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Resumo Semanal de Trigo

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Última semana de julho apresenta ganhos para o mercado futuro de trigo na CBOT, mas com indicativos de novas quedas pela frente
 
fatores baixistas
  • Vendas de exportação estadunidenses abaixo da média;
  • Avanço do plantio da safra de inverno nos EUA;
  • Estimativa recorde para a safra 2022/23 da Rússia;
  • Possibilidade de abertura de um corredor comercial no Mar Negro;
  • Expectativa de recessão global.
     
 
fatores altistas
  • Condições desfavoráveis para o clima da safra 2022/23 nos EUA, Índia e União Europeia;
  • Requisitos para concretização do acordo entre Rússia e Ocidente.
ESTADOS UNIDOS

O mercado futuro de trigo encerra o mês de julho com uma semana registrando ganhos na Bolsa de Chicago para o contrato de setembro/22, fechando a sexta-feira (29) com variação de 6,4% no comparativo semanal, o que demonstra a recente alta volatilidade do mercado de commodities e o peso do cenário geopolítico.

O acordo intermediado pela Turquia e pelas Nações Unidas e que firmou o transporte de grãos da Ucrânia a partir dos seus portos no mar Negro na sexta-feira (22) ainda estava sendo visto com muito ceticismo pelo mercado. No dia seguinte à assinatura do acordo foram registrados novos ataques russos a cidade portuária de Odesa, o que reduziu as expectativas de sua concretização.

Intraday | Preço para o contrato de setembro/22– Chicago (USD cents/bushel)
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Fonte: CME. Elaboração: StoneX.

Na terça-feira (26), o mercado refletiu os dados divulgados no dia anterior pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, em inglês), indicaram deterioração nas condições para o trigo de primavera dos EUA, que caiu para 68% como bom/excelente até a semana encerrada no domingo (24). O progresso de plantio pode ser visto pelo relatório de Acompanhamento de Safra de Trigo divulgado pela StoneX.

Além disso, as inspeções de exportação divulgadas pelo USDA, encerradas na quinta-feira (21), indicaram um aumento em relação à semana anterior, registrando 475,4 mil toneladas embarcadas. Desde o início do ano de comercialização do grão em 1º de junho, foram embarcadas 2,59 milhão de toneladas, um pouco abaixo das 3,38 milhão de toneladas para o mesmo período de 2021. 

Na quarta-feira (27), as incertezas sobre o volume de exportações da Ucrânia seguem sendo precificadas pelo mercado. Apesar de utoridades da Turquia indicarem que os primeiros embarques começariam ainda ao longo da semana, havia divergências com o pronunciamento do vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Andrei Rudenko, que deu a entender que o acordo podia ser anulado se as atuais sanções aos embarques russos de grãos e fertilizantes não fossem suspensas imediatamente pelo Ocidente. 

Na quinta-feira (28), as vendas de trigo dos Estados Unidos caíram 19% em relação à semana anterior. Dentre os principais compradores, estão: Filipinas com 98,1 mil toneladas, México com 67,8 mil toneladas, Tailândia com 56,3 mil toneladas, um país desconhecido com 43 mil toneladas e Honduras com 36 mil toneladas. Como se observa no gráfico a seguir, as exportações da semana chegaram a 345,8 mil toneladas, bem superior a semana anterior, segundo dados do USDA.

Vendas de Exportação Semanais - EUA (mil toneladas)
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Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.

A semana se encerra na sexta-feira (29) com os preços passando de ganhos para uma perda diária de -3,17% na Bolsa de Chicago para o contrato de setembro/22. Autoridades ucranianas indicaram que cerca de 10 de 17 navios já estariam carregados nos portos a espera de liberação nos próximos dias.

EUROPA

Na sexta-feira, dia 22 de julho, Rússia e Ucrânia confirmaram que haviam chegado a um acordo para o estabelecimento de um corredor de exportação de grãos através do mar Negro. A notícia trouxe a perspectiva de crescimento significativo na oferta global de trigo, produzindo desvalorizações acima de 7,0% na bolsa de Paris. Entretanto, no dia seguinte à assinatura do acordo, os russos bombardearam o porto de Odessa e, no decorrer da semana, declarações belicosas foram feitas por parte de autoridades. Esses movimentos fizeram com que o mercado deixasse de acreditar que o corredor de exportações realmente traria resultados significativos. Frente a isso, os futuros do trigo atuaram em alta na MATIF entre os dias 25 e 29 de julho, recuperando a maior parte das perdas ocorridas no final da semana anterior. No encerramento do período, o contrato com vencimento em setembro/22 ficou cotado a EUR 343,00, uma valorização de 5,3%.

