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Resumo Semanal de Trigo

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Bolsa de Chicago tem mais uma semana de queda nos preços para o mercado de trigo
 
fatores baixistas
  • Vendas de exportação estadunidenses abaixo da média;
  • Avanço do plantio da safra de inverno nos EUA.
 
fatores altistas
  • Condições desfavoráveis para o clima da safra 2022/23 nos EUA;
  • Conflito entre Rússia e Ucrânia;
  • Redução da estimativa de exportação de grãos da Rússia e Ucrânia.
 
 
ESTADOS uNIDOS

O mercado futuro de trigo iniciou a semana em queda, o que oscilou ao longo dos dias seguintes, mas no comparativo semanal representou uma variação de -2% na Bolsa de Chicago, para o contrato de julho/22. Na segunda-feira (25), o contrato fechou a US¢ 1.061/bu, uma queda diária de 0,34% em relação a sessão principal anterior.

Os dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, em inglês) indicaram uma deterioração do percentual bom/excelente, como pode ser visto no novo painel de acompanhamento de safra, as condições caíram para 27%, redução de 3 pontos percentuais em comparação com a semana anterior. Nos últimos 30 dias, pouca ou nenhuma chuva caiu nas planícies do sul – incluindo quase todo o oeste do Kansas, Oklahoma e Texas. No Kansas, maior produtor de trigo de inverno dos EUA, 67% da região está sofrendo com algum tipo de seca, sendo cerca de 17% uma seca caracterizada como extrema ou excepcional, acima dos 11% da semana anterior. Em Oklahoma, o segundo maior produtor da variedade, cerca de 73% está enfrentando condições de seca. 

Além disso, as inspeções de exportação divulgadas pelo USDA, encerradas na quinta-feira (14) indicaram forte queda em relação ao mesmo período no ano anterior, uma variação negativa de 50%, uma redução equivalente a 283 mil toneladas. Na variação semanal, houve perda de 35,5%, ou seja, 158 mil toneladas. Vale ressaltar que o déficit no acumulado é de cerca de 19% em relação ao comparativo anual, uma vez que foram embarcadas ao total 18,4 milhões de toneladas, abaixo das 22,7 do mesmo período no acumulado do ano anterior.

Intraday | Preço contínuo – Chicago (USD cents/bushel)
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.

 

Na terça-feira (26), o trigo para o contrato de julho/22 subiu para US¢ 1.084/bu na sessão principal da CBOT. Os preços FOB russos seguem muito abaixo dos demais preços. Os valores do trigo HRW FOB dos EUA estavam USD 90 acima do russo. Assim, o trigo russo pode chegar ao Ocidente mais barato que o trigo americano, caso os países dispensem as incertezas impostas a partir das sanções que afetam o comércio da Rússia. A Ucrânia atualizou suas estimativas para safra 2021 com o trigo abaixo do estimado pelo USDA, em 32,5 milhões de toneladas. A consultoria APK-Inform aumentou em 2 milhões sua estimativa para a safra de trigo, totalizando 16,96 milhões de toneladas em 2022.

Na quarta-feira (27), o mercado segue a tendência do início da semana e tem mais um dia com redução dos preços. No fim do período, o contrato para julho/22 era negociado a US¢ 1.079,25/bu. Apesar do cenário altista em termos de fundamentos, especuladores realizam lucros obtidos nas sessões anteriores e aguardam maiores informações do mercado para se posicionarem. 

Na quinta-feira (28), os dados de vendas dos EUA continuaram indicando ritmo lento de exportações. Na semana encerrada na quinta-feira (21), foram registradas 32,33 mil toneladas, o que representa um sútil aumento semanal 5,8 mil toneladas, o que representa no comparativo com a média dos últimos 3 anos uma variação negativa de 88%. O México comprou 42,4 mil toneladas, Taiwan 33 mil toneladas, a República Dominicana 23 mil toneladas, a Costa Rica comprou 14,7 mil toneladas e o Chile 7 mil toneladas.

Vendas de Exportação Semanais - EUA (mil toneladas)
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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.

A semana se encerra na sexta-feira (29) com os preços despencando na Bolsa de Chicago para o contrato de julho/22. A Comissão Europeia alterou sua estimativa para a colheita de trigo em 2022/23, em que a perspectiva para produção utilizável de trigo mole na temporada 2022/23 foi reduzida para 130,1 milhões de toneladas, frente as 131,3 milhões de toneladas anteriormente. Entretanto, manteve sua projeção de exportações recordes da União Europeia, em contrapeso a redução do fornecimento da Ucrânia.

EUROPA

Na semana que se estendeu do dia 25 ao 29 de abril, os futuros do trigo negociados na bolsa de Paris variaram em conjunto com Chicago, seguindo os fundamentos da safra norte-americana. Dessa maneira, as sessões de segunda, quarta e quinta-feira foram de baixa volatilidade; a de terça foi de ganhos importantes, impulsionados pela redução da estimativa de qualidade da safra de inverno dos Estados Unidos; enquanto que a de sexta-feira foi de desvalorizações significativas, com as chuvas que caíram na região sul das Grandes Planícies norte-americanas trazendo a perspectiva de aprimoramento das lavouras. Ao final do período, o contrato com vencimento em maio/22 ficou cotado a EUR 400,75/t, uma desvalorização de 1,6%. Dessa maneira, o trigo europeu deixou de estar em seu patamar mais elevado da história.
Além das questões diretamente relacionadas com as cotações na bolsa, uma série de importantes atualizações foram divulgadas na última semana, trazendo importantes perspectivas para a safra atual (2021/22) e a seguinte (2022/23).

