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Resumo Semanal de Trigo

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Balanço de O&D do USDA reforça cenário ajustado de oferta e demanda globais de trigo
 
fatores baixistas
  • Ritmo lento dos embarques físicos dos Estados Unidos;
  • Queda da comercialização de trigo da Rússia.
 
fatores altistas
  • Taxa de exportação russa sobre o trigo;
  • Perspectiva de queda do excedente exportável global;
  • WASDE: projeção de queda da produção e dos estoques finais para 2021/22;
  • Aprovação do trigo transgênico na Argentina;
  • Sinais de forte demanda internacional.
 
 
ESTADOS uNIDOS
Na segunda-feira (8), os mercados futuros de trigo iniciaram a semana em campo positivo. Nos Estados Unidos (EUA), apesar de um baixo ritmo de exportações, os contratos futuros encontraram apoio no aumento dos valores do trigo russo e no ajuste de posições antes da divulgação mensal do balanço de oferta e demanda, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês). Além disso, voltou ao noticiário internacional os impasses causados pela liberação da produção de trigo transgênico na Argentina. Os mercados devem monitorar os efeitos dessa decisão de perto, uma vez que o país sul-americano é um importante exportador mundial (13,5 mi t, de acordo com a projeção do USDA para 2021/22) e o trigo é uma das culturas consideradas inadequadas para a produção com variedades geneticamente modificadas. Na Bolsa de Chicago (CBOT, na sigla em inglês), o contrato futuro de dezembro/21 fechou a sessão principal sendo cotado a 768,00 USD cents/bushel.
Ainda na segunda, as inspeções de exportação do USDA reportaram um aumento do volume semanal de trigo embarcado. Na semana encerrada no dia 04 de novembro, os embarques totalizaram 231,85 mil toneladas, cerca de 100 mil toneladas acima do que o volume registrado na semana anterior. Contudo, no comparativo anual, tanto o volume semanal e quanto o acumulado ainda se encontram abaixo. O acumulado do ano comercial corrente está em 9.899.442 toneladas. Em relação aos dados de acompanhamento de safra, o USDA estima que 91% da safra foi plantada, até a semana encerrada no dia 07 de novembro. A taxa de emergência foi estimada em 74%, ou 3 pontos percentuais (p.p.) abaixo da média dos últimos cinco anos. Por fim, estima-se que o percentual bom/excelente é de 45%, mesmo valor observado na semana e no ano anteriores.
Intraday | Preço contínuo – Chicago (USD cents/bushel)
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Na terça-feira (9), o relatório mensal de oferta e demanda do USDA reforçou o cenário que já vem sendo debatido ao longo dos últimos meses, de uma relação ajustada entre a oferta e demanda globais. Com isso, apesar de ter resultado em uma valorização acima de US¢ 10,00/bu (no contrato de dezembro/21 da CBOT), os agentes não tiveram grandes novidades. Clientes StoneX encontram maiores informações no Resumo do Relatório de O&D do USDA - Grãos e na matéria especial dessa semana. Em Chicago, o contrato de dezembro/21 foi cotado a US¢ 778,40/bu.
Na quarta-feira (10), no encalço de um balanço de O&D altista, os futuros do trigo encontraram novo apoio na perspectiva de ajuste do mecanismo de taxa flutuante sobre as exportações de trigo russo. De acordo com o Ministério da Agricultura da Rússia, a fórmula de cálculo do imposto deve ser revisada para que seu ajuste seja mais rápido. Ainda será necessário aguardar para que sejam avaliados os efeitos reais dessa possível revisão, contudo há a possibilidade de que os preços russos se tornem ainda mais elevados – o que contribuiria com as exportações dos Estados Unidos, uma vez que o trigo estadunidense vem apresentando baixa competitividade. Na CBOT, o contrato mais próximo (dezembro/21) foi valorizado em US¢24,4/bu, fechando a sessão principal a US¢803,00/bu.
Quinta-feira (11), os mercados futuros de trigo seguiram operando em campo positivo, com Chicago fechando a US¢ 812,40/bu, ou uma variação diária de US¢ 9,40/bu. Em grande parte, o movimento do mercado foi sustentado pela repercussão do cultivo de trigo transgênico na Argentina. No Brasil, apesar de ter sido aprovada a importação de farinha de trigo transgênico, moinhos brasileiros desaprovaram tal decisão.
Vendas de Exportação Semanais - EUA (mil toneladas)
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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Em razão do feriado, o USDA divulgou os dados de vendas de exportação na sexta-feira (12). De acordo com a publicação, na semana encerrada no dia 04 de novembro, as vendas para 2021/22 totalizaram 285,92 mil toneladas de trigo, cerca de 28,5% abaixo da semana anterior. Além disso, o USDA registrou a venda de 22,5 mil toneladas do cereal para 2022/23. Em Chicago, os futuros do trigo encerraram a semanas operando em alta, com o contrato de dezembro/21 fechando a US¢ 817,00/bu.
 
