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Resumo Semanal de Trigo

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Mercado futuro de trigo encerra mais uma semana em queda após tentativa de acordo para liberação do fluxo comercial de origem ucraniana
 
fatores baixistas
  • Vendas de exportação estadunidenses abaixo da média;
  • Avanço do plantio da safra de inverno nos EUA;
  • Estimativa recorde para a safra 2022/23 da Rússia;
  • Possibilidade de abertura de um corredor comercial no Mar Negro.
     
 
fatores altistas
  • Condições desfavoráveis para o clima da safra 2022/23 nos EUA, Índia e França;
  • Conflito entre Rússia e Ucrânia;
  • Restrições para a exportação da Índia.
ESTADOS UNIDOS

O mercado futuro de trigo iniciou a semana em alta, entretanto, oscilou ao longo dos dias seguintes e no comparativo semanal terminou em uma variação de -1% na Bolsa de Chicago, para o contrato de julho/22. Na segunda-feira (23), o contrato fechou a US¢ 1.193,25/bu, um aumento diário de 2,1% em relação a sessão principal anterior.

Os dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, em inglês) indicaram estabilidade nas condições da safra de inverno dos Estados Unidos, com 28% classificado como bom/excelente até a semana encerrada no domingo (19), aumento de apenas 1 ponto percentual, graças a algumas chuvas registradas durante o final de semana. Para o trigo de primavera, apenas 49% estava em solo, bem abaixo da média de 83% de plantio para este período nos últimos cinco anos. O progresso e as condições de plantio podem ser vistos pelo painel interativo de acompanhamento de safra da StoneX. Vale lembrar que hoje (30) não haverá a divulgação de novos dados pois é feriado nos EUA. 

Além disso, as inspeções de exportação divulgadas pelo USDA, encerradas na quinta-feira (19), indicaram mais uma vez queda em relação ao mesmo período no ano anterior, com 309,5 mil toneladas frente 598,9 na mesma semana de 2021. Vale ressaltar que o déficit no acumulado é de cerca de 21% em relação ao comparativo anual, uma vez que foram embarcadas ao total 19,7 milhões de toneladas, abaixo das 25 milhões de toneladas do mesmo período no acumulado do ano anterior. 

Intraday | Preço para o contrato de julho/22– Chicago (USD cents/bushel)
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.

Na terça-feira (24), o trigo para o contrato de julho/22 caiu para US¢ 1.154,50/bu (-3,25%) na sessão principal da CBOT. A consultoria APK-Inform, localizada nos países que fazem parte da Comunidade dos Estados Independentes (repúblicas que antes integravam a União Soviética), aumentou em 1 milhão sua estimativa para a colheita da safra de trigo de inverno da Ucrânia, que caso se concretize, totalizará 17,1 milhões de toneladas em 2022 (ainda abaixo da projeção do USDA, de 21,5 milhões de toneladas). O incremento na estimativa foi o principal motivador para queda nos preços na sessão principal, uma vez que a possibilidade traria alívio para a oferta global. Ainda no Mar Negro, os preços FOB russos seguem muito abaixo dos demais, como visto pelo trigo HRW FOB dos EUA que estava USD 95 acima do russo. 

Na quarta-feira (25), o mercado segue a tendência de queda e tem mais um dia com redução dos preços. No fim do período, o contrato para julho/22 era negociado a US¢ 1.149,75/bu. Apesar do cenário altista em termos de fundamentos, especuladores realizam lucros obtidos nas sessões anteriores e aguardam maiores informações do mercado para se posicionarem. 

Na quinta-feira (26), os dados de vendas dos EUA continuaram indicando ritmo lento de exportações. Na semana encerrada na quinta-feira (19), foram registradas 246,3 mil toneladas para o ano de comercialização 2022/23, que começará dia 1 de junho. O nível de exportações é semelhante ao da semana anterior, com uma variação negativa de 14%. Para a safra atual, houve maior quantidade de cancelamento de vendas do que propriamente novos compromissos, resultando em -2,317 mil toneladas, o que é comum dado que o ano de comercialização 2021/22 terminará amanhã (31).

Vendas de Exportação Semanais - EUA (mil toneladas)
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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.

A semana se encerra na sexta-feira (27) com os preços em queda no comparativo semanal na Bolsa de Chicago para o contrato de julho/22. O principal fator que pressionou o movimento dos preços foi a possibilidade colocada pelo vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Andrei Rudenko, de um corredor humanitário de passagem de alimentos de origem ucraniana para o comércio internacional. A estimativa é de que cerca de 20 milhões de toneladas de grãos estejam presas na Ucrânia e tal acordo permitiria o carregamento e escoamento de grande volume desta oferta, trazendo alívio para os países importadores principalmente de trigo e milho. Em contrapartida, o governo russo exige a retirada de sanções impostas ao comércio e transações financeiras, além da retirada de explosivos colocados em portos e em via marítima próximos a Ucrânia para a defesa de ataques russos.

