Na semana que se estendeu entre os dias 11 e 15 de julho, os futuros do trigo negociados na bolsa de Paris sofreram desvalorizações expressivas. Além dos pontos já abordados, parte da razão está no retorno da possibilidade de Rússia e Ucrânia chegarem a um acordo sobre um corredor de exportações no mar Negro. Assim, no agregado da semana, o contrato com vencimento em setembro/22 teve perdas de 8,8%, ficando cotado a EUR 325,50/t. Esta é a menor cotação do trigo na MATIF desde os dias iniciais da guerra na Ucrânia.
Sobre a safra da União Europeia, o relatório do USDA veio conforme o esperado e mostrou uma retração nas perspectivas de produção. Agora, o Departamento norte-americano espera uma safra de 134,1 milhões de toneladas, uma redução de 2,0 milhões frente à estimativa anterior. O corte ocorre em decorrência dos problemas climáticos enfrentados por agricultores europeus.
A análise do USDA foi amparada pela divulgação da Strategie Grains. A importante consultoria francesa também cortou sua estimativa de produção com base no calor e na seca enfrentada pelos europeus. Agora, ela espera que os agricultores da União Europeia colham 123,3 milhões de toneladas. Lembrando que essa diferença expressiva entre as estimativas se deve ao fato de que os números do USDA dizem respeito a todas as modalidades de trigo, enquanto que os da Strategie Grains se referem apenas ao trigo soft.
Outras atualizações importantes foram feitas pelo Ministério da Agricultura da França. Em sua primeira estimativa para a safra nacional 2022/23, foram citados os mesmos problemas de seca e calor como responsáveis pela redução da produtividade (de 7,11 t/ha para 6,99 t/ha) e da área de plantio (de 4,98 milhões de hectares para 4,71 milhões de hectares) na comparação com a safra passado. As 32,9 milhões de toneladas resultantes são 7,2% menores que o volume colhido em 2021/22 e 5,9% menor que a média dos últimos cinco anos. Pelo lado positivo, o Ministério anunciou uma pequena melhora nas condições da safra, com o trigo em condições boas/ótimas avançando de 63% para 64%.
Ainda na França, chama a atenção o adiantamento da colheita. Até o dia 11 de julho, já haviam sido colhidos 50% das áreas plantadas com trigo soft. No mesmo período da safra passada, esse percentual era de apenas 3%.
Frente a essa precoce disponibilidade de trigo e as dificuldades enfrentadas pelos principais concorrentes da União Europeia, Rússia e Ucrânia, a expectativa é de exportações robustas em 2022/23. O USDA, por exemplo, estima as vendas totais de trigo em 35,5 milhões de toneladas, volume significativamente superior às 29,5 milhões de 2021/22.