Realização de lucros pressiona as cotações de trigo na CBOT e ganhos da semana anterior são apagados
fatores baixistas
- Ritmo lento dos embarques físicos dos Estados Unidos;
- Queda da comercialização de trigo da Rússia;
- Aumento da estimativa para a produção da Argentina.
fatores altistas
- Alta taxa de exportação russa sobre o trigo;
- Perspectiva de queda do excedente exportável global;
- Sinais de forte demanda internacional.
ESTADOS uNIDOS
Na segunda-feira (1), os futuros do trigo sofreram forte valorização em razão da preocupação dos agentes com o nível de oferta de trigo, especialmente os de classe HRS e SRW nos Estados Unidos. Além disso, no caso da classe SRW, um possível substituto do Canadá também vem enfrentando dificuldades, pois o tempo úmido registrado nos últimos 30 dias fez com que produtores ultrapassassem a janela ideal de plantio. Na Bolsa de Chicago (CBOT, na sigla em inglês), os contratos futuros de trigo fecharam a sessão principal em campo positivo, com o contrato mais próximo (dezembro/21) sendo cotado a 797,20 USD cents/bushel, ou uma valorização de US¢ 24,40/bu.
Por outro lado, os embarques físicos dos EUA seguem abaixo do esperado. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), os dados de inspeção das exportações estadunidenses, referentes à semana encerrada no dia 28 de outubro, indicaram uma variação semanal negativa (-41,6%), totalizando 115,34 mil toneladas de trigo. Enquanto, no comparativo anual, a diferença aumenta para -63,2%. O acumulado do ano comercial corrente é de 9.651.110 toneladas, cerca de 1,75 milhão de toneladas abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.
Ainda na segunda-feira (1), o USDA também divulgou o
acompanhamento semanal de safra. Segundo os dados disponibilizado, até o dia 31 de outubro, 87% da safra de inverno já havia sido plantada, apenas 1 ponto percentual (p.p.) abaixo do mesmo período do ano passado. A taxa de emergência, por sua vez, chegou a 67% da safra, ou 3 p.p. abaixo daquela registrada em 2020 e 1 p.p. abaixo da média dos últimos cinco anos. Em relação à condição da safra, na semana encerrada no dia 31 de outubro, estimou-se que 45% da safra se encontrava em condição boa/excelente (B/E), uma queda semanal de 1 p.p. No mesmo período do ano passado, 43% da safra foi considerada em condição B/E.
Intraday | Preço contínuo – Chicago (USD cents/bushel)
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Na terça-feira (2), os futuros do trigo voltaram a recuar, movimento que se estenderia até o final da semana. A realização de lucros por partes de investidores resultou em uma leve desvalorização, na terça-feira (2), com o contrato de dezembro/21 fechando a US¢ 791,40/bu, na CBOT. Apesar da queda, os fundamentos seguiram altistas, com os agentes monitorando a perspectiva de área plantada e o ritmo de plantio na região leste do cinturão de grãos nos EUA, especialmente nos estados de Illinois, Indiana, Michigan e Ohio, onde o atraso da colheita da soja resulta no prolongamento da fase de plantio.
Na quarta-feira (3), o movimento de liquidação de contratos dominou os mercados, pressionando o contrato de dezembro/21 (Chicago) a uma desvalorização diária de US¢ 10,4/bu – no fechamento da sessão, o mesmo contrato foi cotado a US¢ 781,00/bu. Destaca-se que na Bolsa de Minneapolis (MGEX, na sigla em inglês), a perda por contrato (dezembro/21) chegou a US¢ 31,4/bu, com o trigo de primavera fechando a US¢ 1.044,00/bu.
Na quinta-feira (4), os futuros do trigo seguiram em campo negativo, acompanhando as perdas registradas no mercado de milho e o movimento de realização de lucros por partes de investidores. Na CBOT, o contrato de dezembro/21 fechou a sessão principal a US¢ 773,60/bu. Os dados de
vendas de exportação do USDA indicaram um avanço semanal de 49%, na semana encerrada no dia 28 de outubro, totalizando 400,1 mil toneladas para 2021/22. Frente à média das últimas quatro semanas, a variação ainda foi positiva, apesar de chegar a apenas 4%. Dentre os principais países de destino, estão: México (101,4 mil toneladas), Coreia do Sul (50,0 mil t) e Taiwan (48,4 mil t).
Vendas de Exportação Semanais - EUA (mil toneladas)
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Como mencionado anteriormente, os contratos futuros de trigo foram pressionados até o final da semana, apagando todos os ganhos registrados na semana anterior. Em Chicago, o contrato mais próximo (dezembro/21) fechou na sexta-feira (5) a US¢ 766,40/bu, ou uma desvalorização de US¢ 7,20/bu.
Assim como no resto do mercado, o destaque no setor de trigo da União Europeia na última semana foram os preços. No Marché à Terme International de France (MATIF), principal bolsa de derivativos do continente, o trigo alcançou seu maior valor contínuo de fechamento dos últimos treze anos na terça: EUR 292,75/t. Isso ocorreu após valorização de 2,82% na segunda (1) e de 0,51% na terça (2).
Se movendo junto com Chicago, os contratos passaram a ser pressionados a partir de quarta. Movimentos de realização de lucros, temores de sobrevalorização dos ganhos e notícias de safras positivas na Austrália e na Argentina ajudaram a conter a alta. No encerramento da semana, o contrato de dezembro/21 foi cotado a EUR 287,75/t. Mesmo com essa perda de 1,73% em relação ao recorde de terça-feira (2), o trigo na Europa ainda está operando em valores historicamente elevados.