EUROPA

Na semana que compreendeu os dias entre 23 e 27 de maio, os futuros do trigo na bolsa de Paris atuaram com bastante volatilidade, movimentando-se em conjunto com os preços em Chicago. No agregado do período, predominou a desvalorização, com os contratos sendo pressionados pela possibilidade da Rússia permitir o escoamento da produção de trigo ucraniana através dos portos no mar Negro. Mais detalhes sobre essa negociação estão presentes na sessão dos Estados Unidos deste relatório. Na sexta-feira (27), o contrato com vencimento em setembro/22 ficou cotado a EUR 415,00/t, desvalorização semanal de 1,37%.

Olhando para as condições do mercado físico europeu, as notícias estão se tornando preocupantes. Na segunda-feira (23), a divulgação do boletim MARS da União Europeia revelou que parcelas significativas do continente sofreram com clima mais seco que o usual ao longo do mês de maio, o que causou danos para as lavouras. Para piorar a situação, as nações recentemente afetadas estão entre as que mais produzem trigo, sendo elas França, Romênia e Bulgária. Frente a isso, a Comissão reduziu sua estimativa de produtividade para 2022/23, ainda que marginalmente, de 5,74 toneladas por hectare (t/ha) para 5,69 t/ha. Para não ocorrer novas reduções, as condições de umidade do solo precisam melhorar ao longo de junho.

Em sua atualização semanal, o Ministério da Agricultura da França corroborou esses resultados trazidos pelo MARS, reduzindo pela terceira semana consecutiva a porcentagem das lavouras do país em condições boas/excelentes. Agora, apenas 69% da safra francesa se encontra nesta condição, parcela significativamente inferior aos 89% de apenas três semanas atrás. A França produz cerca de um quarto da produção da União Europeia

Entretanto, apesar da preocupação trazida pelos números, ainda não há necessidade de pânico. A produtividade de 5,69 t/ha ainda é superior que a média dos últimos cinco anos (5,62 t/ha), mantendo as perspectivas de uma safra robusta. Até o final de maio, a Comissão Europeia divulgará sua atualização mensal de estimativas, o que deve fortalecer ou não a perspectiva de uma safra ainda significativa.

Sobre as exportações, elas seguem em ritmo bastante lento. Nas últimas quatro semanas, deixaram a União Europeia apenas 1,29 milhões de toneladas de trigo soft. Em período equivalente, as vendas em 2021 foram de 1,81 milhões e em 2020 foram de 2,56 milhões. Especula-se que o responsável por esses fracos números é a baixa competitividade do trigo europeu no mercado internacional. Olhando para o preço FOB nos principais portos da França, Alemanha e dos países do Báltico, ele está em torno dos USD 450,00/t. Já na Rússia, principal concorrente, o trigo está sendo negociado por USD 425,00/t. No agregado do ano-safra 2021/22, a União Europeia já exportou 24,13 milhões de toneladas. Faltando apenas sete semanas para o início de 2022/23, dificilmente serão alcançadas as 32,0 milhões de toneladas atualmente estimadas pela Comissão Europeia.

Intraday | Preço contínuo – Paris (EUR/tonelada)
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Fonte: Euronext. Elaboração: StoneX.
MAR NEGRO

No dia 25 de maio, um funcionário do alto escalão do ministério das Relações Exteriores da Rússia, Andrei Rudenko, afirmou que seu país estaria disposto a aceitar a proposta da Organização das Nações Unidas (ONU) da criação de um corredor para as exportações ucranianas, passando a permitir o escoamento de grãos através do mar Negro. Em troca, entretanto, as nações ocidentais teriam que levantar pelo menos parte das sanções impostas à Rússia e a marinha ucraniana teria que retirar as minas que ela colocou em torno do porto de Odessa. Frente ao complicado cenário que emergiu no extremo leste europeu a partir do início da guerra, é necessário voltar alguns passos para entender como e por que se desenhou essa situação. 

Desde o dia 24 de fevereiro, primeiro dia da invasão russa, os ucranianos se viram impossibilitados de usar seus portos no mar de Azov e no mar Negro, já que eles passaram a estar bloqueados pela marinha russa. Tal medida afetou diretamente o mercado mundial de grãos, pois 98% das cerca de 6 milhões de toneladas que deixavam o país mensalmente eram exportadas por via marítima. Assim, de uma hora para outra, uma série de países, em especial no Oriente Médio e no Norte da África, se viram sem acesso ao seu principal fornecedor de alimentos. 

