Na semana que se estendeu do dia 25 ao 29 de abril, os futuros do trigo negociados na bolsa de Paris variaram em conjunto com Chicago, seguindo os fundamentos da safra norte-americana. Dessa maneira, as sessões de segunda, quarta e quinta-feira foram de baixa volatilidade; a de terça foi de ganhos importantes, impulsionados pela redução da estimativa de qualidade da safra de inverno dos Estados Unidos; enquanto que a de sexta-feira foi de desvalorizações significativas, com as chuvas que caíram na região sul das Grandes Planícies norte-americanas trazendo a perspectiva de aprimoramento das lavouras. Ao final do período, o contrato com vencimento em maio/22 ficou cotado a EUR 400,75/t, uma desvalorização de 1,6%. Dessa maneira, o trigo europeu deixou de estar em seu patamar mais elevado da história.
Além das questões diretamente relacionadas com as cotações na bolsa, uma série de importantes atualizações foram divulgadas na última semana, trazendo importantes perspectivas para a safra atual (2021/22) e a seguinte (2022/23).
Talvez a mais importante delas tenha sido o relatório MARS, boletim mensal feito pela Comissão Europeia e que trouxe as condições da safra de trigo em todo o continente europeu. Segundo ele, o cereal de inverno está com boa qualidade na maioria dos principais países produtores, com bom desenvolvimento dos grãos na França (cerca de 27% da produção), na Alemanha (16%) e na Polônia (9%). Entretanto, alguns países do segundo escalão - caso da Romênia (8%), Espanha (6%) e Itália (5%) - estão enfrentando condições mais secas do que o normal, o que deve impactar a safra.
Frente a isso, o relatório trouxe uma pequena revisão na produtividade das lavouras de inverno 2022/23. Segundo a estimativa, os agricultores europeus produzirão 5,74 toneladas de trigo por hectare, valor sensivelmente menor que os 5,80 t/ha trazidos pelo relatório de março. Mesmo assim, essa produtividade ainda se encontra acima da média dos últimos cinco anos (5,62 t/ha), reflexo das boas condições do trigo na maior parte da União Europeia.
Outra atualização importante, também feita pela Comissão Europeia, ocorreu nas estimativas para as safras 2021/22 e 2022/23 de trigo soft. Para a atual, manteve-se o número de 130,0 milhões de toneladas. Para a nova, ocorreu uma redução de 0,9% que pressionou o total para 130,1 milhões de toneladas, tornando praticamente equivalentes o volume das safras. Esse corte provavelmente decorreu da redução da produtividade trazida pelo boletim MARS.
Os números de exportação também foram atualizados. A Comissão manteve as exportações em 2022/23 em 40,0 milhões de toneladas, mas corrigiu as vendas do ano atual em 1 milhão, reduzindo o total para 32 milhões. Esse movimento decorre dos fracos volumes de embarque nas últimas semanas, significativamente menores que os das safras anteriores. Nos sete dias encerrados em 26 de abril, por exemplo, as exportações de trigo soft totalizaram apenas 213 mil toneladas; nas semanas equivalentes de 2019/20 e 2020/21, os volumes foram de 1,145 milhão e 334 mil toneladas, respectivamente.
No momento, os principais exportadores de trigo soft são França (30,7%), Romênia (26,9%) e Alemanha (14,1%). Entre os destinos, destaque para Argélia (14,7%), Egito (10,9%) e China (9,7%). Transcorridas 43 semanas, deixaram os portos europeus 21,6 milhões de toneladas. Portanto, em apenas 10 semanas os exportadores do país precisam vender 10,4 milhões de toneladas para alcançar o volume estimado pela Comissão Europeia.