USDA aponta queda de 43,6% sobre a produção estadunidense de trigo de primavera em 2021
fatores baixistas
- Interrupção parcial dos embarques pela região sul dos Estados Unidos, após passagem do furacão Ida;
- Previsão de condições climáticas benéficas nos EUA;
- Vendas de exportação e embarques físicos em ritmo lento;
- Aprovação do plantio de trigo transgênico na Argentina.
fatores altistas
- Aumento da taxa de exportação russa sobre o trigo provoca diminuição da oferta global;
- Rumores de nova restrição sobre as exportações russas de trigo;
- Queda da produção total de trigo nos EUA;
- Volume de estoques trimestrais (USDA) abaixo do esperado pelos mercados.
ESTADOS uNIDOS
Na segunda-feira (27), os mercados futuros de trigo iniciaram a semana operando em queda, pressionados pela previsão de chuva (1-5 dias) para a região sul das Grandes Planícies e Noroeste do Pacífico, enquanto modelos de 6-10 dias indicavam padrão úmido para a porção sul das Grandes Planícies. Ademais, a crescente preocupação com os custos de fertilizantes também contribuiu com a tendência de queda registrada. Em Chicago, o contrato futuro de dezembro/21 fechou a sessão principal a 722,20 USD/bushel, uma variação negativa singela frente à sexta-feira (1) anterior.
Em relação aos dados de inspeção das exportações, divulgados na segunda-feira (27), pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), foi registrada uma queda de 49,3%, totalizando apenas 286,09 mil toneladas. Frente ao mesmo período do ano passado, o acumulado do ano corrente acumula uma diferença negativa de 1,253 milhão de toneladas, chegando a pouco mais de 8,0 milhões. Os agentes seguem atentos ao volume de cargas exportadas a partir da região portuária do Golfo, nos Estados Unidos (EUA), que ainda passa por reparos após a passagem do furacão Ida. Ainda de acordo com o USDA, na semana encerrada no dia 23 de setembro, dos 16 portos na região portuária do Rio Mississippi, saíram apenas 16,5 mil toneladas, contra cerca de 100 mil no mesmo período do ano passado.
O relatório semanal de acompanhamento de safras nos EUA indicou avanço semanal de 13 pontos percentuais sobre o plantio da safra de trigo de inverno, chegando a 34% na semana encerrada no dia 26 de setembro. O ritmo segue em linha com o ano passado (33%) e a média dos últimos cinco anos (32%). O percentual de germinação está em 9%, também em linha com o ano passado (9%) e a média dos últimos cinco anos (8%)
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Intraday | Cotação do contrato em Chicago – dezembro/21 (USD cents/bushel)
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Na terça-feira (28), os mercados futuros de trigo seguiram em tendência de queda, com o contrato de dezembro/21 sendo cotado a US¢706,40/bu, no fechamento da Bolsa de Chicago (CBOT, na sigla em inglês) – variação negativa diária mais aguda, de US¢15,6/bu. O movimento de queda ganhou força com a reação dos agentes à adesão da Argentina a produção de trigo transgênico. Moinhos do Brasil, um dos principais países importadores de trigo argentino, ameaçam não importar mais do país caso haja contaminação cruzada, ou ainda se o órgão competente brasileiro aprovar a entrada do novo produto no país.
Acompanhando o movimento de alta registrado nos mercados futuros de milho e soja, na quarta-feira (29), os contratos futuros de trigo fecharam em campo positivo. Na CBOT, o contrato de dezembro/21 foi cotado a US¢710,20/bu no encerramento da sessão principal. Os modelos climáticos apontavam chuvas benéficas no intervalo de 15 dias para as regiões Noroeste Pacífico e sul das Grandes Planícies. No mais, sem grandes notícias no mercado internacional, a atenção dos agentes voltou-se às importantes publicações do agendadas para a então próxima quinta-feira (30). Para o resumo anual de pequenas safras de grãos, o mercado esperava queda da produção total de trigo nos EUA, em decorrência de uma menor safra de primavera em 2021. As estimativas apontavam para um total de 45,72 milhões de toneladas. Para a posição dos estoques trimestrais, as estimativas apontavam um total de 50,4 milhões de toneladas de trigo.
