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Resumo Semanal de Trigo

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Mercado futuro de trigo tem uma semana de queda nos preços na Bolsa de Chicago
 
Nuria Brito
nuria.brito@stonex.com
Felipe Sawaia
fatores baixistas
  • Boas condições das lavouras europeias;
  • Vendas de exportação estadunidenses abaixo da média;
  • Avanço do plantio da safra de inverno nos EUA.
 
fatores altistas
  • Condições desfavoráveis para o clima da safra 2022/23 nos EUA;
  • Conflito entre Rússia e Ucrânia;
  • Redução da estimativa de exportação de grãos da Rússia e Ucrânia;
  • Sanções ao comércio internacional da Rússia;
  • Estimativas de redução da área de plantio para a safra 2022/23 da Argentina.
 
 
ESTADOS uNIDOS

O mercado futuro de trigo iniciou a semana com sútil queda, o que se intensificou ao longo dos dias seguintes, levando os preços a uma variação semanal de -2,8% na Bolsa de Chicago, para o contrato de maio/22. Na segunda-feira (18), o contrato fechou a US¢ 1.120/bu, uma queda diária de 2,15% em relação a sessão principal anterior. Os dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, em inglês) indicaram o percentual bom/excelente em 30%, redução de 2 pontos percentuais em comparação com a semana anterior. Quanto ao progresso do plantio de primavera, 17% da área esperada já foi plantada, o que representa 1% a menos que a média dos últimos cinco.

Além disso, as inspeções de exportação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), encerradas na quinta-feira (14) indicaram pequeno aumento em relação ao mesmo período no ano anterior, uma variação positiva de 3%, equivalente a 13 mil toneladas.

 

Intraday | Preço Maio/22 – Chicago (USD cents/bushel)
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.

Na terça-feira (19), o trigo para o contrato de maio/22 caiu para US¢ 1.096,25/bu na sessão principal da CBOT. Os preços FOB russos seguem muito abaixo dos demais preços. Os valores do trigo HRW FOB dos EUA estavam USD 94,5 acima do russo. Assim, o trigo russo pode chegar ao Ocidente mais barato que o trigo americano, caso os países dispensem as incertezas impostas a partir das sanções que afetam o comércio da Rússia.

Na quarta-feira (20), o mercado segue a tendência do início da semana e tem mais um dia com redução dos preços. No fim do período, o contrato para maio/22 era negociado a US¢ 1.093/bu. Apesar de muitos fundamentos altistas, os especuladores parecem aguardar maiores resoluções acerca do conflito no Mar Negro e o avanço do plantio nos EUA. Por um lado, as perspectivas para os grãos da Ucrânia são incertas, com áreas de conflito cobrindo cerca de 10-20% da região de trigo. Por outro, nos EUA, as condições boas/excelentes de plantio estão muito abaixo no comparativo anual. Outro fator altista, agora no hemisfério sul, foi o indicado pela bolsa de Buenos Aires, em que se estima uma área de trigo de 2022/23 menor à do ano passado, em 6,5 milhões de hectares (uma redução de 200 mil hectares).

Na quinta-feira (21), os dados de vendas dos EUA continuaram indicando ritmo lento de exportações, assim como visto para soja e milho. Na semana encerrada na quinta-feira (14), foi registrado o menor nível de exportações dos EUA para trigo no ano comercial, de acordo com o USDA. Foram negociadas 26,3 toneladas, o que representa uma queda de 73% em relação à semana anterior. O México comprou 90,5 toneladas de trigo, o Haiti 27,0 toneladas, Gana 26,0 toneladas, Camarões 23,0 toneladas e a Itália 15,0 toneladas. Tal cenário foi capaz de influenciar uma amplitude maior na queda dos preços, em que o fechamento registrado foi na CBOT a US¢ 1.068/bu, uma variação diária negativa de 2,31%.

Vendas de Exportação Semanais - EUA (mil toneladas)
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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.

A semana se encerra na sexta-feira (22) com movimentos mais contidos, mas ainda com variação negativa de 0,5% na Bolsa de Chicago para o contrato de maio/22. O valores FOB dos EUA seguem bastante acima dos demais portos e se este cenário continuar, os preços FOB da Rússia estão perto de se tornar o trigo mais barato do mundo.

União europeia

Na semana compreendendo o intervalo que vai de 18 a 22 de abril, os futuros do trigo negociados na bolsa de Paris apresentaram baixa variação, porém com um pequeno predomínio da tendência de alta. De maneira resumida, eles tiveram perdas mínimas na terça (19) e na quarta-feira (20) e ganhos pequenos nas duas últimas sessões. No agregado do período, o contrato com vencimento em maio/22 valorizou 1,5%, com a baixa volatilidade refletindo a falta de grandes manchetes. Ele ficou cotado a EUR 407,00/t, renovando a máxima histórica. Lembrando que as bolsas europeias não funcionaram na segunda-feira (18) devido ao feriado da Páscoa.

