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Resumo Semanal de Trigo

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Condições climáticas nos Estados Unidos e Índia elevam os preços na primeira semana de maio na Bolsa de Chicago
 
fatores baixistas
  • Vendas de exportação estadunidenses abaixo da média;
  • Avanço do plantio da safra de inverno nos EUA.
 
fatores altistas
  • Condições desfavoráveis para o clima da safra 2022/23 nos EUA e Índia;
  • Conflito entre Rússia e Ucrânia;
  • Redução da estimativa de exportação de grãos da Rússia e Ucrânia.
ESTADOS UNIDOS

O mercado futuro de trigo teve a primeira semana de maio registrando uma valorização de 5,1% (US¢ 53/bu) na Bolsa de Chicago para o contrato de julho/22, em relação ao fechamento da sexta-feira anterior. 

Na segunda-feira (2), os dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, em inglês) indicaram estabilidade nas condições da safra de inverno dos Estados Unidos em termos de bom/excelente, como pode ser visto no novo painel de acompanhamento de safra da StoneX. Vale lembrar que hoje (9) serão divulgados novos dados e que o mercado segue refletindo os fundamentos altistas, com expectativa de continuidade para baixo percentual de qualidade da safra. No último mês, pouca ou nenhuma chuva caiu nas Planícies do Sul – incluindo quase todo o oeste do Kansas, Oklahoma e Texas. No Kansas, maior produtor de trigo de inverno dos EUA, 68% da região está sofrendo com algum tipo de seca. Em Oklahoma, o segundo maior produtor da variedade, cerca de 65% está enfrentando condições de seca. 

Além disso, as inspeções de exportação divulgadas pelo USDA, encerradas na quinta-feira (28) indicaram mais uma vez queda em relação ao mesmo período no ano anterior (-28%), mas um aumento na variação semanal (32%). Vale ressaltar que apesar da variação semanal positiva, o déficit no acumulado é de cerca de 19% em relação ao comparativo anual, uma vez que foram embarcadas ao total 18,8 milhões de toneladas, abaixo das 23,2 do mesmo período no acumulado do ano anterior.

Intraday | Preço para o contrato de julho/22– Chicago (USD cents/bushel)
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.

Na terça-feira (3), o trigo para o contrato de julho/22 obteve uma sútil perda de 0,5%, fechando em US¢ 1.047/bu na sessão principal da CBOT. Os preços FOB russos seguem muito abaixo dos demais preços. Os valores do trigo HRW FOB dos EUA estavam USD 62 acima do russo, chegando a uma diferença de USD 90 na sexta-feira. O trigo russo vem ganhando espaço como competidor no Ocidente caso os países dispensem as incertezas impostas a partir das sanções que afetam o comércio da Rússia.

Na quarta-feira (4), o mercado reagiu a notícias de uma possível redução das exportações da Índia, o segundo maior país produtor de trigo mundial. O clima seco e quente registrado ao longo do mês de março e a baixa expectativa de reversão dessas condições climáticas podem prejudicar os rendimentos da safra de trigo indiana, após cinco safras recordes. Nesse sentido, a possibilidade de restrições na exportação viria a fim de proteger o aumento de preços domésticos e assegurar a oferta interna. Se esta expectativa se concretizar, a reconfiguração dos fluxos comerciais irá gerar espaço para novos players e impulsionará os preços. Vale lembrar que a Índia exportou um recorde de 7,85 milhões de toneladas no ano fiscal até março, um aumento de 275% no comparativo anual. Esse movimento refletiu a busca por novos parceiros comerciais após o conflito no Mar Negro.

Na quinta-feira (5), os dados de vendas dos EUA surpreenderam ao indicar um salto nas exportações, mais um fator que impulsionou a alta nos preços registrada ao longo do dia. Na semana encerrada na quinta-feira (28), foram registradas 118,8 mil toneladas, um aumento de 267% no comparativo semanal, da ordem de 86,5 mil toneladas, o que indica no comparativo com a média dos últimos 3 anos uma variação de 53%. O México comprou 88,4 mil toneladas, as Filipinas 58,3 mil toneladas, El Salvador 10,4 mil toneladas, a Coréia do Sul levou 5 mil toneladas e a Colômbia 3,3 mil toneladas.

Vendas de Exportação Semanais - EUA (mil toneladas)
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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.

A semana se encerra na sexta-feira (6) com os preços fechando na Bolsa de Chicago para o contrato de julho/22 em US¢ 1.097/bu. Em termos de fundamentos, o cenário segue altista, com forte preocupação com as condições da safra de inverno e do clima nos Estados Unidos, bem como com a oferta global, sob risco de redução das exportações indianas e sem sinal de solução para a Ucrânia, uma vez que o conflito persiste.

EUROPA

Na semana que se estendeu do dia 2 ao 5 de maio, os futuros do trigo negociados na bolsa de Paris atuaram em alta. Em boa medida, tal movimento foi impulsionado pela conjuntura internacional, com os problemas nas lavouras indianas e norte-americanas e a guerra na região do mar Negro trazendo a perspectiva de uma oferta global mais apertada em 2022/23. Entretanto, o principal fator responsável pelos ganhos foi interno ao continente europeu. Na quinta-feira (4), ganhou grande repercussão uma declaração de que a seca que afeta partes da França produzirá danos irreversíveis para as lavouras, o que acabou impulsionando os futuros do trigo na MATIF. O contrato com vencimento em maio/22 ficou cotado a EUR 406,25/t.