Na quinta-feira (30), os preços futuros de trigo foram impulsionados pelas publicações do USDA. Em Chicago, o contrato de dezembro/21 fechou a US¢725,40/bu – variação diária positiva de US¢15,20/bu. De acordo com a publicação referente à posição trimestral dos estoques, o USDA estima um total de 48,44 milhões de toneladas de trigo, abaixo do esperado pelo mercado. No comparativo anual, isso representa uma queda de mais de 10 milhões de toneladas. Em relação ao resumo anual de pequenas safras de grãos, a perspectiva do USDA é de menor produção total de trigo, agora, em 44,79 milhões de toneladas – variação anual de -9,97%. A queda mais acentuada foi registrada na produção de primavera, -43,64%. O rendimento de todas as variedades foi estimado em 2,98 toneladas/hectare, enquanto as áreas plantada e colhida foram estimadas em 18,9 milhões de hectares e 15,04 milhões, respectivamente.
Os dados de vendas de exportação do USDA indicaram uma queda no comparativo semanal equivalente a 18,5%, totalizando 290,1 mil toneladas para 2021/22. Destaque para Japão (51,5 mil t) e Taiwan (49,6 mil t).
Exportações semanais de trigo - EUA
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Na sexta-feira (1), os dados divulgados na véspera pelo USDA seguiram dando sustentação aos preços futuros. Na CBOT, o contrato mais próximo (dezembro/21) foi cotado a US¢755,20/bu no fechamento da sessão principal, uma valorização diária de US¢29,60/bu. No mais, o anúncio de novo aumento da taxa de exportação da Rússia sobre as exportações de trigo e rumores de nova restrição sobre as exportações russas de trigo também contribuíram com o movimento de alta.
No mercado europeu de trigo, o sentimento altista seguiu sendo predominante nesta semana. De modo geral, o contrato com vencimento em dezembro negociado na Bolsa de Paris apresentou moderadas valorizações entre segunda e quinta-feira, com ganhos importantes acontecendo apenas no último dia da semana. Assim, de EUR 253,25/tonelada no fechamento do dia 24 de setembro, o dezembro/21 saltou para EUR 264,25/t no fechamento do dia 1º de outubro. Desde o dia 14 de setembro que o trigo negociado tanto em Chicago, como em Paris tem tendência geral de alta, com dias de baixa sendo superados por uma boa margem pelos dias de ganhos.
Além das cotações futuras, a Comissão Europeia, órgão responsável pela aplicação do poder executivo na União Europeia (UE), divulgou importantes estimativas de produção, exportação e estoque de trigo para o bloco econômico. Pelo levantamento feito, os 27 estados-membros produzirão 131,0 milhões de toneladas até o final da safra 2021/22, bem acima das 117,1 registradas em 2020/21. No mês passado, a estimativa era menor: 127,2 milhões de toneladas. Em relação às exportações, elas foram mantidas em 30 milhões, enquanto os estoques estão estimados em 12,1 milhões de toneladas.
Em relação às vendas de exportações que já se concretizaram, foi divulgado que até o dia 26 de setembro deixaram o território da União Europeia 7,2 milhões de toneladas de trigo em 2021/22 (o calendário agrícola se inicia no dia 1º de julho). No mesmo período do ano passado, a UE e o Reino Unido tinham juntos exportado 5,3 milhões. Em relação aos principais países exportadores, até o momento quem lidera as vendas é a Romênia (2,5 milhões de toneladas), seguida por Bulgária (1,3 mi t) e Alemanha (0,75 mi t). Devido ao atraso de sua colheita, a França ficou para trás, mas até o final da safra ela deve se tornar a principal exportadora da União Europeia.
