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Resumo Semanal de Trigo

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Bolsa de Chicago volta a apresentar semana de queda nos preços, mas condições climáticas continuam a preocupar o futuro das novas safras
 
fatores baixistas
  • Avanço do plantio da safra de inverno nos EUA;
  • Estimativa recorde para a safra 2022/23 da Rússia;
  • Possibilidade de abertura de um corredor comercial no Mar Negro.
     
 
fatores altistas
  • Condições desfavoráveis para o clima da safra 2022/23 nos EUA, Índia e França;
  • Requisitos para concretização do acordo entre Rússia e Ocidente;
  • Redução das estimativas para a produção da Índia.
ESTADOS UNIDOS

O mercado futuro de trigo encerrou mais uma semana em queda, com uma variação no comparativo semanal de -3,3% na Bolsa de Chicago, para o contrato de julho/22. Na segunda-feira (13), o contrato fechou a US¢ 1.067,75/bu, muito semelhante a sessão principal anterior, já indicando um início de ritmo lento para a semana.

Os dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, em inglês) indicaram mais uma vez estabilidade nas condições da safra de inverno dos Estados Unidos, ao registrar aumento de apenas 1 ponto percentual para as condições boa/excelente, alcançando 31%. Para o trigo de primavera, foram registrados 94% da área plantada, abaixo da média de 99% para este período. Quanto às condições, 54% estavam em termos de bom/excelente, classificação melhor do que a registrada ano passado, de 37%. Vale lembrar que hoje (20) não haverá a divulgação de novos dados pois é feriado nos EUA. 

Além disso, as inspeções de exportação divulgadas pelo USDA, encerradas na quinta-feira (9), indicaram pequena queda em relação ao mesmo período no ano anterior, com 389 mil toneladas frente a 500 mil toneladas na mesma semana de 2021. 

Intraday | Preço para o contrato de julho/22– Chicago (USD cents/bushel)
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.

Na terça-feira (14), o trigo seguiu o movimento de queda para o contrato de julho/22, com variação diária de -2% na sessão principal da CBOT. A principal notícia foi referente ao Mar Negro, em que a resolução do conflito continua fora do horizonte e o Ocidente tenta mediar danos. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou que ajudará a Ucrânia a construir armazéns temporários na fronteira com a Polônia para ajudar a manter os volumes maiores de grãos que não estão sendo direcionados para o comércio internacional. 
Na quarta-feira (15), o mercado ficou estável, com pequenas perdas. Apesar do cenário altista em termos de fundamentos, especuladores aguardavam maior posicionamento do Federal Reserve, referente a taxa de juros.

Na quinta-feira (16), os dados de vendas dos EUA continuaram indicando ritmo lento de exportações. Na semana encerrada na quinta-feira (9), foram registradas 236,9 mil toneladas para o ano de comercialização 2022/23. O nível de exportações está bem abaixo da média dos últimos três anos, equivalente a 326, 5 mil toneladas.

Vendas de Exportação Semanais - EUA (mil toneladas)
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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.

A semana se encerra na sexta-feira (17) com os preços despencando no comparativo semanal na Bolsa de Chicago para o contrato de julho/22. O principal fator que pressionou o movimento dos preços foi a queda nos preços do petróleo, que ajudou o movimento de baixa entre os futuros de grãos. 

O maior exportador global de trigo, União Europeia, divulgou novas classificações de qualidade para seu principal produtor, a França. Segundo o escritório FranceAgriMer, o trigo mole francês sofreu redução de sua classificação em termos de bom/excelente pela sétima semana consecutiva, alcançando 65% da safra nesta condição. Novamente, o clima vem sendo protagonista da deterioração das safras sujeitas a temperaturas altas.

No hemisfério sul, a seca excessiva na Argentina levarou a Bolsa de Grãos de Buenos Aires a reduzir suas estimativas de área cultivada para 6,39 milhões de hectares, frente a previsão anterior de 6,6 milhões de hectares.  Cerca de 47% da safra desta temporada foi plantada, 10 pontos percentuais abaixo do ritmo do ano passado até agora.

