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Resumo Semanal de Trigo

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Semana é marcada por retorno de alta nos preços após divulgação das estimativas de oferta e demanda global do USDA
 
Nuria Brito
nuria.brito@stonex.com
Felipe Sawaia
fatores baixistas
  • Boas condições das lavouras europeias;
  • Ritmo lento de exportações dos EUA;
  • Negociações de cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia;
 
fatores altistas
  • Conflito entre Rússia e Ucrânia;
  • Fechamento de portos na Ucrânia;
  • Sanções ao comércio internacional da Rússia;
  • Nível do excedente exportável global;
  • Condições desfavoráveis para o clima da safra 2022/23 nos EUA.
 
 
ESTADOS uNIDOS

Na segunda-feira (4), os futuros do trigo abriram a semana de forma mista, alcançando a marca de US¢ 1.011,75/bu para o contrato de maio/22 na Bolsa de Chicago, uma alta diária de 2,78%, ao fim sessão principal, enquanto para a MATIF, na União Europeia, fechou em US¢ 364,57/bu, uma queda de 1,88%. Este cenário é sustentado pelas incertezas do mercado, uma vez que o conflito no Mar Negro continua e o clima nas principais regiões de cultivo dos EUA não possui boas perspectivas.

Os dados de inspeções de exportações, na semana encerrada no dia 31 de março, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), em que registraram um total de US¢ 318,304 mil toneladas embarcadas de trigo, forte queda em relação ao mesmo período no ano anterior, cuja variação negativa é de 53%, uma redução de aproximadamente 340 mil toneladas. No acumulado anual, ainda representa uma variação negativa, da ordem de 17,8%.

 

Intraday | Preço Maio/22 – Chicago (USD cents/bushel)
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.

Na terça-feira (5), os futuros do trigo abriram em forte alta na Bolsa de Chicago, a principal razão foram os dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês), em que o progresso de safra mostrou condições piores do que o esperado, em níveis recordes.  O principal produtor, Kansas, tem 32% da safra em condição boa ou excelente no início da semana, em contrapartida aos 54% indicados na safra anterior. O fator clima recebe cada vez mais atenção, pois pouca ou nenhuma chuva caiu em partes das planícies do sul nos últimos dias, onde variedades de inverno vermelho-escuro são cultivadas. Em situação pior, Oklahoma está com mais de 76% do estado enfrentando seca.

Além disso, o nível da demanda global tende a aumentar, uma vez que vários importadores têm buscado novos parceiros comerciais. O Iraque declarou que construirá uma reserva de 2 milhões de toneladas e o Egito, principal importador mundial, segue buscando reconfigurar suas rotas, dado que o conflito no Mar Negro continua.

Na quarta-feira (6), os mercados futuros de trigo nos EUA operaram com baixa, entre movimentos de baixa amplitude. Pelo lado da oferta, o Cazaquistão anunciou que restringirá a exportação de trigo e farinha até 15 de junho, o objetivo é conter as crescentes pressões inflacionárias domésticas no setor de alimentos. A Índia, segundo maior produtor, informou que tem trigo disponível para exportação, elevando suas estimativas para safra de trigo 2022/23. Somado a isso, o quarto maior exportador de trigo, a Ucrânia, informou que o governo deve suspender quaisquer restrições à exportação de trigo e que os embarques devem recomeçar em meio aos altos estoques domésticos, apesar dos problemas de infraestrutura causados pelo conflito.

Na sessão seguinte, de quinta-feira (7), predomina o movimento de queda de preços no mercado de trigo, com uma amplitude maior, passando de -0,9%, para -1,8%. Parte considerável decorre da queda nas vendas dos EUA, dado que os valores continuam pouco competitivos e isso se refletiu no baixo volume de vendas reportado pelo USDA, na ordem de156 mil toneladas de trigo (-24% em relação a média dos último três anos).

Foram divulgados os dados de inspeções de exportações, na semana encerrada no dia 7 de abril, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), em que registraram um total de US¢ 411,012 mil toneladas embarcadas de trigo, o que representa uma variação semanal positiva de 29%, na ordem de aproximadamente 93 mil toneladas.

 

Vendas de Exportação Semanais - EUA (mil toneladas)
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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
 

Apesar do cenário de queda ao longo de quarta e quinta, a sexta-feira (8) encerrou a semana em alta, refletindo os dados de estimativas de oferta e demanda global do USDA,  que indicaram com mais firmeza como será a reconfiguração dos fluxos comerciais em meio à guerra em andamento no Mar Negro.

As exportações seguem como as mais baixas desde 2015/16 para os EUA, que se concretizando, serão da ordem de 21,36 milhões de toneladas, 410 mil toneladas abaixo da estimativa anterior. No cenário internacional, o relatório WASDE seguiu chamando a atenção para fatores altistas. Antes do conflito entre Rússia e Ucrânia, a estimativa era de que a Ucrânia iria exportar 24 milhões de toneladas, enquanto a Rússia se comprometeria com 35 milhões. Entretanto, com o avanço do conflito, a expectativa caiu para 19 e 33 milhões de toneladas, respectivamente, uma redução de 12% no valor agregado. Para saber mais sobre as principais revisões do WASDE, acesse aqui a matéria especial dessa semana.