Intraday | Cotação do contrato em Paris – setembro/21 (EUR/tonelada)
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
No mercado de trigo do Mar Negro, foi relatado ao longo da última semana que a enorme maioria dos compradores optou por adquirir trigo proveniente da Ucrânia, ignorando os exportadores russos. Essa dinâmica foi predominante porque há uma discrepância entre os preços praticados nos dois países: na última sexta-feira (1), a tonelada do trigo na Ucrânia com embarque imediato estava custando cerca de US$ 297,00, enquanto na Rússia seu valor era de aproximadamente US$ 310,00. Talvez o principal culpado disso seja a tarifa sobre as exportações russas, que iniciou a semana em US$ 50,90/t e, a partir de quarta-feira (29), aumentou para US$ 53,55/t.
Isso se reflete nos números de exportação desses dois países. Apesar dos agricultores russos já terem colhido 74,2 milhões de toneladas de trigo, contra apenas 32,2 milhões dos ucranianos, as vendas externas totais de ambos no ano safra 2021/22 são parecidas: 11,1 milhões de toneladas e 8,9 milhões, respectivamente. Até o final do calendário agrícola atual, a Platts estima as exportações russas em 36,5 milhões de toneladas, enquanto o Ministério da Agricultura da Ucrânia espera 24,4 milhões.
Novidade no Mar Negro foi a divulgação da área que já foi plantada com trigo de inverno, a ser colhido só a partir de julho de 2022. Novamente na comparação Rússia x Ucrânia, os primeiros estão adiantados, mesmo se levado em consideração que a área total de cultivo russa é significativamente maior. Até o dia 27 de setembro, os russos já tinham plantado trigo em 10,5 milhões dos estimados 19,0 milhões de hectares totais, o que dá 55,3%. Na Ucrânia, até a mesma data os fazendeiros plantaram 2,0 milhões de um total estimado em 6,7 milhões de hectares, ou 29%. Lembrando que cerca de 70% da produção russa de trigo e quase toda a produção ucraniana são de inverno.
Rússia - 12,5% | Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.
Com o aumento das temperaturas e volume de chuvas na primeira quinzena de setembro, foi registrado um aumento de doenças nas lavouras, o que levou ao aumento significativo das aplicações preventivas e curativas de fungicidas. A porção mais avançada da safra, na região norte do país, iniciou a colheita ainda na semana encerrada no dia 22 de setembro e apresentou avanço significa na semana passada. De acordo com a atualização dos dados, nas regiões Noroeste e Nordeste foram colhidas, 22% e 18%, respectivamente – frente a produção nacional argentina, isso ainda é uma taxa incipiente, de cerca de 2,4% –; nessas mesmas regiões, a produtividade média registrada é de 750,0 e 1.300,0 kg/ha. Para a Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA), estima-se que 65,5% da safra apresente condição hídrica adequada/ótima, enquanto 75,0% apresentem condição de cultivo normal/excelente.
No Brasil, a colheita da safra de trigo avança no estado do Paraná, chegando a 36%, ou 437,4 mil hectares, de acordo com os dados do Deral/PR. Estima-se que 68% da área ainda não colhida esteja em boa condição; 28%, em condição média; e 4% em condição ruim. Os dados de evolução da safra apontam para um percentual de 1% da safra em fase de desenvolvimento vegetativo; 8%, de floração; 29%, de frutificação; e, por fim, 62% em fase de maturação. No estado de Rio Grande do Sul, a Emater/RS reportou chuvas em todo a região produtora, contudo com variação dos volumes acumulados. Os dados de acompanhamento de safra mostram que 5% da safra ainda se encontra em fase inicial, de germinação/desenvolvimento vegetativo; 37%, floração; 49%, enchimento de grãos; e 9%, maturação. A fase de colheita ainda não foi iniciada no estado, o que indica ritmo mais lento frente ao ano passado (3%) e a média dos últimos cinco anos (2%).
TRIGO NOS MERCADOS FUTUROS DOS EUA
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.