unidos, após passagem do furacão Ida;
- Produtividade acima do esperado na Rússia;
- Previsão de condições climáticas benéficas nos EUA.
fatores altistas
- Aumento da taxa de exportação russa sobre o trigo provoca diminuição da oferta global;
- Cortes nas estimativas de produção da França e do Canadá.
ESTADOS uNIDOS
Na segunda-feira (20), os mercados futuros de trigo iniciaram a semana operando em queda. Na Bolsa de Chicago (CBOT, na sigla em inglês), os contratos de dezembro/21 foram cotados a 700,60 USD cents/bushel no fechamento da sessão principal. Além de acompanhar o movimento de queda registrado em outros mercados, os futuros do trigo também foram pressionados pelos novos volumes de chuva durante o final de semana anterior, enquanto modelos climáticos de 6-15 dias indicavam um novo sistema de chuva. Em relação aos dados de inspeção das exportações, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) reportou um volume semanal equivalente a 564,6 mil toneladas de trigo, na semana encerrada no dia 16 de setembro. O volume acumulado para o ano comercial corrente chegou a 7.715.098 toneladas.
Intraday | Cotação do contrato em Chicago – dezembro/21 (USD cents/bushel)
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Na terça-feira (21), os futuros do trigo voltaram a fechar em queda. Em Chicago, os contratos futuros de trigo para dezembro/21 foram negociados a US¢ 690,20/bu – uma variação diária negativa de US¢ 10,4/bu. O movimento de queda ganho força após a SovEcon elevar em 200 mil toneladas sua estimativa para a safra da Rússia, totalizando 75,6 milhões de toneladas de trigo, após produtores na região da Sibéria terem reportado rendimentos acima daqueles esperados inicialmente. Além disso, modelos climáticos indicaram clima benéfico à produção estadunidense, com padrões de chuva nas regiões Noroeste Pacífico e Oeste dos EUA. Ainda na segunda-feira (20), o USDA reportou a taxa de plantio do trigo de inverno a 19%, um avanço semanal de 7 pontos percentuais.
Na quarta-feira (22), o otimismo dos agentes deu novo sustento aos preços futuros do trigo. Em Chicago, os contratos futuros de dezembro/21 apresentaram uma valorização diária de US¢ 15,40/bu, fechando a sessão principal a US¢ 705,60/bu. O movimento de alta se estendeu também para a sessão de quinta-feira (23), com os mesmos contratos sofrendo uma valorização de US¢ 12,00/bu e fechando a US¢ 717,60/bu. Os dados de vendas de exportação dos EUA, divulgados na quinta-feira (23), pelo USDA, indicaram uma queda semanal de 42%, totalizando 355,9 mil toneladas de trigo. Dentre os principais destinos, estão: Filipinas (126,6 mil t), México (71,4 mil t) e Japão (60,6 mil t).
Exportações semanais de trigo - EUA
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Na sexta-feira (24), apesar de apresentar ganhos mais modestos, os mercados futuros de trigo operaram em campo positivo pela terceira sessão consecutiva. Na CBOT, o contrato de dezembro/21 fechou a semana a US¢ 723,60/bu. Sem grandes notícias no mercado internacional, vigorou o otimismo dos agentes em movimento de compras técnicas. Ao final da semana, os modelos climáticos de 6-10 dias apontavam novos volumes de chuva na região sul das Grandes Planícies, Noroeste Pacíficos e Oeste dos EUA.
No Marché à Terme International de France (MATIF), principal bolsa de derivativos agrícolas da Europa, os preços do contrato de trigo para dezembro/21 se valorizaram continuamente ao longo da última semana. De 247,75 EUR/t no fechamento de sexta-feira (17), a cotação do contrato avançou para 253,25 EUR/t no encerramento do dia 24, o que resulta em uma valorização de 2,2% no agregado da semana. O mercado europeu, portanto, acompanhou os ganhos registrados nos EUA. Olhando para a série histórica, desde meados de agosto que o trigo de curto prazo no MATIF se mantém em torno dos 245,00 EUR/t. Essa relativa estabilidade vem após um período de fortes valorizações, que fez o contrato de dezembro saltar de valores abaixo dos 200,00 EUR/t, n dia 9 de julho, para a casa dos 250,00 EUR/t, no dia 16 de agosto.