EUROPA

Mantendo a tendência que é predominante desde o início do mês, os futuros do trigo atuaram sem direção na bolsa de Paris na semana que se estendeu entre os dias 13 e 17 de junho. A estabilidade foi resultado da ausência de grandes manchetes e, consequentemente, da manutenção do cenário previamente existente. No encerramento do período, o contrato com vencimento em setembro/22 ficou cotado a EUR 391,50/t, uma variação semanal de apenas -0,06%.

Voltando as atenções para as condições das lavouras europeias, a última semana trouxe novos motivos de preocupação para os agricultores do continente. Isso porque a França, principal produtora da região, enfrentou uma precoce onda de calor que deve ter colocado sob ainda mais estresse uma safra que já havia sofrido com seca durante a primavera. Na última divulgação do Ministério da Agricultura do país, referente ao dia 13 de junho, apenas 65% das lavouras estavam em condições ótimas/boas frente a 81% no mesmo período do ano passado. Dada essa recente onda de calor, esse percentual pode ter diminuído ainda mais. 

Além dos problemas climáticos enfrentados pelos agricultores franceses, alguns outros fatores também levam especialistas a estimar que a safra 2022/23 da União Europeia será menor que a 2021/22. Na Romênia e na Bulgária, por exemplo, as lavouras se desenvolvem de maneira satisfatória, mas os rendimentos devem ficar abaixo dos valores históricos alcançados em 2021/22. Já na Espanha e na Itália, os campos enfrentam os mesmos problemas climáticos que atrapalham a produção da França. Assim, em junho, a Strategie Grains estimou que a próxima safra da União Europeia de trigo soft terá um volume total de 124,4 milhões de toneladas, frente a 130,5 milhões na safra atual.

Sobre as exportações do bloco, vale mencionar que elas seguem em ritmo lento e devem ficar abaixo dos volumes atualmente estimados. Faltando apenas três semanas para o encerramento do ano safra 2021/22, deixaram os portos da União Europeia um total de 25,94 milhões de toneladas; em suas últimas divulgações, o USDA e a Comissão Europeia estimaram as exportações em 29,5 e 31,0 milhões de toneladas. Em grande medida, a não realização das estimativas irá ocorrer porque os agentes não souberam ler que a eclosão da guerra na Ucrânia e o consequente aumento significativo na cotação do trigo resultaram na diminuição da demanda pelo grão europeu.

Intraday | Preço contínuo – Paris (EUR/tonelada)
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Fonte: Euronext. Elaboração: StoneX.
MAR NEGRO

Desde que a guerra entre Rússia e Ucrânia eclodiu, ainda no mês de fevereiro, esse conflito e os impactos que ele tem sobre as exportações dos dois países participantes são os principais fatores responsáveis pela variação dos preços do trigo no mercado internacional. Nesta última semana, poucas novidades aconteceram dentro desse contexto: os esforços de guerra seguiram concentrados na cidade de Severodonetsk e esfriaram as conversas diplomáticas acerca de um possível corredor de exportações no mar Negro. Assim, sem grandes notícias, o trigo acabou sendo negociado em estabilidade nas bolsas de Chicago e de Paris.

Sobre a situação das lavouras, os prognósticos russos seguem bastante positivos. A safra de inverno, plantada na região do mar Negro e próxima de ser colhida, se encontra em ótimas condições; e a safra de primavera, plantada na região siberiana, está quase que interia no solo (97%) e deve compreender uma área bastante significativa (13 milhões de hectares). Frente a isso, a consultoria IKAR aumentou suas estimativas para a produção, acreditando agora que os agricultores russos colherão 87,0 milhões de toneladas, um possível recorde. Já na Ucrânia, as expectativas seguem sendo de uma safra entre 18,0 e 20,0 milhões de toneladas, resultando na exportação de 10 milhões de toneladas.

Por fim, vale destacar que está próximo o fim da quota de exportações da Rússia. Instituída com o objetivo de conter a inflação doméstica, ela estabeleceu que entre os dias 15 de fevereiro e 30 de junho apenas 8,0 milhões de toneladas de trigo poderiam deixar o país. A proximidade do teto limitou as exportações do país eslavo agora em junho, mas em julho elas devem voltar a acelerar.

Rússia - 12,5% | Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
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Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.
TRIGO NOS MERCADOS FUTUROS DOS EUA
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7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

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