Com o passar do tempo, os ucranianos começaram a abrir rotas alternativas. Parte dos grãos começou a ser exportada via rodovias. Outra, mais significativa, passou a deixar o país via trens. E uma terceira modalidade foi o uso de pequenos portos existentes nos rios. Todas essas alternativas, entretanto, são limitadas por importantes problemas. Para as rotas rodoviárias, simplesmente não existe infraestrutura para exportar quantidades significativas. O uso de trens é limitado porque o tamanho dos trilhos ucranianos é diferente dos de seus vizinhos. Assim, quando o grão chega na fronteira, ele tem que ser descarregado e colocado nos vagões de um outro trem, tornando o processo lento e custoso. E o uso dos portos em rios envolve levar o grão até o rio Danúbio, na Romênia, de onde posteriormente ele tem que ser colocado em barcaças para então chegar ao porto marítimo de Costanza, também um processo caro e demorado. Assim, apesar das exportações terem crescido de 300 mil toneladas de grãos em março, para 1,0 milhão em abril e, possivelmente, 1,5 milhão em maio, o volume segue significativamente abaixo das 6,0 milhões registradas antes da guerra.

Frente a essa diminuição na oferta, a Organização das Nações Unidas (ONU) passou a observar um crescimento da fome, principalmente nos países pobres do Norte da África, onde a população não consegue arcar com o encarecimento da pouca mercadoria disponível. Assim, se tornou uma prioridade para a ONU a resolução da questão ucraniana. Ainda mais porque o período de colheita das lavouras de trigo (julho) e milho (agosto) do país eslavo está se aproximando, sendo necessário vender a safra antiga para abrir espaço nos silos para a nova. No momento, a consultoria APK-Inform estima que 20 milhões de toneladas de grãos estão prontas para exportação, com outras 40 milhões podendo estar a partir da colheita da nova safra.

A solução proposta pela ONU foi o estabelecimento de corredores de exportação através do mar Negro. Nesse possível acordo, a Rússia passaria a permitir o escoamento dos grãos da Ucrânia e, em troca, os países ocidentais retirariam as sanções atualmente impostas às exportações russas de fertilizantes - o que também ajudaria na crise mundial de alimentação. O problema é que para a Rússia tal proposta é muito pouco atraente. Em primeiro lugar, porque o país compete diretamente com a Ucrânia no mercado de grãos. Nesse sentido, a ausência de seu principal oponente em um cenário de preços mais elevados é bastante benéfico. E em segundo, porque os russos estão conseguindo exportar fertilizantes mesmo com as sanções ocidentais, embora em quantidades menos significativas.

Assim, as declarações do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, no dia 25 de maio, acontecem no sentido do país usar a crise mundial de alimentos como poder de barganha para melhorar sua situação. Ou seja, foi visando um acordo mais favorável que o proposto pela ONU que os russos pediram o fim de uma série de sanções - e não só as que incidem sobre a exportação de fertilizantes - e a remoção das minas na região do porto de Odessa. 

Tal declaração teve impacto nas bolsas de Chicago e Paris, mas não tão significativo quanto se poderia esperar. Isso porque o mercado entende que a chance de acontecer a implementação do corredor de exportações é bastante baixa, pelo menos no curto prazo. Por um lado, porque é pouco provável que as nações do Ocidente aceitem a coerção russa e retirem suas sanções. Inclusive, muitas lideranças já deram declarações negando tal possibilidade. Por outro, porque a retirada das minas que atualmente defendem o porto de Odessa não é uma opção para os ucranianos. Sem elas, uma invasão híbrida russa se torna bastante provável. Assim, embora autoridades turcas tenham alegado que estão em conversas com russos e ucranianos, não parece que as negociações levarão a lugar algum.

Em território russo, as condições para a safra 2022/23 seguem bastante promissoras. Com condições climáticas favoráveis, o trigo de inverno se encontra em ótima condições e o plantio do trigo de primavera caminha de acordo com o planejado. Na última atualização governamental, 80% dos 10,4 milhões de hectares planejados já estavam plantados. Segundo estimativa da Reuters, os agricultores russos produzirão 86,9 milhões de toneladas, bastante acima das 76 milhões registradas em 2021/22. 

Por fim, sobre as exportações de trigo, elas seguem em ritmo expressivo, apesar das sanções. Em maio, elas caminham para totalizar 1,2 milhões de toneladas. Para junho, a estimativa é de 1,0 milhão.

Rússia - 12,5% | Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
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Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.
TRIGO NOS MERCADOS FUTUROS DOS EUA
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