Ademais, o mercado segue acompanhando a evolução do plantio da safra de inverno. Na França, maior país produtor do bloco, o Ministério da Agricultura anunciou que, até o dia 1° de novembro, 80% da área esperada já estava plantada, um avanço semanal de 19%. Por fim, em relação aos dados comerciais, a Comissão Europeia não disponibilizou os dados semanais em razão da falta de dados oficiais por parte dos governos nacionais. Contudo, vale observar que os embarques seguem em ritmo acelerado nesse ano.
Intraday | Preço contínuo – Paris (EUR/tonelada)
Fonte: Euronext. Elaboração: StoneX.
Como se sabe, há tempos que os preços do trigo estão em alta na Rússia, com a colheita abaixo do esperado e a taxa sobre as exportações impulsionando as cotações. Nessa última semana não foi diferente: a escassez de oferta seguiu sendo uma constante e a tarifa sobre a venda de trigo ficou em USD 67,00/t. Na esteira dessa movimentação, os preços na Ucrânia também apresentam ganhos.
Além dessas questões, nos últimos dias o clima também passou a ser um fator impulsionador. Diversas regiões ucranianas e russas estão sofrendo com seca, trazendo preocupações de queda na produtividade. Assim, além das dificuldades da safra 2021/22, agora também existem preocupações com a produção 2022/23.
Dada essa forte conjuntura altista, o preço FOB de curto prazo na Rússia saltou de aproximadamente US$ 324,25/tonelada, no dia 29 de outubro, para US$ 335,00/t, na última quarta-feira, dia 3 de novembro. No mesmo intervalo, o preço FOB do trigo ucraniano foi de US$ 319,25/t para US$ 328,00/t. Na Bolsa de Chicago, isso ajudou a produzir os maiores valores dos últimos oito anos, enquanto em Paris impulsionou a máxima dos últimos treze. Nos últimos dias da semana, investidores entraram em uma rodada de realização de lucros, devolvendo parte dos ganhos. Mesmo assim, as altas semanais foram significativas.
Voltando as atenções para os volumes de exportação, manteve-se a conjuntura de ganhos de mercado para o trigo ucraniano e de perdas de mercado para o trigo russo. Isso acontece devido aos preços mais competitivos do primeiro, que fazem compradores mudarem sua origem de preferência. Desde o início do ano safra (1° de julho) até o dia 28 de outubro, os dados do Serviço Federal Russo de Vigilância Veterinária e Fitossanitária mostram que deixaram a Rússia 15,3 milhões de toneladas, volume 14,0% menor que o registrado no mesmo período do ano passado. Dos portos ucranianos, os números do Ministério da Agricultura mostram que até o dia 31 de outubro saíram 12,4 milhões de toneladas, volume 16% maior que o de 2020.
Ainda sobre as exportações, dentre os leilões dessa semana, vale destacar que o Egito comprou 360 mil toneladas provenientes da Rússia, Ucrânia e Romênia (observação: apesar de a Romênia pertencer à União Europeia, a mesma se encontra na região geográfica do Mar Negro).
Olhando para a safra 2022/23, divulgações oficiais mostram que na região do Mar Negro o plantio do trigo de inverno já está quase finalizado. Na Rússia, até o dia 2 de novembro, 18,0 milhões de hectares estavam semeados, o que representa cerca de 94,3% da área total esperada. Ano passado, no mesmo período, 18,8 milhões de hectares já estavam plantados. Na Ucrânia, 6,1 milhões de hectares foram semeados, valor que representa 91,0% do total esperado.
Por fim, destaque para o novo surto de coronavírus na Rússia, que obrigou o governo federal a decretar lockdown de nove dias, iniciado em 30 de outubro. Até o momento, menos de 35% da população do país está vacinada, já que grande parte da população opta por não tomar o imunizante. Com isso, o número de mortes diárias ultrapassou a marca de 1.000 mortes, disparadamente a pior onda enfrentada pelos russos.
Rússia - 12,5% | Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.
No Brasil, em razão do feriado nacional, no dia 1º de novembro, o Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral-PR) não divulgou os dados semanais de acompanhamento de safra. No estado de
Rio Grande do Sul, a Emater/RS-Ascar apontou um avanço semanal consistente dos trabalhos de colheita da safra de trigo no estado, passando de 28% para 48%. Na semana encerrada no dia 04 de novembro, 12% da produção se encontrava em fase de enchimento de grãos e 40% de maturação. Apesar da evolução significativa, destaca-se que o ritmo de colheita está bastante atrás do observado no ano passado, quando no mesmo período já ultrapassada 75% da área.
Na
Argentina, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA) estima que foram colhidos 682 mil hectares de trigo, até o dia 03 de novembro, ou um avanço semanal de 3,8 p.p. O rendimento médio nacional chega a 1.090 kg/ha, o que resulta em uma produção total (até a data referenciada) de 740 mil toneladas. Com o alívio do parcial do estresse hídrico (que passou de 34% para 27% considerados em condição hídrica regular/seca), a BCBA reportou que 46% da safra se encontra em condição B/E, além de manter sua estimativa de uma safra de 19,8 milhões de toneladas.
TRIGO NOS MERCADOS FUTUROS DOS EUA
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.