Tal fala, feita por membros da Arvalis (uma organização voltada para pesquisa agronômica aplicada) à Reuters, causou tantos impactos, pois até o momento não haviam indícios de que a safra de inverno francesa estava enfrentando problemas, com todas as análises apontando para um bom desenvolvimento dos grãos. A inesperada estimativa de danos se baseou na previsão de que nenhuma chuva cairá no país nos próximos dez dias e no fato de que em 2022 a França recebeu um volume de chuvas 30% inferior à média dos últimos vinte anos.

Para corroborar as declarações dos agrônomos da Arvalis, na sexta-feira o FranceAgriMer, ministério da agricultura da França, anunciou que a qualidade da safra do país diminuiu 2%. Agora, 89% dos campos estão com qualidade boa/excelente, frente a 91% na divulgação anterior. O volume ainda é bastante elevado. Ano passado, por exemplo, apenas 79% das lavouras estavam em condições boas/excelentes nesse momento da safra. Entretanto, a redução mostra que a seca já estava afetando o trigo mesmo antes do período de dez dias sem nenhuma chuva. Portanto, foi aceso o farol de alerta quanto à safra da União Europeia. Lembrando que no final de abril a Comissão Europeia estimou a produção de trigo soft no bloco econômico em 2022/23 em 130,1 milhões de toneladas.

Além das questões acerca da qualidade da safra, vale olhar para as exportações da União Europeia. Com a redução significativa das vendas ucranianas e com a desvalorização do euro frente ao dólar, esperava-se um grande crescimento da participação do trigo do bloco no mercado internacional. Entretanto, não é isso que se tem observado. Nas últimas semanas, as exportações não têm ultrapassado as 300 mil toneladas, quando no mesmo período em 2021 elas ficavam em torno das 500 mil toneladas e em 2020 se aproximavam das 750 mil. Assim, após começarem o ano-safra de maneira bastante acelerada, as exportações da União Europeia em 2021/22 deverão encerrar o período com volumes menores que os registrados nas safras anteriores.

Até o momento, transcorridas 44 das 53 semanas, deixaram o bloco econômico um total de 21,95 milhões de toneladas de trigo soft. Para o mesmo período de tempo, esse volume era de 22,96 milhões em 2020/21 e de 29,99 milhões em 2019/20. Faltando apenas nove semanas, dificilmente as exportações alcançarão as 32 milhões de toneladas atualmente estimadas pela Comissão Europeia.

Intraday | Preço contínuo – Paris (EUR/tonelada)
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Fonte: Euronext. Elaboração: StoneX.
MAR NEGRO
Nos sete dias encerrados em 6 de maio, algumas atualizações foram feitas acerca dos problemas no mercado de trigo ucraniano. Sobre a safra atual, a grande dor de cabeça segue sendo o escoamento da produção. Com os portos do país bloqueados pela marinha russa desde o início da guerra, em 24 de fevereiro, os exportadores do país tiveram que se virar para encontrar soluções, com a encontrada sendo o transporte por meio de ferrovias. O problema é que novas dificuldades surgiram a partir disso. A principal é que a logística ferroviária não foi feita para receber tantos vagões em um período tão curto de tempo. Passou a existir acúmulos de trens nas fronteiras, trazendo problemas para a Ucrânia e para as nações vizinhas. Frente a isso, o governo em Kiev suspendeu na semana passada o escoamento de grãos para a Polônia e restringiu o comércio com Romênia e Moldávia poucos dias depois.
Assim, sem acesso aos portos e com atrasos nas vendas via ferrovias, a Ucrânia conseguiu exportar apenas 1,0 milhão de toneladas de grãos em abril. Nos meses que precederam a guerra, as vendas ultrapassavam as 6 milhões de toneladas. Segundo informação da área de Alimentação e Agricultura da ONU, existem cerca de 25 milhões de toneladas de grãos na Ucrânia que não conseguem ser escoados.

Já em relação a safra 2022/23, as preocupações se relacionam com o volume de produção. Apesar do plantio ter sido efetuado antes da guerra, o início do conflito impediu a atividade nos campos e deve restringir a colheita em muitas regiões. Recentemente, a Kayrros, uma companhia de análises via satélite, divulgou que a Ucrânia tem o potencial de produzir apenas 21 milhões de toneladas de trigo no próximo ano-agrícola, volume 23% menor que a média dos últimos cinco anos. Ademais, há espaço para que as perdas sejam ainda mais elevadas. Assim, o mercado deve esperar uma importante redução na disponibilidade internacional de trigo em 2022/23.

Na Rússia, as exportações seguem em ritmo acelerado, apesar das sanções impostas pelos países ocidentais. Sobre a safra 2022/23, as perspectivas são bastante otimistas. As consultorias Sovecon e IKAR, por exemplo, estimam que a produção ficará em 83,5 e 87,4 milhões de toneladas, respectivamente, volume bastante acima das 76 milhões produzidas em 2021/22.
Rússia - 12,5% | Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
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Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.
TRIGO NOS MERCADOS FUTUROS DOS EUA
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
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7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

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