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Resumo Semanal de Trigo

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Preços no mercado futuro da Bolsa de Chicago sofrem mergulho diante de preocupação com uma possível recessão global
 
fatores baixistas
  • Avanço do plantio da safra de inverno nos EUA;
  • Estimativa recorde para a safra 2022/23 da Rússia;
  • Perspectivas de baixo crescimento da economia mundial. 
     
 
fatores altistas
  • Registros de condições desfavoráveis para o clima da safra 2022/23 nos EUA, Índia e França no início do ano;
  • Requisitos para concretização do acordo entre Rússia e Ocidente.
ESTADOS UNIDOS

O mercado futuro de trigo encerrou mais uma semana em queda, com uma variação no comparativo semanal de surpreendentes -10,7% na Bolsa de Chicago, para o contrato de julho/22. 

Intraday | Preço para o contrato de julho/22– Chicago (USD cents/bushel)
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.

Com uma semana mais curta, o início já foi marcado com queda nos preços desde terça-feira (21), com novas estimativas para o trigo da safra russa sendo novamente elevada. Segundo a consultoria SovEcon, 89,2 milhões de toneladas serão produzidas, dado o aumento na área plantada do trigo de primavera.

Os dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, em inglês) indicaram que o trigo de inverno dos EUA regrediu para 30% em termos de bom/excelente até a semana encerrada no domingo (19), uma queda de 1 ponto percentual frente a semana anterior. Para o trigo de primavera, as classificações para a condição do cereal obtiveram um aumento considerável de 5 pontos percentuais, chegando a 59%. Para maiores detalhes e histórico da evolução da safra americana, veja o Acompanhamento de Safra de Trigo da StoneX.

Além disso, as inspeções de exportação divulgadas pelo USDA, encerradas na quinta-feira (16), indicaram 331,3 mil toneladas embarcadas, frente 411,9 na semana anterior. Para este novo ano comercial que começou no início do mês, foram acumuladas cerca de 970 mil toneladas, pouco abaixo do volume registrado no ano passado da ordem de 1,25 milhão de toneladas.

Na quarta-feira (22), novos dados divulgados pela Bolsa de Cereais de Buenos Aires/Argentina chamaram a atenção do mercado, mas sem impactar o movimento baixista. Novamente as estimativas para a área plantada foram reduzidas, agora se espera que 6,3 milhões de hectares sejam plantados, frente aos 6,4 milhões estimados anteriormente. A projeção reflete a falta de chuvas que afeta há meses algumas áreas produtoras, problema que inclusive vem preocupando produtores em diferentes regiões do mundo.

Na quinta-feira (23), o trigo acompanhou os demais grãos também em queda, num cenário de preocupação generalizada com o baixo crescimento da economia mundial que pode levar a uma desaceleração do consumo de commodities.

A semana se encerra na sexta-feira (24) com os preços despencando no comparativo semanal na Bolsa de Chicago para o contrato de julho/22. Os dados de vendas dos EUA se aproximaram bastante da média histórica dos últimos três anos. Na semana encerrada na quinta-feira (16), foram registradas 477,8 mil toneladas para o ano de comercialização 2022/23. 

Vendas de Exportação Semanais - EUA (mil toneladas)
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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
EUROPA

Assim como aconteceu com o restante das commodities, os futuros do trigo negociados na bolsa de Paris derreteram na semana que se estendeu entre os dias 20 e 24 de junho. O movimento foi resultado do destaque adquirido pela perspectiva de uma recessão econômica global produzindo queda generalizada na demanda mundial. Com essa especulação, o contrato com vencimento em setembro/22 teve perda de 8,37% que o pressionou para os EUR 358,75/ton, menor cotação para o trigo europeu em mais de dois meses.

Além dessa questão da forte desvalorização dos preços, discutida detalhadamente na sessão dos Estados Unidos, ganhou destaque no mercado de trigo da Europa a divulgação do boletim MARS, relatório mensal organizado pela Comissão Europeia que relata as condições das lavouras no continente. Pela terceira divulgação consecutiva, foi reportado clima mais seco que o normal impactando os campos da França, Espanha, Itália, Romênia e Ucrânia, todos importantes países produtores. Para piorar as perspectivas, este último boletim também citou problemas com seca na Alemanha e na Polônia, assim como clima mais frio que o usual na região do mar Báltico. Agora, todas as principais regiões produtoras de trigo da União Europeia já foram negativamente impactadas pelo clima.

Frente a isso, a Comissão reduziu novamente sua estimativa de produtividade para a safra 2022/23, esperando agora apenas 5,76 toneladas de trigo soft por hectare (t/ha). Esse novo valor é menor que a média dos últimos cinco anos (5,84 t/ha) e significativamente menor que a expectativa inicial para 2022/23 (6,02 t/ha).

Aplicando essa nova produtividade para os 21,7 milhões de hectares estimados pela Comissão, o resultado é uma safra de 125,0 milhões de hectares em 2022/23 na União Europeia, volume mais de 5,0 milhões de toneladas menor que o atualmente estimado.