EUROPA
Na Bolsa de Paris, o trigo alcançou seu maior valor de fechamento da história. Na quarta-feira (11), o contrato para dezembro/21 encerrou a sessão cotado a EUR 294,75/t, ultrapassando o recorde antigo que datava do início de 2008. Na quinta e na sexta-feira, as altas foram renovadas, levando o contrato para os EUR 297,25/t e elevando os ganhos semanais para EUR 9,50/t. Além do relatório WASDE, que como discutido acima indicou uma oferta mundial mais apertada, o principal responsável pelo rali do trigo europeu foi a perspectiva de crescimento da demanda pelos grãos do continente.
Isso porque na última quarta-feira (10), o ministro da Agricultura da Rússia, Dmitry Patrushev, deu a entender que em 2022 o país pode aumentar a tarifa que incide sobre as exportações de trigo, caso a inflação sobre os preços domésticos do país não volte para um nível mais adequado. Nesse possível cenário, os preços russos se tornariam muito pouco competitivos, levando diversos parceiros comerciais a buscar alternativas. Como por questões de logística a alternativa mais óbvia é a União Europeia, ocorreu esse salto nos preços futuros de Paris.
No momento, a tarifa russa atual já vem empurrando compradores para os mercados europeus. Desde o início do ano agrícola (1° de julho) até o dia 9 de novembro, as exportações da União Europeia já somam 10,3 milhões de toneladas, um crescimento de 17,2%. Pelo outro lado, os exportadores russos observaram um decréscimo de 13,1%. 
Detalhando os dados de exportação do bloco econômico, os principais destinos são Argélia (14,4%), Egito (12,3%) e Coréia do Sul (12,3%). Destaque para o fato de que os egípcios praticamente não compraram trigo da Europa na safra passada, já que tradicionalmente eles satisfazem a maior parte de sua demanda com compras provenientes da Rússia. Em relação aos países de origem das vendas, no momento os campeões são Romênia (34,0%), Bulgária (15,8%) e Alemanha (11,5%). Olhando para a lista, não é à toa que os maiores vendedores são países banhados pelo mar Negro, ou seja, regiões que tradicionais parceiros da Rússia insatisfeitos com os preços podem facilmente deslocar seus negócios.
Ainda, vale destacar que os dados da França não são computados no total da União Europeia desde julho. Como as vendas francesas normalmente são as maiores do bloco, o verdadeiro volume de exportação deve ser superior as 10,3 milhões de toneladas divulgadas. O mercado só não crava isso porque a baixa qualidade do grão francês (apenas 30% com qualidade necessária para moagem) e a singularidade da falta de dados de exportação trazem a desconfiança de que as vendas não estão caminhando muito bem.
Voltando as atenções para as estimativas do relatório WASDE do USDA, elas mostraram que a União Europeia produzirá 138,4 milhões de toneladas em 2021/22, uma queda de 1,0 milhão de toneladas na comparação com a última divulgação. Em relação às exportações, o relatório mostrou aumento de 1 milhão, agora estimadas em 36,5 milhões. Caso esses números se concretizem, a União Europeia se tornará a maior exportadora de trigo do mundo, ultrapassando a Rússia (estimativa USDA: 35 milhões). Ainda falando sobre o WASDE, o que mais chamou a atenção foi o corte nos estoques finais: de 10,72 para 9,74 milhões de toneladas. Pelos dados do USDA, esses são os estoques mais baixos desde 1999/2000, indicando a forte demanda pelo trigo do continente.
Olhando especificamente para a França, o FranceAgriMer (ministério da Agricultura do país) aumentou suas estimativas para a safra do país em 3,0 milhões de toneladas, que agora somam um total de 35,5 milhões. Esse valor é 21% maior que o do ano passado e 6% maior que a média dos últimos cinco anos. Em relação ao plantio de inverno, os dados do FranceAgriMer mostram que na França 87% da área esperada já foi semeada, um avanço de 14% em relação à última semana. Usando a França como parâmetro, pode-se dizer que os trabalhos de plantio na União Europeia estão próximos de serem encerrados.
Intraday | Preço contínuo – Paris (EUR/tonelada)
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Fonte: Euronext. Elaboração: StoneX.
MAR NEGRO
Como discutido, chacoalhou o mercado de trigo a possibilidade de a Rússia aumentar ainda mais sua tarifa sobre exportações, o que tornaria ainda mais apertada a oferta mundial dessa commodity. Apesar de ser uma notícia proveniente do Mar Negro, seus impactos imediatos foram muito maiores no mercado da União Europeia, região que possui uma bolsa de futuros mais consolidada. No agregado da semana, o preço médio nos portos russos subiu de US$ 335,00/t para US$ 340,00/t, enquanto na Ucrânia as cotações foram de US$ 326,25/t para US$ 329/t, ganhos significativos, mas menores que os registrados em Paris. Em 2022, caso os impostos realmente aumentem, aí sim devemos observar um salto no preço do trigo do mar Negro.
