Apesar de uma semana volátil, contrato futuro mais próximo fecha a semana sem variação, cotado a 734,00 US¢/bu
fatores baixistas
- Produtividade acima do esperado na Rússia;
- Previsão de condições climáticas benéficas nos EUA;
- Avanço do plantio da safra de inverno nos EUA, UE e Mar Negro.
fatores altistas
- Aumento da taxa de exportação russa sobre o trigo provoca diminuição da oferta global;
- Redução da estimativa mundial do USDA para produção e estoques finais de trigo;
- Cortes nas estimativas de produção e exportação da França, pelo FranceAgriMer.
ESTADOS uNIDOS
Na segunda-feira (11), os mercados futuros de trigo iniciaram a semana fechando em leve queda. Na Bolsa de Chicago (CBOT), o contrato futuro de dezembro/21 foi cotado a 731,60 USD cents/bushel no fechamento da sessão principal, uma variação negativa de US¢ 2,20/bu, que seria recuperada já na sessão seguinte. Como já é de costume, em razão do feriado nos Estados Unidos (EUA), Dia de Colombo, o calendário semanal de divulgação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) é postergado em um dia. Assim, os dados de inspeção das exportações e acompanhamento de safra foram divulgados na terça-feira (12), e as vendas de exportação na sexta-feira (15).
Intraday | Preço contínuo – Chicago (USD/bushel)
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Como adiantado, na terça-feira (12), os futuros do trigo fecharam em campo positivo, com o contrato de dezembro/21 sendo cotado a 734,00 US¢/bu no fechamento da sessão principal em Chicago. A tendência de alta foi sustentada pela redução da estimativa de produção dos EUA, que passa a ser de 44,79 milhões de toneladas em 2021/22, em decorrência da queda da área colhida e do rendimento médio esperado – passando para 15,05 milhões de hectares e 2.979,15 kg/ha, respectivamente. Cliente StoneX, encontre essas e mais informações na
matéria especial de grãos dessa semana.
Os dados de inspeção das exportações do USDA indicaram uma queda semanal de -29,3%, totalizando 435,17 mil toneladas embarcadas, na semana encerrada no dia 07 de outubro de 2021. No comparativo anual, apesar de uma menor variação, esse volume ainda sim ficou abaixo daquele registrado no mesmo período do ano passado, de 514,67 mil toneladas de trigo. O acumulado do ano corrente é de 9.184.962 toneladas, cerca de 1,26 milhão de toneladas abaixo do ano comercial passado.
Na quarta-feira (13), os futuros do trigo acompanharam o movimento de queda observado nos mercados futuros de milho, fechando a sessão principal em campo negativo. Na CBOT, o contrato de dezembro/21 foi cotado a 718,60 US¢/bu, uma forte variação diária negativa de 15,20 US¢/bu. Ademais, os modelos climáticos apontavam para novos volumes de chuva no prazo de dez dias em áreas em que se produz a safra de inverno nos EUA. Ainda na véspera, os dados de acompanhamento de safra, divulgados pelo USDA, indicaram o plantio 60% da safra estimada, na semana encerrada no dia 10 de outubro – um avanço semanal de 13 pontos percentuais (p.p.). A taxa de emergência, por sua vez, foi estimada em 31%, valor abaixo dos 39% estimados no mesmo período do ano passado. Contra a média dos últimos cinco anos, a taxa de plantio segue em linha, enquanto a de emergência indica um atraso de 4 p.p.
As sessões seguintes, de quinta (14) e sexta-feira (15), foram de recuperação para os preços futuros após as perdas da véspera. Na quinta-feira (14), o contrato futuro mais próximo em Chicago (contrato de dezembro/21) fechou a 724,60 US¢/bu, enquanto na sessão seguinte (sexta-feira, dia 15) o mesmo contrato chegaria a ser cotado a 740,40 US¢/bu antes de fechar a semana no mesmo ponto em que começou, avaliado em 734,00 US¢/bu.
De acordo com a divulgação do USDA, divulgados na sexta-feira (15), as vendas de exportação dos EUA apresentaram um aumento semanal de 70%, e de 42% frente a média das últimas quatro semanas, totalizando 567,6 mil toneladas de trigo. Dentre os principais destinados anunciados, estão: Filipinas (142 mil t) e México (127,8 mil t).
Vendas de Exportação Semanais - EUA (mil toneladas)
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Para o mercado de trigo da União Europeia, o relatório de oferta e demanda do USDA não trouxe grandes novidades. A estimativa de produção e exportação para a safra 2021/22 foi ligeiramente ajustada para cima, indicando agora que o bloco econômico irá colher 139,4 milhões de toneladas (frente a 139,0 no relatório de setembro), das quais 35,5 milhões seriam vendidas para compradores externos (frente estimativa prévia de 35,0 milhões). Caso essas previsões se concretizem, elas representarão aumentos de 10,6% para a produção e de 19,4% para as exportações na comparação com a safra 2020/21.
Entretanto, apesar das estimativas para a União Europeia mostrarem aumento da produção, o relatório do USDA exerceu pressão altista sobre o mercado de trigo. Como mencionado em nossa
matéria especial dessa semana, ele indicou um balanço mundial entre oferta e demanda mais apertado e menores níveis finais de estoque. Com isso, os preços do trigo na bolsa de Paris tiveram pequenos ganhos ao longo da semana. Além da questão do USDA, também impulsionou os futuros rumores de que a China havia comprado trigo proveniente da França. Ao final da semana, os ganhos do contrato com vencimento em dezembro foram de 7,00 EUR/t (de 269,00 EUR/t para 276,00 EUR/t).
Ademais, o mercado segue acompanhando as estimativas locais de produção, o avanço do plantio de inverno e os números de exportação.