Voltando as atenções para as lavouras da União Europeia, a notícia que mais chama a atenção nos últimos dias é o rápido avanço da colheita. Na França, principal exportadora do bloco, dados do FranceAgriMer indicam que 95% da área plantada com trigo já foi colhida; no mesmo período do ano passado, essa porcentagem era de apenas 42%. Já na Romênia, segunda maior exportadora, a associação de fazendeiras afirmou que 96% do trigo já está fora do solo.

Esse precoce volume de trigo nas mãos dos agricultores permitiu um bom volume de exportações neste início de ciclo 2022/23. Mesmo sem computar parte dos embarques ocorridos em solo italiano, foi indicado que 1,40 milhões de toneladas deixaram a União Europeia nas quatro primeiras semanas de negociação, volume superior à média dos últimos três anos (1,24 milhões). No momento, a expectativa é de bons volumes de vendas ao longo de todo o ano-safra, análise que se baseia na perspectiva dos europeus abocanharem fatias do mercado antes ocupadas pela Ucrânia.

Entretanto, nem todas as notícias são positivas para os fazendeiros da região. Os resultados preliminares mostram uma safra que sofreu com seca e altas temperaturas, resultando em perdas de produtividade. No relatório MARS, a Comissão Europeia trouxe a perspectiva de uma produtividade de 5,74 t/ha, valor significativamente abaixo da média dos últimos cinco anos de 5,84 t/ha. Aplicando esse rendimento para a área estimada de 21,7 milhões de toneladas, chega-se à produção de 124,6 milhões de toneladas de trigo soft. Ano passado, foram 130,1 milhões.

Intraday | Preço contínuo – Paris (EUR/tonelada)
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Fonte: Euronext. Elaboração: StoneX.
MAR NEGRO

Na sexta-feira, dia 22 de julho, Rússia e Ucrânia confirmaram que haviam chegado a um acordo para o estabelecimento de um corredor de exportação de grãos através do mar Negro. A notícia trouxe a perspectiva de crescimento significativo na oferta global de trigo, produzindo desvalorizações acima de 7,0% na bolsa de Paris. Entretanto, no dia seguinte à assinatura do acordo, os russos bombardearam o porto de Odessa e, no decorrer da semana, declarações belicosas foram feitas por parte de autoridades. Esses movimentos fizeram com que o mercado deixasse de acreditar que o corredor de exportações realmente traria resultados significativos. Frente a isso, os futuros do trigo atuaram em alta na MATIF entre os dias 25 e 29 de julho, recuperando a maior parte das perdas ocorridas no final da semana anterior. No encerramento do período, o contrato com vencimento em setembro/22 ficou cotado a EUR 343,00, uma valorização de 5,3%.

Voltando as atenções para as lavouras da União Europeia, a notícia que mais chama a atenção nos últimos dias é o rápido avanço da colheita. Na França, principal exportadora do bloco, dados do FranceAgriMer indicam que 95% da área plantada com trigo já foi colhida; no mesmo período do ano passado, essa porcentagem era de apenas 42%. Já na Romênia, segunda maior exportadora, a associação de fazendeiras afirmou que 96% do trigo já está fora do solo.

Esse precoce volume de trigo nas mãos dos agricultores permitiu um bom volume de exportações neste início de ciclo 2022/23. Mesmo sem computar parte dos embarques ocorridos em solo italiano, foi indicado que 1,40 milhões de toneladas deixaram a União Europeia nas quatro primeiras semanas de negociação, volume superior à média dos últimos três anos (1,24 milhões). No momento, a expectativa é de bons volumes de vendas ao longo de todo o ano-safra, análise que se baseia na perspectiva dos europeus abocanharem fatias do mercado antes ocupadas pela Ucrânia.

Entretanto, nem todas as notícias são positivas para os fazendeiros da região. Os resultados preliminares mostram uma safra que sofreu com seca e altas temperaturas, resultando em perdas de produtividade. No relatório MARS, a Comissão Europeia trouxe a perspectiva de uma produtividade de 5,74 t/ha, valor significativamente abaixo da média dos últimos cinco anos de 5,84 t/ha. Aplicando esse rendimento para a área estimada de 21,7 milhões de toneladas, chega-se à produção de 124,6 milhões de toneladas de trigo soft. Ano passado, foram 130,1 milhões.

Rússia - 12,5% | Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
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Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.
TRIGO NOS MERCADOS FUTUROS DOS EUA
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7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

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6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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