Para além da questão dos preços, foi divulgado ao longo da semana atualizações acerca das exportações de trigo da União Europeia. Segundo a Comissão do bloco econômico, até meados de setembro, as vendas externas europeias já alcançaram 6,53 milhões de toneladas, bem acima das 4,58 milhões registradas no mesmo período ano passado. Em grande parte, isso é resultado do aumento da safra, que possibilita aos exportadores ofertar quantidades maiores.
Intraday | Cotação do contrato em Paris – setembro/21 (EUR/tonelada)
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Nessa última semana, o preço FOB do trigo da Rússia se desvalorizou sensivelmente, com a mercadoria com embarque marcado para o mês de outubro recuando de US$ 310,00/t para US$ 308,00/t. Esse movimento contrário aos registrados na CBOT e no MATIF é resultado do ainda elevado preço do produto russo, que afasta importadores e, assim, mantém a demanda muito baixa. Também pode ter ajudado o fato de que a na quarta-feira a tarifa sobre a exportação de trigo diminuiu de US$ 52,50/t para US$ 50,90/t.
Com esse baixo interesse, desde o início do ano safra, no dia 1° de julho, até o dia 16 de setembro, foi relatado pelo Centro de Controle de Qualidade da Rússia que 10,1 milhões de toneladas de trigo já deixaram o país. Esse volume é 9% menor que o registrado no mesmo período do ano passado. Por outro lado, mais uma vez o Centro de Controle de Qualidade afirmou que a qualidade da safra é muito boa. Segundo estimativas, 87,5% dos grãos poderão ser destinados para o uso como farinha. Ano passado, menos de 75% pode ter esse uso.
Uma mudança importante nas expectativas dos agentes ocorreu na Sibéria e na região dos Urais. Após consecutivos relatos de que a produtividade da safra russa era baixa, avanços na colheita mostraram que a qualidade e a quantidade de trigo colhidos nessas regiões eram na verdade bem mais satisfatórias que o esperado. Isso fez até mesmo a consultora SovEcon aumentar minimamente sua estimativa de produção para a safra 2021/22, de 75,4 milhões de toneladas para 75,6 milhões. Agora, resta saber se essa confiança será compartilhada por outros agentes. Até o dia 24 de setembro, 73,2 milhões de toneladas de trigo já haviam sido colhidas a partir de 25,8 milhões de hectares.
Por fim, falemos sobre o principal concorrente da Rússia, a Ucrânia. Os preços FOB praticados nos portos do país mostram um trigo muito mais barato que o russo: US$ 297,00/t. Mesmo assim, as exportações do país ainda estão 301 mil toneladas abaixo do nível registrado em 2020/21 para o mesmo período, ficando em 6,9 milhões de toneladas até o dia 17 de setembro.
Rússia - 12,5% | Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.
Na Argentina, a condição hídrica da safra e padrões de chuva no país seguem no centro das atenções. Em sua última atualização dos dados, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA) afirmou que 66,8% da área plantada (6,6 milhões de hectares) apresentam condição adequada/ótima. O padrão mais seco registrado nas regiões noroeste e sudoeste também se mostrou benéfico, pois auxiliou na recuperação de áreas que apresentavam excesso de umidade no solo. Em relação às condições de cultivo, estima-se que 50% da safra esteja em condição boa/excelente.
No Brasil, o relatório mensal de acompanhamento de safra do estado do Paraná, divulgado pelo Departamento de Economia Rural (DERAL/PR), indicou uma leve correção sobre a estimativa de área total, que passa a ser de 1.210 mil hectares, indicando uma área perdida equivalente a 10,95 mil há. Em relação aos dados de condição de área, o DERAL/PR estimou que 58% apresentavam boas condições. Ademais, com o avanço da safra para as etapas finais, estima-se que a taxa de colheita seja de 11% da área, com uma produtividade média de 2.255 kg/ha. No estado brasileiro de Rio Grande do Sul, a Emater/RS-Ascar destaca os recentes volumes de chuvas registrados nas regiões produtores de trigo, que contribuíram com o alívio parcial do estresse hídrico sobre a produção. De acordo com os dados de acompanhamento de safra, até o dia 23 de setembro, a taxa de germinação/desenvolvimento vegetativo é de 14%; enquanto, as de floração e enchimento de grãos chegam a 43% e 39%, respectivamente. A safra começa a entrar na última fase de desenvolvimento, com 4% em maturação.
TRIGO NOS MERCADOS FUTUROS DOS EUA
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.