Começando pelas estimativas regionais, o FranceAgriMer, ministério da agricultura da França, anunciou um corte em sua expectativa para a safra do país em 2021/22: de 36,1 para 35,2 milhões de toneladas. Posteriormente, esse número foi complementado por uma redução de 0,5 milhões de toneladas na expectativa para os estoques, esperando-se agora 2,4 milhões. Mesmo assim, o valor da produção ainda é 21% maior que o registrado no ano anterior e representa 25,3% de toda produção estimada para a União Europeia pelo USDA. Lembrando que a França é o maior produtor de trigo do bloco econômico. Além disso, o Ministério da Agricultura do Reino Unido divulgou que espera que o bloco produza 14,02 milhões de toneladas de trigo, um aumento de 45% na comparação anual.
Já em relação ao avanço do plantio, os dados da França servem como uma amostra para a situação geral da Europa. Segundo o FranceAgriMer, até o dia 11 de outubro, o país já havia plantado 13% da área esperada, um adiantamento de 2% na comparação com o mesmo período do ano passado. No que diz respeito às exportações, a União Europeia manteve nesta última semana o forte ritmo apresentado nos últimos meses, mantendo-se muito adiantada na comparação com 2020. Desde o começo do ano safra, no dia 1 de julho, até o dia 10 de outubro, deixaram o bloco econômico 8,76 milhões de toneladas de trigo. No mesmo período do ano anterior, as vendas fora do bloco foram de apenas 6,26 milhões, ou seja, 39,8% menores.
Intraday | Preço contínuo – Paris (EUR/tonelada)
Fonte: Euronext. Elaboração: StoneX.
No mercado de trigo do Mar Negro, novas atualizações a respeito do avanço da colheita, das estimativas de safra, das exportações e do avanço do plantio para Rússia e Ucrânia foram divulgadas ao longo da semana.
Começando pelo avanço da colheita e pelas estimativas de safra, há incertezas em relação à Rússia. No dia 12 de outubro, o Ministério da Agricultura do país declarou que 76,5 milhões de toneladas de trigo já haviam sido colhidas no ano safra 2021/22, restando ainda a colheita de 5,2% da área plantada. Mesmo assim, a consultora SovEcon cortou sua estimativa para apenas 75,5 milhões de toneladas, volume menor que o já declarado pelo estado russo e ainda restando hectares a serem colhidos. Ainda mais distante está a estimativa do USDA, que se manteve em 72,5 milhões de toneladas. Com essa discrepância entre os dados, é difícil saber o valor real da produção da Rússia.
Entretanto, há sugestões de que a diferença entre os números seria causada por diferentes métodos de medição. Segundo essa teoria, o governo russo estaria declarando o peso de armazenagem, ou seja, o volume dos grãos antes deles passarem pelo processo de limpeza e secagem, que diminuem o peso total do trigo. Caso essa interpretação seja verdadeira, as estimativas mais corretas seriam as do USDA e da SovEcon. Falando sobre a Ucrânia, o USDA manteve sua previsão de 33 milhões de toneladas, enquanto a SovEcon aposta em 38,4.
Em relação às exportações, desde o início do ano safra (1º de julho) até o dia 7 de outubro, deixaram a Rússia 9,8 milhões de toneladas, volume 21,8% menor que o registrado em 2020 para o mesmo período. Já na Ucrânia, o ano atual está sendo melhor que o passado, com as exportações até o dia 11 de outubro chegando às 9,9 milhões de toneladas, valor 7% maior. Esse recuo russo e avanço ucraniano têm relação direta com as variações em suas produções, que diminuiu no primeiro e aumentou no segundo. Porém, além disso há a questão de o trigo da Ucrânia estar muito mais competitivo, atraindo compradores da Rússia. Na última sexta-feira (15), o preço FOB ucraniano era de aproximadamente USD 308,00/t e o russo era de USD 319,00/t. Os altos preços na Rússia acontecem principalmente por causa da tarifa sobre suas exportações de trigo, com a taxa começando a semana em USD 57,80/t e a partir de quarto avançando para USD 58,70/t.
Por fim, o governo ucraniano revelou que 4,2 milhões de hectares do país já foram plantados com trigo de inverno, o equivalente a 63% da área total esperada. Na Rússia, a última atualização foi feita no dia 5 de outubro, indicando que 11,95 milhões de hectares de um total de 17 milhões já haviam sido plantados com trigo de inverno.
Rússia - 12,5% | Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.
Na última semana, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA) apontou novos volumes de chuva sobre a região central da área agrícola, onde se encontra 53,2% de toda a área produtiva do trigo. Contudo, apesar do alívio parcial do déficit hídrico, a BCBA destacou que ainda é cedo para avaliar os reflexos sobre a produção, que se encontra em fase de transição entre desenvolvimento vegetativo e floração. Ademais, na porção norte da área agrícola argentina, apesar de ainda ser cedo, a BCBA aponta que o rendimento médio é avaliado entre 800 – 1.200 kg/ha. Os dados nacionais indicam que 67,0% da safra se encontra em condição hídrica adequada/ótima, enquanto 76,5% em condição de cultivo normal/excelente.
No Brasil, por conta do feriado nacional, Dia de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, na terça-feira (12), o Deral/PR não divulgou os dados semanais de acompanhamento de safras do estado do Paraná. Em relação ao estado brasileiro de Rio Grande do Sul, por sua vez, a Emater/RS – Ascar estimou a taxa de colheita em 5%, contra 24% no mesmo período do ano passado. O órgão estadual ainda estima que 1% da safra esteja em fase de desenvolvimento vegetativo; 18%, floração; 38%, enchimento de grãos; e 38%, maturação.
TRIGO NOS MERCADOS FUTUROS DOS EUA
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.