Taxa de exportação russa sofre novo aumento e passa a ser de USD 61,30, em vigor até o dia 26 de outubro
fatores baixistas
- Produtividade acima do esperado na Rússia;
- Avanço do plantio da safra de inverno nos EUA, UE e Mar Negro.
fatores altistas
- Aumento da taxa de exportação russa sobre o trigo provoca diminuição da oferta global;
- Relação ajustada de oferta e demanda globais;
- Previsão de temperaturas mais elevadas nos EUA.
ESTADOS uNIDOS
Na segunda-feira (18), os mercados futuros iniciaram a semana operando em campo misto. Na Bolsa de Chicago (CBOT, na sigla em inglês), o contrato de dezembro/21 fechou a 736,20 USD cents/bushel, enquanto a Kansas City registrou ganhos de US¢ 5,0/bu e Minneapolis registrou perdas de US¢ 1,0/bu. Na Europa, os futuros do trigo em Paris recuaram EUR 2,75/tonelada. De forma geral, os movimentos de alta vêm sendo sustentados pelo cenário de forte demanda. De acordo com os dados oficiais da China, as importações em setembro/21 cresceram 25% frente ao mesmo período do ano passado, totalizando 640 mil toneladas do cereal. De janeiro a setembro, o país asiático importou um total de 7,6 milhões de toneladas.
Ainda na segunda-feira (18), o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) divulgou os dados de inspeção das exportações, referente a semana encerrada no dia 14 de outubro. De acordo com a divulgação, os embarques físicos de trigo totalizaram 139,75 mil toneladas, ou uma queda semanal de -68,7% e anual de -42,3%. O acumulado do ano comercial corrente é de 9.336.194 toneladas do cereal, pouco mais de 1,3 milhão de toneladas abaixo do mesmo período do ano passado (de 10,69 milhões).
O relatório semanal de acompanhamento de safra indicou o plantio a 70% da safra, em linha com a média dos últimos cinco anos, de 71%. Apesar do avanço semanal de 10 pontos percentuais (p.p.), no comparativo anual, o ritmo de trabalhos no campo está atrasado em relação a 2020, considerando no mesmo período do ano passado a taxa de plantio era de 76%. O USDA estima que a germinação esteja em 44%, ou 6 p.p. abaixo do ciclo passado e 3 p.p. abaixo da média (cinco anos). Destaca-se que o Departamento ainda não começou a reportar a condição de safra do trigo de inverno.
Intraday | Preço contínuo – Chicago (USD/bushel)
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Na terça-feira (19), os futuros do trigo em Chicago recuaram, fechando a sessão principal em leve queda, com o contrato de dezembro/21 sendo cotado a US¢ 736,00/bu. Em relação às condições climáticas, os modelos apontavam temperaturas mais elevadas ao longo dos então próximos 15 dias para as regiões produtoras de trigo de inverno nos EUA. Na quarta-feira (20), os mercados futuros do trigo voltaram a avançar, com o contrato de dezembro/21 se valorizando US¢ 13,20/bu ao final do pregão principal (preço de fechamento: US¢ 749,20/bu). O movimento de alta foi despertado por rumores que a China teria interesse no trigo de origem estadunidense.
Contudo, na quinta-feira (21), nenhuma grande venda foi anunciada para China e o país não apareceu no detalhamento das vendas de exportação do USDA, referente à semana anterior, que inclusive apresentou forte queda em relação a semana anterior. Em Chicago, o contrato de dezembro/21 foi cotado em US¢ 741,20, no fechamento da sessão principal.
Os dados de vendas de exportação referentes a semana encerrada no dia 14 de outubro, divulgados pelo USDA, indicaram um volume total de vendas equivalente a 362,4 mil toneladas de trigo para 2021/22. No comparativo semanal, esse valor aponta uma variação de -36%, enquanto no comparativo com a média das últimas quatro semanas, a variação é menor, mas ainda negativa, de -6%. Dentre os principais destinos, estão: Nigéria (98,0 mil t), Japão (92,1 mil t) e Colômbia (76,1 mil t).