A concretização ou não dessa queda na produção só será conhecida quando a maior parte do trigo já estiver fora do solo. Nesta última semana, os primeiros passos nesse sentido foram dados, tendo se iniciado os trabalhos de colheita na União Europeia. Na França, o ministério da Agricultura divulgou que 2% da área de produção já estava fora do solo no dia 20 de junho, um adiamento em relação à safra passada

Por fim, vale falar sobre as exportações neste final de safra 2021/22. Elas perderam ritmo nos últimos meses, pressionadas desde que o início dos conflitos no mar Negro encareceu significativamente o trigo. Assim, faltando apenas duas semanas para o fim do ano agrícola, foram exportadas 26,68 milhões de toneladas a partir da União Europeia. Este volume é ligeiramente maior que o registrado no ciclo passado durante o mesmo período (25,48 milhões), mas deve ficar abaixo da última estimativa da Comissão de 31,0 milhões de toneladas.

Intraday | Preço contínuo – Paris (EUR/tonelada)
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Fonte: Euronext. Elaboração: StoneX.
MAR NEGRO

Desde o início do conflito na Ucrânia, o trigo russo estava entre os mais baratos do mundo. Assim, apesar das sanções impostas pelos países ocidentais, o país conseguia exportar quantidades significativas. Nesta última semana, entretanto, a Rússia perdeu sua vantagem. Isso porque a desvalorização generalizada do trigo nas bolsas de Chicago e Paris, discutida nas seções acima, não foi acompanhada por desvalorização nos portos russos. Pelo contrário, o grão se tornou mais caro. Agora, o preço porto do trigo 12,5% da Rússia é de USD 445,00/t, valor superior aos USD 441,20/t do 12% norte-americano e aos USD 403,50/t do 11,5% francês. Um mês atrás, esses valores eram de USD 410,00/t, USD 515,40/t e USD 453,00/t respectivamente.

Dois fatores são responsáveis pelo encarecimento do trigo russo. Em primeiro lugar, a valorização da taxa de câmbio, movimento que vem acontecendo desde que Moscou impôs aos países europeus o pagamento em rublo pelo gás natural. E em segundo, a taxa sobre as importações, no momento de USD 142,00/t. 

Para dificultar ainda mais as exportações neste final de safra 2021/22, o país está muito próximo do limite da quota de 8,0 milhões de toneladas, imposta pelo governo para durar entre os dias 15 de fevereiro e 30 de junho. Assim, com preços elevados e baixa disponibilidade, as exportações em junho devem totalizar algo em torno de 1,2 milhões de toneladas, volume inferior às cerca de 2,0 milhões registradas nos meses anteriores.

Para a próxima safra, as perspectivas de exportação são incertas. Por um lado, o país deixará de estar limitado pela quota e, mais importante que isso, caminha para produzir uma das maiores safras da sua história. As consultorias IKAR e Sovecon estimam 87,0 e 89,2 milhões de toneladas, respectivamente, volume significativamente superior aos 76,0 milhões produzidos em 2021/22. Pelo outro, além da questão dos preços, existe o sério problema relacionado com a disponibilidade de empresas dispostas a aceitar os riscos e os custos de mandar seus navios para o mar Negro.

No momento, a IKAR e a Sovecon estimam as exportações em 41,0 e 42,3 milhões de toneladas, respectivamente, volume significativamente superior aos 33,0 milhões que devem ser exportados até o final de 2021/22. Entretanto, dado o contexto de guerra e sanções, os exportadores russos podem encontrar problemas na hora de encontrar compradores.

Na Ucrânia, os agentes do mercado de trigo seguem focados na questão da capacidade de armazenamento. Antes da guerra, o país conseguia armazenar 57,0 milhões de toneladas de grãos e oleaginosas. Agora, a estimativa é que esse valor tenha sido reduzido para 44,0 milhões. Possuindo 22,0 milhões de toneladas já em estoque, com a perspectiva de colher outras 65 e com baixa capacidade de exportação, as perspectivas são de um déficit na casa das 12,0 milhões de toneladas

Visando aliviar essa situação, os Estados Unidos anunciaram o financiamento da construção de silos na Polônia. Apesar de trazer melhores perspectivas, a medida não resolve o problema. Em primeiro lugar, porque a conclusão das obras deve acontecer apenas depois do período da colheita de trigo. E em segundo, porque isso não aponta caminhos para o escoamento dos grãos para os portos da Romênia. Este país também começará a colher sua produção e já anunciou que está atuando com capacidade logística pressionada.

Rússia - 12,5% | Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
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Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.
TRIGO NOS MERCADOS FUTUROS DOS EUA
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Comentários de Abertura

10 de agosto – Os mercados globais de commodities e a economia permanecem em risco em meio a duas guerras nesta manhã. As tensões continuam a escalar tanto no Oriente Médio quanto no Mar Negro – ameaçando arrastar outros países para os conflitos. As ações estão em leve queda nesta manhã à medida que iniciamos uma semana de negociações na qual veremos dados-chave de inflação e vendas no varejo após um relatório de empregos fraco na última sexta-feira. Ainda assim, as ações continuam a ser negociadas logo abaixo dos níveis recordes, com o VIX sendo negociado perto das mínimas de 2026, logo acima de 15. O dollar index está sendo negociado perto de 99,7. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos estão sendo negociados perto de 4,68%, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 2 anos estão perto de 4,23%. Os mercados de energia e de alimentos estão mais firmes hoje em meio aos riscos elevados. O petróleo WTI está sendo negociado perto de US$ 80, enquanto o Brent é negociado perto de US$ 85 por barril. Ganhos de dois dígitos nos mercados de trigo de inverno lideram a alta dos preços de grãos e oleaginosas.

Arlan Suderman
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7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

Mike Castle
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6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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