União europeia

Nos quatro primeiros dias da semana passada, os futuros do trigo negociados na bolsa de Paris atuaram em estabilidade, com o contrato com vencimento em maio/22 mantendo-se muito próximo dos EUR 364,00/t. Apenas na sexta-feira (8) que o complexo apresentou maior volatilidade, com os ganhos de 2,5% levando esse mesmo ativo para os EUR 372,75/t. Esse salto foi resultado da divulgação do relatório de oferta e demanda do USDA, que mostrou estoques globais menores do que o esperado e diminuição do volume de exportação proveniente da Ucrânia.

Em um contexto mais amplo, os preços do trigo no mercado europeu estão menos voláteis e sem uma clara tendência de alta desde o dia 11 de março, mantendo-se entre EUR 360/t e EUR 380/t. De modo geral, o mercado entendeu que a perspectiva de diminuição da oferta global de trigo foi precificada e ajustada depois das duas primeiras semanas de guerra na Ucrânia, o que fez com que os grandes saltos e correções típicos do início de março deixassem de existir. Tomando como referência o preço contínuo atual na MATIF e comparando-o com a cotação registrada no dia 16 de fevereiro, dia imediatamente anterior ao início do rally do trigo, o grão tem uma valorização de 41,7%.

Além da questão dos preços, algumas atualizações importantes foram divulgadas nos últimos sete dias. Ainda sobre o relatório WASDE do USDA, ele reduziu em 0,58 milhão de toneladas as estimativas de produção e em 3 milhões de toneladas as expectativas de exportação da União Europeia.

Essas importantes diminuições, em especial nos números de vendas no mercado internacional, refletem o novo cenário que se estabeleceu com o início da guerra na Ucrânia. Frente às incertezas, diversos países membros do bloco econômico colocaram barreiras para as exportações de trigo, visando garantir a oferta doméstica. Com isso, as vendas da União Europeia recuaram para volumes ínfimos nas últimas semanas. Por exemplo, na última divulgação, referente à 40ª semana do ano safra, as exportações de trigo soft do bloco econômico totalizaram apenas 174,3 mil toneladas.

Na semana equivalente dos ciclos 2019/20 e 2020/21, as comercializações foram de 707,3 mil e 458,4 mil toneladas, respectivamente.
Outra atualização importante da última semana diz respeito à qualidade da safra francesa de inverno. Pelas estimativas do FranceAgriMer, 92% do trigo estava em boas ou ótimas condições no dia 4 de abril, valor bastante elevado. Dado que cerca de 25% das exportações da União Europeia provêm da França, esse número serve como um bom parâmetro para a safra do bloco como um todo, indicando forte produção

Por fim, mexeu com as perspectivas de longo prazo do trigo europeu a primeira estimativa da Comissão Europeia para a safra 2022/23. A produção de trigo soft ficou em 131,3 milhões de toneladas, volume maior que as 130,0 milhões estimadas para 2021/22. O dado que mais chamou a atenção, entretanto, foi o referente às exportações. Argumentando que a guerra na Ucrânia afetará significativamente a capacidade de exportação desse país, a Comissão estimou as vendas da UE no mercado internacional em 40 milhões de toneladas, volume 7 milhões de toneladas maior que o estimado para 2021/22.

 

Intraday | Preço contínuo – Paris (EUR/tonelada)
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Fonte: Euronext. Elaboração: StoneX.
RÚSSIA E UCRânia
No início de abril, consultorias agrícolas sediadas na Rússia divulgaram que o volume de exportação de trigo do país eslavo não havia sofrido como esperavam os Estados Unidos e seus aliados no momento em que foram impostas as sanções. Segundo a ProZerno, as vendas em março no mercado internacional totalizaram 1,7 milhão de toneladas, volume bastante expressivo. Em boa medida, isso aconteceu porque uma parcela significativa dos compradores de trigo russo estão localizados no Oriente Médio expandido, região pouco alinhada às democracias liberais da América do Norte e da Europa.
Frente a essa normalidade no comércio de trigo nos portos russos do mar Negro, o USDA não cortou sua estimativa de exportação para a Rússia em seu relatório de abril. Na realidade, ocorreu o contrário, com o Departamento norte-americano agora estimando que 33 milhões de toneladas deixarão o país em 2021/22, frente a expectativa anterior de 32 milhões.
Na Ucrânia, por outro lado, os exportadores estão encontrando grandes dificuldades. O porto de Kherson já foi tomado por tropas russas e o de Mariupol está prestes a enfrentar o mesmo destino. Outras importantes cidades portuárias, com o grande exemplo sendo Odessa, estão sob controle do governo em Kiev, mas enfrentam problemas logísticos que praticamente impossibilitam o uso de sua infraestrutura.
Frente a esse cenário, as vendas ucranianas de grãos no mercado internacional em março foram quatro vezes menores que as registradas em fevereiro, segundo informação do ministro da economia, Serhiy Marchenko. Em especial para o trigo, as vendas foram de apenas 309 mil toneladas. Assim, entende-se porque o USDA cortou as estimativas de exportação da Ucrânia, que agora totalizam apenas 19 milhões de toneladas. Antes do início da guerra, o país já havia comercializado 17,8 milhões de toneladas e esperava-se que até o fim do ano agrícola, em junho, as vendas fossem de 24,0 milhões.
Rússia - 12,5% | Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
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Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.
TRIGO NOS MERCADOS FUTUROS DOS EUA
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
 

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7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

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