Vendas de Exportação Semanais - EUA (mil toneladas)
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Na sexta-feira (22), os preços futuros fecharam a semana em um campo positivo sólido. Na CBOT, o contrato de dezembro/21 sofreu uma valorização de US¢ 14,60/bu, fechando a US¢ 756,00/bu. A tendência de alta foi sustentada, mais uma vez, pelos sinais de forte demanda frente a uma oferta limitada, que despertaram um movimento de compras técnicas por parte de investidores. Dentre os principais leilões de trigo da semana, a Turquia destacou-se com a compra de 300 mil toneladas, seguida pela Tunísia (100 mil t).
No mercado de trigo da União Europeia (UE), a oferta global apertada também impulsionou os preços futuros. Na Bolsa de Paris, o contrato para dezembro fechou a semana cotado a 280,00 EUR/tonelada, ganho semanal de 4,00 EUR/t. Na comparação com a CBOT, entretanto, os ganhos foram menores e menos constantes. Na realidade, segunda (18), terça (19) e quinta-feira (21) foram dias de desvalorização para o trigo, com quase todo o ganho semanal sendo conquistado no pregão de sexta-feira (22).
Em relação às estimativas para a safra atual, a consultora Strategie Grains anunciou um aumento de 400 mil toneladas em sua previsão para a UE. Agora, a empresa acredita que o bloco econômico produzirá 129,5 milhões de toneladas na lavoura 2021/22, estimativa ainda muito abaixo da previsão do USDA de 139,4 milhões. Em relação às exportações, as duas fontes têm números mais parecidos, com a consultora usando como base o volume de 32 milhões contra 35,5 para os americanos.
Seguindo no tema das exportações, a UE segue com um volume de vendas muito mais forte que o do ano passado. Desde o começo do ano safra 2021/22, no dia 1º de julho, até o dia 17 de outubro, deixaram o bloco 9,1 milhões de toneladas de trigo, frente a apenas 6,6 milhões no mesmo período de 2020. Entretanto, apesar de os números serem bastante promissores para os exportadores europeus, é necessário fazer um adendo, já que a safra de 2020 foi pequena. Comparando com 2019, os embarques de trigo em 2021 são na realidade ligeiramente menores, ficando cerca de 120 mil toneladas atrás.
Olhando individualmente para os países da União, os que até o momento mais exportaram em 2021 são Romênia (3,2 mi t), Bulgária (1,5 mi t) e Alemanha (1,0 mi t). Os franceses, que no médio prazo devem assumir essa liderança, por enquanto apenas exportaram 0,7 milhão de toneladas. Eles estão sofrendo não só porque atrasaram a colheita, mas também porque a qualidade do trigo está muito baixa. Segundo a FranceAgriMer, apenas 30% da safra francesa atingiu o patamar proteico necessário para o uso do trigo como farinha, o que diminui significativamente a procura pelo produto. Em setembro/21, o país exportou para além das fronteiras da União Europeia 269 mil toneladas, volume 16,6% menor que o registrado em setembro de 2020.
Por fim, olhando já para a safra 2022/23, o mercado segue acompanhando o avanço do plantio de inverno no continente europeu. Na França, 40% da área estipulada já foi plantada. Na semana anterior, o avanço era de apenas 13%.
Intraday | Preço contínuo – Paris (EUR/tonelada)
Fonte: Euronext. Elaboração: StoneX.
Na região do mar Negro, principal polo exportador de trigo do mundo, as vendas seguem sendo limitadas pela tarifa de exportações da Rússia. Relembrando, esse imposto se relaciona com o forte processo inflacionário enfrentado pelo país, que afeta com intensidade o setor de alimentos. O uso da tarifa busca aumentar a oferta interna de trigo, em detrimento das vendas internacionais. Antes fixada em USD 50,00/t, essa tarifa se tornou flutuante a partir de junho/21, sendo reajustada semanalmente.
Explicando mais detalhadamente, toda quarta-feira uma nova taxa passa a ser utilizada, com seu valor sendo 70% da diferença entre o preço médio da semana anterior e um piso de USD 200,00. Exemplificando, entre a sexta-feira (08/10) e a quinta-feira seguinte (14/10), o preço médio do trigo na bolsa de Moscou foi de USD 287,56/t. A diferença entre esse valor e a base de USD 200,00 é USD 87,56. Calculando 70% disso, chegamos à taxa de USD 61,30, que foi colocada em prática a partir da quarta-feira, dia 20 de outubro, e que durará até a terça-feira, dia 26 de outubro.