Nesta última semana, a tarifa sobre exportação na segunda e na terça-feira foi de US$ 67,00/t, saltando para US$ 69,90/t na quarta. Levando-se em conta que quando ela foi instituída, lá no dia 2 de junho, seu valor era de apenas US$ 28,10/t, sua inflação em pouco mais de cinco meses é de 148,8%.
Esse constante aumento no imposto alfandegário está tirando competitividade das exportações da Rússia, deslocando tradicionais parceiros do país para seus principais concorrentes: Ucrânia e União Europeia. Desde o início do ano agrícola até o dia 2 de novembro, deixaram a Rússia 15,9 milhões de toneladas, volume 13,1% menor que o registrado em 2020. Já na Ucrânia, as exportações entre os dias 1° de julho e 8 de novembro totalizam 12,8 milhões de toneladas, um crescimento de 18,2%. Os números da União Europeia já foram discutidos na parte da Europa do relatório.
Voltando as atenções para as estimativas do relatório WASDE, os números do USDA mostram que os técnicos norte-americanos esperam que a Rússia produza 74,0 milhões de toneladas e exporte 36,0 milhões, aumentos de 2,0 e 1,0 milhões de toneladas na comparação com a divulgação de outubro, respectivamente. Esse valor de produção não bate com os números do ministério da Agricultura da Rússia, que no dia 3 de novembro divulgou que o país colheu 78,0 milhões de toneladas, provenientes de 27,8 milhões de hectares. A fim de explicar essa discrepância de 4,0 milhões de toneladas, há aqueles que apontam que ela é resultado de diferentes metodologias: enquanto o USDA estima o peso final, o ministério russo divulga o volume pré-limpeza e separação.
Em relação à Ucrânia, o USDA mostrou produção de 33,0 milhões de toneladas e exportação de 24,0 milhões. O volume da safra praticamente coincide com a divulgação do ministério da Agricultura da Ucrânia, que anunciou já faz um tempo a colheita finalizada em 32,3 milhões de toneladas. Em relação às exportações, é bom lembrar que em outubro o governo do país colocou um limite de 25,3 milhões de toneladas, afirmando que valores acima disso colocariam em risco a segurança alimentar do país. 
Falando sobre a safra 2022/23, o avanço do plantio de inverno na região do mar Negro segue a todo vapor. Na Rússia, praticamente toda a área de 19,09 milhões de hectares estimadas já está semeada. Na Ucrânia, 6,2 milhões de hectares já estão com o trigo no solo, área que representa 94% do total projetado (6,7 mi).
Apesar do plantio estar avançando com sucesso, existem outros fatores que causam preocupações para 2022/23, em especial a questão climática. Em partes da Rússia e na Ucrânia, o clima está muito seco, o que tornou a primavera de 2021 a menos chuvosa dos últimos 20 anos. Com isso, o teor de umidade do solo está baixíssimo, o que pode gerar prejuízos e perda de qualidade para a safra. Foi relatado que as baixas temperaturas, orvalhos e neblinas podem ter evitado uma catástrofe, mesmo assim há temores de que a safra pode ter sido parcialmente danificada.
Rússia - 12,5% | Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
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Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.
AMÉRICA DO SUL
No Brasil, os dados semanais de acompanhamento de safra do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral/PR) trouxeram uma safra em seus estágios finais de colheita, com 93% da área já tendo sido colhida, ou 1,123 milhão de hectares, na semana encerrada no dia 09 de novembro. Da área restante, estima-se que 95% da safra esteja em fase de maturação e 5% ainda em frutificação. Vale lembrar que, em seu último relatório mensal (divulgado no dia 26 de outubro), o Deral/PR indicou um rendimento nacional média de, aproximadamente, 2,5 milhões de toneladas. O percentual de área considerada boa está em 79% da área ainda a ser colhida. No estado de Rio Grande do Sul, a Emater/RS-Ascar destacou o avanço semanal significativo dos trabalhos de colheita nas lavouras, que chegou a 70% na semana encerrada no dia 11 de novembro.
Na Argentina, em razão das recentes chuvas sobre as regiões central e norte da área agrícola, o ritmo da colheita diminuiu na semana encerrada no dia 10 de novembro, tendo avançado apenas 1,2 ponto percentual. Até o momento, estima-se que 11,7% da área apta foi colhida. A Bolsa de Buenos Aires estima que a perda de superfície está em 82,1 mil hectares, com destaque às regiões Noroeste, Nordeste, Centro-Norte de Córdoba, e Centro-Norte de Santa Fé. Com uma produtividade estimada em 1.180 kg/ha, a produção total está em pouco mais de 901,7 mil toneladas de trigo.
TRIGO NOS MERCADOS FUTUROS DOS EUA
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
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