Apesar de não ter tido grande impacto na bolsa, uma questão que vem chamando a atenção no mercado da União Europeia são os baixos volumes de exportação. A última divulgação da Comissão Europeia mostrou que foram embarcadas apenas 154,6 mil toneladas de trigo soft nos sete dias encerrados em 17 de abril. Em semana equivalente de 2020 e 2021, as exportações foram de 795,2 mil e 656,7 mil toneladas, respectivamente, volume muito mais significativo que o da atual temporada. Nesse sentido, não vem se consolidando a expectativa de que a guerra na Ucrânia aumentaria a demanda pelo produto europeu. Em sua última estimativa, a Comissão Europeia colocou as exportações para a safra 2021/22 em 33 milhões. Com 42 semanas transcorridas e faltando apenas 11, deixaram os portos da União Europeia somente 21,3 milhões de toneladas. Portanto, é possível que o órgão europeu reveja suas estimativas na divulgação de maio.

Para a safra seguinte, a 2022/23, a expectativa da Comissão Europeia é que a UE exporte 40 milhões de toneladas, estimativa ainda mais ambiciosa. No que depender da qualidade da safra, é possível que esse volume seja atingido. Em sua atualização semanal, o FranceAgriMer divulgou que 91% das lavouras de trigo soft da França estavam em ótimas/boas condições até o dia 18 de abril, porcentagem 1% menor que a da divulgação anterior, mas ainda bastante elevada. No mesmo momento do ciclo passado, por exemplo, 85% da safra estava em ótimas/boas condições.

 

Intraday | Preço contínuo – Paris (EUR/tonelada)
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Fonte: Euronext. Elaboração: StoneX.
RÚSSIA E UCRânia

Na semana passada, a invasão russa à Ucrânia entrou em uma nova fase. Se em um primeiro momento a ofensiva russa se concentrou em Kiev, oficiais de ambos países afirmaram que a partir do dia 19 de abril as atenções se voltaram para a região leste da Ucrânia. Mais tarde na semana, o Ministério da Defesa da Rússia anunciou os objetivos do país nessa segunda fase da invasão, sendo eles o controle de todo o leste e sul ucraniano. Com isso, se almeja criar um corredor que conectará a Crimeia e a região separatista da Moldávia de Trans-Dniester ao próprio território russo. Frente a esse escalonamento e à continuidade das agressões, as tratativas de paz se encontram totalmente paralisadas, tornando mais distante a possibilidade do fim do conflito.

Tal conjuntura mantém o mercado de trigo do mar Negro sob constante tensão. Em sua última divulgação, referente ao dia 20 de abril, o índice de preços FOB organizado pela bolsa de Moscou mostrou que o embarque de uma tonelada de trigo nos portos russos do mar Negro está custando USD 370,20, uma valorização de 7,9% desde o final de março.

Entretanto, mesmo com esses ganhos, o trigo russo ainda é um dos mais atraentes no mercado internacional. Nos principais portos europeus, por exemplo, com destaque para os franceses, alemães e bálticos, o preço FOB da tonelada do trigo beira os USD 450,00, valor mais de 20% maior que o ofertado pelos produtores russos.

Com isso, as exportações do país eslavo seguem em ritmo bastante elevado, mesmo com as sanções ocidentais. Não é possível ter acesso aos dados oficiais do governo, já que eles pararam de ser publicados a fim de, segundo os russos, evitar especulações. Entretanto, a consultoria Sovecon divulgou que nas últimas três semanas foram exportadas 400 mil, 630 mil e 590 mil toneladas de trigo, volumes bastante significativos. Uma outra fonte, a Argus Media, relatou que os line-ups nos portos da Rússia mostram o embarque de 3,15 milhões de toneladas em um total de 35 navios somente em abril, volume 23% maior que a média dos últimos cinco anos para esse mês. Os principais compradores, segundo essa fonte, seriam Turquia e Irã, com compras de 901 mil e 588 mil toneladas, respectivamente. A Sovecon estima as exportações russas em 2021/22 em 33,9 milhões de toneladas.

Para a safra 2022/23, os prognósticos russos são bastante positivos. As lavouras de inverno se encontram em excelentes condições, se beneficiando de um clima ameno e úmido. E a produção de primavera, ainda nos estágios iniciais de plantio, também não enfrenta problemas, com a Sovecon estimando que 1,8 milhões de hectares foram plantados até o dia 19 de abril. Assim, as principais consultorias agrícolas russas, Sovecon e IKAR, anunciaram aumentos em suas estimativas para o próximo ciclo, com as estimativas de produção ficando em 83,5 e 87,4 milhões de toneladas, respectivamente. Algumas fontes chegam a dizer que a Rússia produzirá 90 milhões de toneladas, volume bastante superior às 76 milhões de 2021/22 e que se constituiria como recorde.

Frente a esse grande volume de produção, a Sovecon estima exportações significativas de 41,0 milhões de toneladas para o próximo ciclo. Além das boas condições das lavouras, contribuem para esse prognóstico otimista os estoques elevados (cerca de 13 milhões de toneladas), as perspectivas pessimistas para a colheita de países concorrentes (com destaque para a seca que aflige os campos indianos e norte-americanos) e os preços competitivos praticados pelos exportadores do país.

Na Ucrânia, há pouco para ser relatado. As exportações por via marítima seguem bastante prejudicadas pela guerra, enquanto as por meio terrestre são ineficientes e pouco exploradas. Acredita-se que a safra de inverno esteja em boas condições, mas não se sabe se existirão condições para que ocorra uma condução normal do processo de colheita. Sobre a produção de trigo de primavera, ela é irrelevante nos campos ucranianos.

Rússia - 12,5% | Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
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Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.
TRIGO NOS MERCADOS FUTUROS DOS EUA
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
 

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7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

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