O grande problema desse complicado sistema é que ele pode ir gradativamente minando a competitividade do produto russo. Como a taxa usa como base o próprio preço do trigo, a valorização dessa commodity no mercado internacional causa aumentos na tarifa. Por sua vez, aumentos na tarifa são repassados para os preços finais. Assim, coloca-se em prática um mecanismo de retroalimentação, em que o valor do imposto e do trigo em si estão constantemente aumentando. Na primeira semana em que esse sistema esteve em prática, no início de junho, a tarifa era de USD 28,10/t e o preço FOB nos portos do mar Negro era de USD 265,00/t. A partir do dia 27 de outubro, o imposto estará em USD 67,00/t e o preço FOB ficará próximo dos USD 320,00/t.
Com isso, a tonelada de trigo russo está muito cara, significativamente acima dos USD 308,00/t dos ucranianos, seus principais concorrentes. Desde o início do ano safra, no dia 1º de julho, até o dia 13 de outubro, a Rússia exportou 11,1 milhões de toneladas de trigo, 18% menos que o registrado em 2020 para o mesmo período. Por outro lado, no ano safra 2021/22 a Ucrânia já exportou 10,7 milhões de toneladas, volume 7% maior que o do ano anterior. Portanto, os números mostram os problemas causados pela tarifa para os exportadores russos.
Além da questão dos preços, é importante apontar que a diminuição das vendas russas e o aumento das ucranianas possuem relação com o tamanho de suas safras. Na Rússia, o USDA estimou 72,5 milhões de toneladas em 2021/22, frente a 85,35 no ano agrícola anterior. Na Ucrânia, o país já finalizou sua colheita em 33,0 milhões de toneladas, contra apenas 25,4 em 2020/21.
Falando sobre o avanço do plantio de inverno, na Rússia, até o dia 19, os fazendeiros plantaram 16,3 milhões de hectares. Isso representa um atraso em relação ao ano passado, quando 17,5 milhões de hectares já estavam semeados no mesmo período. Na Ucrânia, até o dia 18 de outubro 5,0 milhões de hectares já estavam com trigo, o que representa 75% da área planejada.
Rússia - 12,5% | Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.
Na Argentina, apesar de ainda incipiente (cerca de 2% da produção nacional), a Bolsa de Buenos Aires (BCBA) afirma que os rendimentos nas áreas já colhidas estão bastante abaixo das médias históricas (-17,9% para a região Noroeste e -31,3% para a região Nordeste). Para as regiões menos adiantadas, as recentes chuvas registradas podem beneficiar a produção, contudo não recuperando a safra dos impactos causados pelo déficit hídrico que marcou 2021. Estimativas apontam que o rendimento pode ser de 20 a 50% menor do que o previsto. Os dados nacionais de evolução de safra indicam: 93,1% da safra completou desenvolvimento vegetativo; 61,7%, espigamento; 18,8%, enchimento de grãos; 8,6% maturação.
Por fim, na região sul do país, observou-se o aumento do controle químico de pragas e doenças – de acordo com a BCBA, as seguintes regiões apresentam focos: Centro-Norte, Centro-Sul, Oeste de Buenos Aires, Centro de Buenos Aires, Sudoeste de Buenos Aires, e Sudeste de Buenos Aires.
No Brasil, o Departamento de Economia Rural do Paraná (DERAL/PR) estima que 74% da safra tenha sido colhida até o dia 18 de outubro, e dos hectares restantes, cerca de 316,84 mil hectares, 4% seja considerada área ruim; 27%, médio; e 70%, bom. Em relação à evolução da safra, estima-se 1% ainda esteja em etapa de floração; 25%, frutificação; e 74%, maturação. O resumo mensal de safra, que traz a atualização de estimativas de rendimento e produção obtidos, será divulgado no dia 28 de outubro.
No estado brasileiro de Rio Grande do Sul, a Emater/RS-Ascar destacou as fortes chuvas, acompanhadas de ventos e granizo, sobre algumas regiões produtoras. Além de danos, o fator climático também é responsável pelo ritmo lento da colheita no estado, que chegou a 9% (contra 34% na safra anterior e uma média histórica de 25%). Em relação à evolução da safra, estima-se que 5% estejam em etapa de floração; 35%, enchimento de grãos; e 51%, maturação.
TRIGO NOS MERCADOS FUTUROS DOS EUA
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.