Talvez a mais importante delas tenha sido o relatório MARS, boletim mensal feito pela Comissão Europeia e que trouxe as condições da safra de trigo em todo o continente europeu. Segundo ele, o cereal de inverno está com boa qualidade na maioria dos principais países produtores, com bom desenvolvimento dos grãos na França (cerca de 27% da produção), na Alemanha (16%) e na Polônia (9%). Entretanto, alguns países do segundo escalão - caso da Romênia (8%), Espanha (6%) e Itália (5%) - estão enfrentando condições mais secas do que o normal, o que deve impactar a safra.

Frente a isso, o relatório trouxe uma pequena revisão na produtividade das lavouras de inverno 2022/23. Segundo a estimativa, os agricultores europeus produzirão 5,74 toneladas de trigo por hectare, valor sensivelmente menor que os 5,80 t/ha trazidos pelo relatório de março. Mesmo assim, essa produtividade ainda se encontra acima da média dos últimos cinco anos (5,62 t/ha), reflexo das boas condições do trigo na maior parte da União Europeia.

Outra atualização importante, também feita pela Comissão Europeia, ocorreu nas estimativas para as safras 2021/22 e 2022/23 de trigo soft. Para a atual, manteve-se o número de 130,0 milhões de toneladas. Para a nova, ocorreu uma redução de 0,9% que pressionou o total para 130,1 milhões de toneladas, tornando praticamente equivalentes o volume das safras. Esse corte provavelmente decorreu da redução da produtividade trazida pelo boletim MARS.

Os números de exportação também foram atualizados. A Comissão manteve as exportações em 2022/23 em 40,0 milhões de toneladas, mas corrigiu as vendas do ano atual em 1 milhão, reduzindo o total para 32 milhões. Esse movimento decorre dos fracos volumes de embarque nas últimas semanas, significativamente menores que os das safras anteriores. Nos sete dias encerrados em 26 de abril, por exemplo, as exportações de trigo soft totalizaram apenas 213 mil toneladas; nas semanas equivalentes de 2019/20 e 2020/21, os volumes foram de 1,145 milhão e 334 mil toneladas, respectivamente.

No momento, os principais exportadores de trigo soft são França (30,7%), Romênia (26,9%) e Alemanha (14,1%). Entre os destinos, destaque para Argélia (14,7%), Egito (10,9%) e China (9,7%). Transcorridas 43 semanas, deixaram os portos europeus 21,6 milhões de toneladas. Portanto, em apenas 10 semanas os exportadores do país precisam vender 10,4 milhões de toneladas para alcançar o volume estimado pela Comissão Europeia.

Intraday | Preço contínuo – Paris (EUR/tonelada)
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Fonte: Euronext. Elaboração: StoneX.
MAR NEGRO
Na última sexta-feira (29), o ministro da agricultura da Ucrânia anunciou a volta da publicação dos dados de exportação. Na primeira divulgação desde o início da guerra, foi revelado que os ucranianos exportaram apenas 115 mil toneladas de trigo no mês de abril. Para efeitos de comparação, as vendas na última semana antes do início da invasão foram de 300 mil toneladas.
Como se sabe, esse baixo volume se deve ao bloqueio que a marinha russa impõe aos portos ucranianos do mar Negro, medida que foi adotada logo nos primeiros dias da guerra. Sem possibilidade de escoar sua produção por via marítima, os ucranianos estão sendo obrigados a usar trens ou pequenos portos presentes nos rios, modais significativamente menos eficientes. Vale lembrar que as exportações de trigo da Ucrânia em 2021/22 estavam bastante elevadas, impulsionadas pelos seus preços competitivos em um cenário de oferta global apertada. 
A boa notícia para os exportadores ucranianos é que o governo do país está trabalhando em uma série de acordos que visam permitir a utilização dos portos e da infraestrutura de nações vizinhas. O esforço já rendeu frutos, já que na sexta-feira (29) um cargueiro no porto romeno de Constanta foi embarcado com grãos ucranianos, primeira vez desde o início da guerra, em 24 de fevereiro, que ocorrem exportações ucranianas por via marítima. O fato abre caminho para novas parcerias nesse sentido, o que pode resultar em maiores quantidade de grãos deixando o território ucraniano. O embarque consistiu de 71 mil toneladas de milho.
Na Rússia, a semana foi de poucas novidades no mercado de trigo. Frente a isso, é válido assumir que os exportadores do país seguem vendendo quantidades expressivas do grão, apesar das dificuldades logísticas e de pagamento impostas pelas sanções internacionais. Em grande medida, isso acontece porque os maiores compradores do produto russo são nações não alinhadas ao bloco ocidental liderado pelos Estados Unidos, casos de Turquia e Irã. Outro fator que pesa na manutenção das compras é a falta de opção, já que muitos países dependem da compra de trigo do mar Negro para garantir sua segurança alimentar.
Por fim, vale mencionar os preços competitivos da Rússia, com o trigo do país sendo muito mais barato que o do seu principal concorrente, a União Europeia. No encerramento da semana passada, o preço FOB da tonelada de trigo nos portos da França, da Alemanha e do mar Báltico variavam entre USD 424,00 e USD 435,00; nos portos russos, a cotação era de USD 402,00.
Rússia - 12,5% | Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
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Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.
TRIGO NOS MERCADOS FUTUROS DOS EUA
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
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7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

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